sábado, 16 de outubro de 2010

O LOUVOR DE DEUS NÃO É ABSOLUTIZAR O PODER: DOMINAÇÃO

O LOUVOR DE DEUS NÃO É ABSOLUTIZAR O PODER: DOMINAÇÃO

Muitas vezes, conforme está na I Cor 1, se busca sinais e prodígios, mas não se busca o amor de Deus que ama e que é desse amor que o poder vem. Por isso, com Paulo queremos pregar Cristo, e este crucificado. Queremos pregar e celebrar o amor como Entrega. A tentação de dominar o outro é constante no ser humano, e é terrível quando essa dominação se esconde sob a fachada de caridade, e pior ainda, quando essa dominação se esconde sob a aparência mentirosa e hipócrita de adorar a Deus. A hipocrisia, a vida mentirosa de louvor a Deus, surge no coração humano no desejo de instrumentalizar o outro, na ilusão de conseguir uma união, que por ser falsa destrói o dominador e o dominado. Por isso, Pe. Gilberto quis o hábito marrom, para sempre lembrarmos que somos terra, somos limitados, somos fracos, e aí sim deixamos a graça de Deus agir, e o Louvor de Deus acontecer. A dominação são obras da carne, são obras da lei, obras que brotam do orgulho humano, louvor ou orações que tentam manipular o outro, e não levá-lo em liberdade para Deus. Exteriormente pode parecer belo, mas o conteúdo é diabólico, no sentido da palavra, dominação que destroça um outro ser humano, divide-o (dia-bolos). Por isso, é necessário, como diria Santa Teresa de Jesus, renunciar a toda honra, todo orgulho, e só ter como meta o servir a Deus. Na dominação a mentira é utilizada, mas o principal é a hipocrisia, a pessoa crê estar servindo a Deus, mas mentindo para si mesma, está apenas instrumentalizando o outro em função da sua própria honra, arroga-se num poder de Deus, mas quer ser Deus, como a serpenta tenta Eva em Gn 3 e além disso mente dizendo ser Deus um mentiroso. E mesmo, sob a aparência de ir ao encontro da necessidade do próximo, cria necessidade no outro, sob a dependência de um deus despótico e que brinca com a vida do ser humano, vai ao encontro do ser humano não para torna-lo livre, mas para sempre ter um escravo, aí aparece a figura do puritanismo, moralismos vários etc. Por isso, ao ler esse artigo, deve-se ter sempre a frente o outro artigo “Laus Deus Caritas est”, para que passo a passo se saiba analisar até que ponto se vive o Carisma da FJS.





A dominação
            Atualmente os catequistas encontram problemas profundos no relacionamento com os seus catequizandos. Estes, muitas vezes, advindos de famílias destroçadas, ambientes promíscuos, ou de um indiferentismo atroz. Sejam os catequizandos nas paróquias, ou os seminaristas na formação presbiteral, ou ainda os jovens que procuram se casar, carregam feridas profundas no coração. Corações feridos que não sabem amar e não conseguem deixar Deus e o próximo os amarem. Tais feridas podem transformar-se em um processo de dominação, que neste trabalho tomamos como conseqüência do pecado e a antítese do amor cristão.
            Durante séculos a dominação foi o flagelo que submeteu muitos seres humanos. Advinda do século XX, a nossa sociedade está marcada por duas guerras mundiais, por regimes totalitários aceitos passivamente por pessoas de bem, crueldades sem par, torturas perpetradas por governos despóticos numa insensibilidade sem fim. Tudo isso nasceu do coração humano (cf. Mt 15, 19). Propomos neste trabalho, o amor como princípio meta-metodológico da catequese, mas nesse processo de ensinar a amar, cada catequista precisa ter a consciência de que está lidando com pessoas marcadas pela dominação. Portanto, se o amor é a tese, a dominação é antítese do processo da implantação do Reino. Catequizar é ensinar a amar, mas o catequista deve ter também a voz profética de ir contra a dominação e como Jesus dizer: “Entre vós não deverá ser assim” (Mt 20, 26).
            Neste item queremos, como fizemos no item anterior com o conceito de amor, chegar à definição de dominação, para isso tomamos por paradigma a parábola do devedor implacável (Mt 18, 21-35) e a parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21, 33-46; Mc 12, 1-12; Lc 20, 9 -19).
            A primeira parábola é introduzida por uma pergunta de Pedro: “Quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim?” (Mt 18, 21) A resposta de Jesus é perdoar sempre. Então Jesus conta a parábola do devedor implacável. O Reino de Deus é semelhante a um rei que chama os seus servos e começa a fazer o acerto. Diante de um servo que devia uma enorme quantia, dez mil talentos, o patrão manda vendê-lo, bem como toda a sua família. O servo implora por um prazo e sua dívida é perdoada (cf. Mt 18, 23-26).
O servo perdoado por seu patrão, no seu egoísmo não entende o ato de misericórdia deste, sob a ótica da honra, deixa-se dominar pelo medo do poder de seu patrão e enterra o dom da caridade (cf. Mt 25, 24-25). E ainda mais, fechado em sua própria hipocrisia interpreta o ato misericordioso do seu patrão como uma desonra para si. Por isso, ao encontrar um companheiro de servidão que lhe devia uma pequena quantia, um denário, sufoca-o, quer tirar-lhe o sopro de vida. O devedor implacável, não abranda o coração, não perdoa e quer submeter o outro (cf. Mt 18, 26-28).
            O devedor implacável diante da súplica do seu companheiro de servidão, que lhe pedia o perdão, fecha o coração. Não o ouviu, fechou-se à súplica do outro, e o mandou para prisão. O implacável não tem compaixão e não se coloca no lugar do outro, vê e trata o outro como uma coisa (cf. Mt. 18, 28-35).
            Na segunda parábola, a história conta a revolta de vinhateiros contra o dono de uma vinha que envia servos para buscar os frutos da vinha, vinhateiros que por fim matam o filho-herdeiro, quer significar a missão de Jesus, “enviado por Deus como última possibilidade de salvação para Israel, é rejeitado e levado à morte por um povo incrédulo”.[1]
            Neste trabalho, porém, queremos enfocar a atitude dos vinhateiros. A vinha representa o povo de Deus (cf. Is 5, 2ss), bem como o Reino de Deus, isto é, “a realidade divina de salvação presente na vida humana”.[2] No tempo de Jesus uma vinha pertencente a um estrangeiro, poderia ser arrendada a vinhateiros. Os vinhateiros da parábola são seres humanos, limitados, necessitados, em dívida de fidelidade para com o proprietário da vinha (Deus). Ao invés de abrirem-se à fidelidade da Aliança, os vinhateiros fecham-se em si mesmos, encastelam-se e tentam, numa atitude autoritária tomar posse dos frutos da vinha que não lhe pertencem.
            Na parábola a dominação é demonstrada na perspectiva da História da Salvação. Os servos são os profetas que ao anunciarem a fidelidade à Aliança foram espancados, insultados e feridos (cf. Lc 20, 11-12). Os vinhateiros, dominados pela própria necessidades e fechados ao amor a Deus e ao próximo, não vivem a Aliança. Ao invés de viverem o amor como essência da Aliança, os vinhateiros tentam submeter pela força.
            Ao verem o herdeiro os vinhateiros raciocinavam: “Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança fique para nós” (Lc 20, 14). A absolutização das próprias necessidades pode chegar a ponto de instrumentalizar o outro, desprezando a sua vida, para assim tomar posse da herança.    

Dominar é encastelar-se
            O ser humano é um ser necessitado, uma pessoa limitada, por isso muitas vezes em dívida com o outro e com Deus. A dívida é o próprio símbolo que expressa a situação negativa do homem diante de Deus e diante de seu próximo. Nessa situação de necessidade, a primeira medida é entrar na dinâmica do amor e deixar-se amar por Deus e pelo próximo, permitindo o atendimento das próprias necessidades, das próprias “dívidas”, como foi visto no item anterior.
            Porém, muitas vezes, essa abertura não acontece. O ser humano na sua necessidade e fragilidade perene, nos seus relacionamentos pode sofrer ofensas e agressões. Tudo isso causa um sofrimento muito grande que começa no nascimento, ao se desprender da mãe à qual se acha estreitamente ligado. Esse sofrimento pode provocar um fechamento da pessoa, esta cria defesas que evitem qualquer machucadura no relacionamento com o outro. É o processo do encastelar-se.[3] O ser humano constrói um castelo no qual se fecha para se proteger.[4]
            Essa proteção vai se tornando cada vez mais forte e vai fazendo com que o ser humano isole-se do mundo. Começa um processo de criação de máscaras para poder cada vez mais se defender. A defesa acontece, só que uma enorme solidão invade o coração humano, este coração passa a desconfiar das pessoas e não aceita o amor humano. Em primeiro lugar, não se ama, porque, como cria uma casca protetora, passa a achar que esta casca, esse castelo é a realidade e, portanto não se conhece verdadeiramente. Ao contrário do amor, não aceita a própria fragilidade e por isso não se ama. A partir disso, não ama o próximo, porque não confia, e por conseqüência não ama a Deus.[5]
            O ser humano somente realiza-se como pessoa “na consecução da união interpessoal, da fusão com outra pessoa, no amor. Esse desejo de fusão interpessoal é o impulso mais poderoso que há no homem”.[6] Como o dominador não consegue essa união por manter um castelo que o protege, ele busca esta união através da submissão. O dominador para escapar de sua solidão suprema dentro de seu castelo, quer tornar um outro indivíduo parte de si. Ele se exalta a ponto de incorporar o outro na sua própria personalidade. No dizer de Erich Fromm, o dominador, “o indivíduo sádico é dependente do indivíduo submisso, assim como este é dele; um não pode viver sem o outro. A diferença está apenas em que o sádico comanda, explora, fere, humilha, e o masoquista é comandado, explorado, ferido e humilhado”.[7]
            Assim também mostra a Sagrada Escritura. O ser humano sabendo-se pó, necessitado, limitado (cf. Gn 3, 19), numa autodefesa procura dominar. Essa dominação é enquadrada no Evangelho como hipocrisia. O relacionamento consigo mesmo (jejum), com o outro (esmola) e com Deus (oração), ao invés de se tornar um processo de entrega, de ir ao encontro do outro, o hipócrita esvazia o sentido dessas ações, subordinando o amor ao egoísmo. A hipocrisia ao converter ações caritativas em espetáculo procura a própria glória, procura subordinar o outro a si, busca dominar através da mentira um outro ser humano (cf. Mt 6, 1-6.16-18).
            O princípio da dominação é o ser humano que não aprendendo a amar, não aceita a própria condição de necessitado, e encastela-se no próprio egoísmo. A vocação de comunhão é transformada em dominação que procura subordinar o outro, absorver o outro em sua própria vida. O dominador coloca o castelo como verdade e vive a mentira da hipocrisia.   

O dominador escravizado quer escravizar o próximo dependente
            No processo da socialização do ser humano é incutido habitus. Nessa formação da disposição humana para o jogo simbólico no relacionamento social, são inscritas também estruturas de dominação. No jogo simbólico o dominador procura acumular capital simbólico, isto é, o poder que possibilita o reconhecimento social: a honra.[8] Essa imposição da dominação acontece através da violência simbólica, isto é, da imposição de categorias do mundo social pelos dominantes e aceitas como naturais pelos dominados.[9] Um exemplo para clarificar esse conceito é a dominação masculina. As mulheres são educadas desde criança na família, na escola e na igreja, para serem submissas à dominação do homem. São inculcadas tais disposições de tal maneira, que essa dominação doce se torne “natural”. As mulheres se tornam um objeto simbólico, elas são colocadas numa dependência simbólica: “elas existem primeiro pelo, e para, o olhar dos outros, ou seja, enquanto objetos receptivos, atraentes, disponíveis”.[10] A Sagrada Escritura traduz isso como conseqüência do pecado, o desejo da mulher a impelirá ao marido e ele a dominará (cf. Gn 3, 16). Esse processo de dominação se exerce também, na relação brancos com negros, ou superior com subordinado etc.
            Como foi dito neste item, nesse jogo simbólico, o dominado aplica as categorias recebidas através das estruturas de dominação inculcadas num processo de reprodução efetuado por agentes específicos (família, igreja e escola) de tal forma que a submissão ao dominador torna-se natural. Isto é feito de tal modo que dominantes e dominados partilham esquemas comuns de percepção da sociedade, de tal forma que levem os dominados a adotar, sobre os dominantes e sobre si mesmos, o ponto de vista dos dominantes.[11] Por outro lado, o dominador torna-se prisioneiro da representação dominante, sempre tendo que manter a honra, busca a aprovação do grupo e vive o medo de perder a estima do mesmo.[12] Tudo isso torna o dominador inflexível, como o devedor implacável ou os vinhateiros homicidas, sem complacência para compreender os outros, ele busca o que é próprio dele, “a fim de dizer diante de tudo o que ele designa: eis minha imagem, eis meu pensamento, eis minha vontade [...] despoticamente, não quer sair de si mesmo, despoticamente quer triturar a característica particular da outra pessoa ou atormentá-la até a morte”.[13] 
            As estruturas de pecado existentes na sociedade são estruturas de dominação que aprisionam dominador e dominado. O dominador inconsciente da própria necessidade fabrica máscaras de hipocrisia para viver em sociedade. Como Caim (cf. Gn 4, 5-6), escravizado pela honra que deve transparecer em sociedade procura escravizar o outro incorporando-o a sua própria personalidade. Por outro lado, nessa estrutura de dominação, o dominado aceita essa realidade como natural e se submete. A dominação acontece então quando o dominador escravizado pela própria necessidade e pela honra quer escravizar o próximo em sua necessidade.  

Dominar é instrumentalizar o outro
            O ser humano como ser limitado e necessitado está submetido a um jogo de forças do cosmos em torno de sua própria sobrevivência (tempestades, furacões, terremotos etc). Além disso, o ser humano está imerso num cosmos baseado na morte para poder sobreviver (a cadeia alimentar). Diferente desses quadros, somente o ser humano entra no mundo da violência de modo racional, de tal forma que pode aplicar a força para preservar a vida, mas pode também aplicar a força para se sobrepor ao outro.
            Nesse último ponto surge a dominação. Dominação como submeter o outro a seu poder, coagir para fazer a própria vontade ou enfim possuir o outro.   
            A negação do amor é a dominação, como uma experiência de autodestruição. Enquanto o amor é gratuito, a dominação é apropriar-se do ser do outro para si mesmo. Nesse processo de apropriação está o desejo do ser humano de vencer sua própria indigência, de dominar sua própria pobreza ontológica. Sentindo-se limitado o ser humano procura compensar a própria carência agregando ao próprio ser o ser do outro, fazendo o ser do outro um ser para si, com a finalidade de suprir o que falta em sua própria existência. Por isso, surge o desejo insaciável pelo poder, que se torna a negação do amor e também a denegação da existência mesma.[14]
Dominação é possuir, instrumentalizar o outro para suprir a própria necessidade. Nesse ponto o dominador manipula a outra pessoa em seu benefício pessoal. Ao contrário do amor que busca a unidade com o outro na liberdade, o dominador para escapar da solidão dentro de seu castelo, “ele exagera e exalta a si mesmo incorporando o outro indivíduo, que o adora”.[15] É uma fusão sem integridade. A vontade do dominador de descobrir o segredo da vida o faz utilizar o poder completo sobre o outro para descobrir esse segredo. Mesmo que para isso o dominador possa destruir o outro.
            Entretanto, a dominação não é tão clara, ela se utiliza do manto do amor para poder ser exercida, como segue:
            A dominação pode parecer amor-doação. O instinto materno tem um amor-doação que precisa dar, precisa ser necessário para o próprio filho. Esse amor deveria doar-se até que o outro pudesse se tornar livre, viver por si só. Entretanto, às vezes, isso não acontece, ao invés da abdicação que faz com que a mãe se torne supérflua, ela procura ser cada vez mais necessária e procura através de mecanismos do apego tornar o objeto amado em constante necessidade, mesmo se tal necessidade for imaginária. É um “entreguismo” no qual a ilusão hipócrita faz com que a pessoa nessa situação pense ainda que vive um amor abnegado.[16] Numa perspectiva da antropologia do Dom, no dom há sempre um interesse, esse interesse deve privilegiar a aliança, porém o que na dinâmica do dom se deve ser totalmente contra é a intenção instrumental, na verdade o dom subordina os interesses instrumentais aos interesses não instrumentais.[17] 
            Outra forma é o ciúme, no qual o amante tomado pela insegurança de ser ou não ser amado, “ansiosamente torturado pela ocupação consigo mesmo, nem ele ousa confiar totalmente na pessoa amada, nem se entregar inteiramente, a fim de não dar demais”.[18] O ciumento confunde amor com posse da pessoa amada, no seu coração julga: “ou possuir o amado ou morrer”.
Nesse processo não há um amor, mas sim uma idolatria na qual um adora e o outro é adorado, nisso se exclui a igualdade eterna do amor ao próximo, nessa relação entre dominador e dominado, se desconhece qualquer outra expressão para a relação senão a de se prostrar e se abandonar a si mesmo.[19] Nessa perspectiva o Papa Bento XVI, alerta que o eros degradado a puro sexo, “torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma ‘coisa’ que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria”.[20]
O cume da dominação é o totalitarismo, no qual o dominado em troca da sua subordinação absoluta ao dominador, em troca de seu sacrifício virtual, adquire o direito de massacrar o outro, numa lógica utilitarista faz do crime útil virtude e obrigação.[21] Isso se registrou historicamente nos regimes totalitários da Segunda Guerra Mundial. O domínio total, que caracterizava esses regimes, buscava formar uma humanidade que privava toda liberdade do indivíduo de ser ele mesmo. Assim poder-se-ia reduzir o homem a uma coisa, que pudesse ser manipulada. O domínio total quer transformar toda a personalidade e pessoalidade humana em um nada existencial. Com isso o domínio total sistematiza a infinita pluralidade e diferenciações dos seres humanos como se a humanidade fosse um indivíduo, transforma o povo em massa, através da doutrinação e do terror absoluto.[22] O domínio total usurpa a dignidade humana do direito a qualquer individualidade. “Morta a individualidade, nada resta senão horríveis marionetes com rostos de homens, todas com o mesmo comportamento de cão de Pavlov, todas reagindo com perfeita previsibilidade mesmo quando marcham para morte”.[23]
            Diante da pergunta da mãe de Tiago e João, de poderem se assentar à direita e à esquerda no Reino, e da indignação dos outros dez apóstolos, Jesus diz “Sabeis que os governadores das nações as dominam e os grandes as tiranizam. Entre vós não deverá ser assim” (Mt 20, 26). Para Jesus, a dominação é contrária à essência do Reino de Deus, que é o servir, a Entrega para o bem do próximo.
Concluímos que, a dominação surge no coração do ser humano que, não aprendendo amar e ser amado, não aceita a sua condição de necessitado e encastela-se. O dominador procura subordinar o outro, absorvê-lo, numa busca de uma falsa união através da hipocrisia. Essa dominação, que pode se transvestir de amor, caracteriza-se principalmente em instrumentalizar o outro na falsa tentativa de satisfazer as próprias necessidades. Tudo isso gera nas relações humanas desconfiança e por fim separação.



[1] BARBAGLIO, G. O evangelho de Mateus. In: Os evangelhos I. São Paulo: Loyola, 1992, (Bíblica Loyola 1), p. 324.
[2] BARBAGLIO, G. O evangelho de Mateus. In: Os evangelhos I, p. 325.
[3] Encastelar. No sentido de prevenir-se contra alguém. In: INSTITUTO ANTONIO HOUAISS. Dicionário Houaiss de língua portuguesa, p. 1134.
[4] Cf. NOUWEN, H. J. M. Intimidade: Ensaios de psicologia pastoral. São Paulo: Loyola, 2001, p. 40.
[5] Cf. KIERKEGAARD, S. As Obras do amor: Algumas considerações cristãs em forma de discursos, p. 32.
[6] FROMM, E. A arte de amar. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 22-23.
[7] FROMM, E. A arte de amar, p. 25.
[8] Capital simbólico ou honra é um crédito posto à disposição de um agente pela adesão de outros agentes, que lhe reconhecem esta ou aquela propriedade valorizante. Trata-se, antes de tudo, de um ser reconhecido pelos outros, de adquirir importância e visibilidade. In: Cf. BONNEWITZ, P. Primeiras lições sobre a sociologia de P. Bourdieu, p. 103.
[9] Cf. BONNEWITZ, P. Primeiras lições sobre a sociologia de P. Bourdieu, p. 99.
[10] BOURDIEU, P. A dominação masculina. 2ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002, p. 82.
[11] Ib. cf. p. 54. 
[12] Ib. cf. p. 63 e 66. 
[13] KIERKEGAARD, S. As obras do amor: Algumas considerações cristãs em forma de discursos, p. 305.
[14] Cf. WILHELMSEN, F. D. La metafísica del amor, p. 23-25.
[15] FROMM, E. A arte de amar, p. 37.
[16] Cf. LEWIS, C. S. Os quatro amores, p. 71.  
[17] Cf. CAILLÉ, A. Antropologia do dom: O terceiro paradigma, p. 145.
[18] KIERKEGAARD, S. As obras do amor: Algumas considerações cristãs em forma de discursos, p. 56.
[19] Ib. cf. p. 151.
[20] Deus Caritas Est, 5.
[21] Cf. CAILLÉ, A. Op. cit. p. 257.
[22] Cf. ARENDT, A. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 488-489.
[23] Ib. p. 506.

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