quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O trabalho como Louvor de Deus


O trabalho como Louvor de Deus

“Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também“. (Jo 5,17)


Em toda a discussão sobre o descanso, sobre a ação benéfica de Jesus no Sábado, Jesus proclama exatamente isso, que seu Pai que realizou a criação e continua agindo no mundo, Jesus também trabalha, age para o bem do mundo.
O nosso trabalho também tem que ser um louvor ao Senhor, como o foi a ação de Jesus no mundo. A pergunta é, quando o trabalho é um verdadeiro louvor?
Vivemos num mundo do stress, no qual as pessoas vivem num ritmo desumano de trabalho e/ou de diversão, os “workaholics”, pessoas viciadas em trabalho que busca em horas de trabalho, não a própria sobrevivência, mas a fuga da própria vida. Por outro lado surge a figura do preguiçoso, o ocioso, aquele que não quer trabalhar ou fica escolhendo trabalho numa tentativa de sempre buscar não o bem que é necessário ser feito, mas a própria satisfação.
O verdadeiro trabalho, a exemplo do que disse Jesus, ou São José, como modelo do operário, é aquele cujo trabalho faz o bem para si e para as outras pessoas e é um louvor de Deus, algo que se lê na história que é Deus quem propiciou os dons para aquela pessoa realizar o seu trabalho.
Nessa perspectiva, a parábola dos talentos (Mt 25, 14-30) é paradigmática, o homem que confia talentos aos seus empregados, cinco, dois e um talento, os dois primeiros imediatamente, a prontidão de quem quer trabalhar aplicam e fazem render o que lhes foi confiado. Atentemos que os talentos são confiados, não é obra nossa, obra nossa é fazer com que os dons rendam, e a característica é sair e fazer com que rendam imediatamente, sem demora, sem letargia de pessoas que não querem trabalhar. Uma vez feito o trabalho, temos que declarar que somos servos inúteis (cf. Lc 17, 10) e que tudo é graça de Deus. Deus não olha a quantidade de talentos, se é dois ou cinco, mas que o façamos render.
Agora, o servo preguiçoso, que demorando em si não quis colocar em ação o único talento que recebeu, mas o apontou para a terra, porque tinha uma imagem servil de Deus, uma imagem não de um Pai, mas de um feitor de escravos, de um Faraó. Esse obediente servil é chamado de mau e preguiço, lento ao tomar decisões, diferente da prontidão dos outros dois servos, a esse será tirado o que tem.
Portanto, o que caracteriza o trabalho como louvor de Deus é:
1. Os dons que recebemos devem ser colocados em prática, de acordo com o dom recebido, por isso é fundamental conhecer nossos dons e aptidões;
2. O trabalho é cooperação com a criação de Deus, e a Ele um dia será entregue, nessa perspectiva o trabalho será louvor, louvor também porque o ser humano se torna co-criador;
3. Nenhuma outra intenção será aceita, nem o trabalho feito para aparecer, para obter somente renda, ou para fugir da própria vida;
4. Jesus é trabalhador e nós devemos sê-lo, não se escolhe dons, mas se conhece o que o Senhor nos confiou e deve-se aplicá-los, preguiçosos não são aceitos no Reino de Deus, pessoas que querem que os outros o sirvam, o mundo tem que dobra-se a pessoas assim, gabam-se dos dons mas não trabalham.
5. Tudo deve ser feito sem murmuração contra o Senhor e com a consciência que somos servos inúteis, que é a graça de Deus que nos faz trabalhar e os dons vieram de Deus.

Enfim, que ao terminarmos nosso trabalho, possam aqueles que ficam e toda a comunhão dos Santos, a uma só voz dizer “descanse em paz de seus trabalhos”.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Nossa Senhora de Pentecostes, rogai por nós que recorremos a vós!


Nossa Senhora de Pentecostes, rogai por nós que recorremos a vós!

“Os discípulos unidos perseveravam em oração com Maria, a Mãe de Jesus” (At 1, 14)

Nossa Senhora de Pentecostes é a Padroeira da Fraternidade Jesus Salvador. Nosso Pai Fundador quando encomendou o ícone que a representaria quis que sua representação fosse no Cenáculo, mas diferentemente de Nossa Senhora do Cenáculo que está sentada no meio dos apóstolos, em nossa representação ela está em pé, como assunta. Maria preside o Pentecostes, como figura maior da Igreja, ela está no meio dos apóstolos e evangelistas como aquela que serve, e seu serviço é estar junto como os temerosos que ainda não compreendem a ressurreição do Senhor Jesus. Como assunta, ela já vive como cidadã do céu.
Ela é nosso modelo porque reza clamando o Espírito para viver sua vida como um Louvor de Deus, e viver a vida como um Louvor de Deus é viver como cidadão do céu, como aqueles que vivem nesse mundo sem ser do mundo (1 Cor 7, 31). Porém não é uma alienação, mas acolher em si a oração de Jesus: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Jo 17, 15).
Os discípulos enquanto aguardam o ressuscitado estão de portas fechadas por medo dos judeus (cf. Jo 20, 19). Esse medo nos acompanha como seres humanos que estão para morrer, e somente o Espírito Santo nos dá a coragem para anunciar sem o medo da morte, Nossa Senhora de Pentecostes, assunta que é, deve ser um consolo em nossa vida de discípulos temerosos. Mas é necessário assumir que estamos com medo, uma coragem falas, uma coragem da boca para fora não é a Parresia verdadeira que provém do Espírito, por isso é dever assumir o próprio medo para deixar o Espírito agir, e que Nossa Senhora de Pentecostes interceda por nós para que assumamos que necessitamos estar no cenáculo com Ela, e que joguemos fora toda auto-suficiência falsa.
A oração litúrgica para Nossa Senhora de Pentecostes resume bem sua relação ao carisma Louvor de Deus, a perseverança em oração com ela, e sob sua intercessão, deve nos fazer fiéis no serviço a Deus, nos faz verdadeiros servos de Jesus Salvador, pois podemos irradiar a glória do Nome de Deus, sua presença salvadora, em palavras, e aí o carisma, em exemplos, que nossa vida proclame a santidade do nome de  Deus.


São José, nosso Pai e Protetor


São José, nosso Pai e Protetor

“Eis o servo fiel e prudente a quem o Senhor confiou a sua casa” (Lc 12, 42), Antífona da Missa da Solenidade de São José, 19 de março.

Tradicionalmente São José é invocado como “pater et custos” de Jesus, o homem prudente que quando soube que Maria estava grávida, para evitar que ela fosse apedrejada segundo a lei, enquanto decidia recebeu aviso de Deus para assumi-la (cf. Mt 1, 20). Também a fidelidade a Deus, colocar a vida sobre Deus nesse mesmo caso o torna um verdadeiro fiel. É a partir de ser um verdadeiro servo de Deus fiel e prudente que São José pode ser pai e protetor de Jesus, São José se torna um verdadeiro servo de Jesus Salvador. Mesmo no silêncio, ele toma decisões segundo Deus para agir com prudência e fidelidade. São de decisões a exemplo de São José que poderemos ter ações imersas na graça e assim se tornarem ações que louvam a Deus. O nosso serviço de Louvor de Deus, deve ser um serviço fecundo, um serviço que brote de decisões que vem da graça de Deus, fora isso nossas ações seriam ativismos vazios. São José poderia ter cumprido a lei, como um hipócrita, mas não o fez, preferiu pensar e tomar uma decisão justa com relação a Maria. Isso sim é um verdadeiro servo de Jesus Salvador, um servo que sabe decidir e que tem fecundidade espiritual para poder cuidar verdadeiramente de um filho concebido pelo Espírito Santo. Por outro lado, não é servo mau e preguiçoso, poderia ter sido um omisso perante o fato de Maria estar grávida, ele é servo de Deus, mas não é um subserviente como o servo da parábola dos talentos (cf. Mt 25, 26), que se deixa mover pelo medo, mas pelo amor serviçal que produz vida, São José ama o seu Senhor, que é seu filho, e é nesse amor ele o serve. Esse deve ser o modelo de todo servo de Jesus Salvador.
Como Fraternidade deve sempre ressoar em nossos ouvidos a frase de Santa Teresa de Jesus:

“...tomei por advogado e senhor o glorioso São José (...) Não me lembro até hoje de ter-lhe suplicado algo que ele não tenha feito (...) Quem não encontrar mestre que ensine a rezar tome por mestre esse glorioso Santo, e não errará no caminho” Livro da Vida 6.

São Miguel Arcanjo: Príncipe Defensor da Fraternidade Jesus Salvador


São Miguel Arcanjo: Príncipe Defensor da Fraternidade Jesus Salvador

São Miguel é um dos três arcanjos nomeados na Sagrada Escritura, juntamente com são Gabriel e são Rafael, considerado como aquele que após passar pela provação, lidera os anjos bons na batalha contra Satanás e seus anjos, e os expulsa da presença do Altíssimo (cf. Ap 12, 7-9). Etimologicamente Miguel quer dizer “Quem como Deus?”, diferentemente do grito arrogante da Besta do Apocalipse que grita: “Quem é comparável à Besta?” (Ap 13, 5), São Miguel toma a defesa dos direitos de Deus. Lembrando sempre que somente Deus é Deus, como não há dualismo na Sagrada Escritura, não há oposto de Deus, por isso cabe aquele que proclama só Deus é Deus combater contra Satanás. Ele é invocado como Defensor porque ele é o Defensor do Povo de Deus (cf. Dn 12, 1).
Nosso Pai Fundador, Pe Gilberto, escolheu São Miguel como Defensor da Fraternidade. Qual a relação de são Miguel com o carisma do Louvor de Deus? Lembrando que Louvor de Deus é vida unida a Deus pela graça e que louva a Deus, como já foi postado. Somente uma pessoa que assume-se o que é, criatura de Deus e que proclama que só Deus é Deus, que é a essência do Louvor, pode viver o Louvor de Deus.
Vivemos numa sociedade que valoriza a aparência e o ser humano numa vaidade sem fim vive em função da opinião dos outros. Nada melhor que o grito do Arcanjo, “Quem como Deus?”,  para lembrar ao ser humano hoje que somente na medida que assumimos nossa humanidade, como ele assumiu o ser criatural, começa-se a percorrer o caminho do Louvor de Deus. Passamos por horrores como o Nazismo na Alemanha, um mal como esse só brota de corações que queriam o poder pelo poder, e que despersolizavam as pessoas, reduzindo-as a objetos. A morte era a lei. Por isso nunca o grito do Arcanjo deve desaparecer de nosso meio.
Também a luta contra Satanás deve percorrer esse itinerário. Ele como é chamado pelo povo de o “macaco de Deus”, como o grito da Besta do Apocalipse, quer ser como Deus, quer ter um poder somente pelo poder. Quer tentar o ser humano no mesmo sentido, como a serpente fez com Eva, torna Deus um mentiroso e diz que eles não morrerão e serão como deuses (cf. Gn 3, 4-5).
A luta contra Satanás e seus anjos, não vai ser através de ordens autoritárias ou shows televisivos, a luta passa em primeiro lugar no interior de cada um, quanto mais a humildade do Arcanjo triunfar em nós, uma só palavra bastará, um suspiro por amor a Deus, como diz Santa Teresa, bastará para vencer o inferno inteiro. Exemplo nesse mesmo sentido é a humildade de Maria Santíssima, não é a toa que ela é tão temida pelo demônio.
Por isso, rezemos para que São Miguel nos defenda de todo mal e sigamos seu itinerário de fidelidade a Deus.
A novena de São Miguel Arcanjo começa dia 20 de setembro.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

História das Constituições do IMSJS


Cronologia básica da formação das Constituições.

1993-1994 - Pe Gilberto começa a escrever a Constituição da Fraternidade Javé Salvador, com o intuito de formar uma organização geral que abarcasse tanto os leigos quanto os clérigos sob um governo único e sob um carisma único.

1995 - A constituição primeira é reorganizada, permanecendo o mesmo texto, porém articulado em artigos.

1997 - Com a formação do Instituto Missionário Servos de Javé Salvador, e o discernimento de que seria vivida a vida religiosa, buscou-se formar uma Constituição específica para o IMSJS. Pe. Gilberto confiou na época a um Irmão, reconhecida como a Constituição de 1998.

1999 - Dom Fernando, bispo Diocesano de Santo Amaro, que acompanha a fundação do IMSJS, solicitou a adequação das Constituições ao Direito Canônico.

2000 - Depois de muitas interrogações e adequações, seminaristas foram encarregados de adequar parte por parte da Constituição de acordo com o Direito Canônico.

2001 - Por fim foi apresentado um trabalho final ao Pe. Gilberto que se tornou o Ante-projeto de Constituição.

2002 - Esse Ante-Projeto  foi adequado pelo I Capítulo Geral em fevereiro de 2002, sob a presidência do nosso Pai Fundador Pe Gilberto Maria Defina, sjs, e se tornou um Projeto de Constituição.

2008 - Após ser apresentado a um Canonista, Pe Domingos Andrés, foi adequado e aprovado pelo II Capítulo Geral. As Constituições do Instituto Missionário Servos de Jesus Salvador. Também se adéqua o nome para Jesus Salvador, de acordo com o pedido da Santa Sé.

2011 - Agora o Projeto das Constituições do IMSJS está no processo para a aprovação do Instituto Religioso.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Oração pela Paróquia - Pe Gilberto Maria Defina, sjs


Oração pela Paróquia
Pai nosso...
Abençoai, Senhor, esta paróquia de Santa Cruz de Parelheiros, que é a nossa família, a comunidade a que pertencemos, na qual todos reunidos em redor de nosso Pároco, como membros do Corpo Místico de Cristo, fazemos subir nossa oração até o céu.
Chamai, Senhor, para o vosso redil, as almas transviadas, socorrei os pobres, dai alívio aos enfermos, libertai os nossos entes queridos que se purificam no purgatório.
Fazei que vivamos todos a grande verdade de que todos somos irmãos, pertencendo a uma só família da qual sois o Chefe, a Cabeça.
Que à sombra da nossa querida Paróquia, amando-nos e perdoando-nos mutuamente, permaneçamos sempre unidos até o dia em que o Anjo da Paz transplante nossa alma para a Eterna Bem-aventurança do Céu. Amém.
(Pe. Gilberto Maria Defina, sjs)

sábado, 30 de abril de 2011

“Pobreza como Louvor de Deus”


“Pobreza como Louvor de Deus”

“...não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário” (Pr 30, 8)


            Jesus se fez pobre, esvaziou-se (Fp 2, 7), e com isso, pela sua própria carne e em seus atos louvou a Deus. A pobreza nos faz buscar a insondável riqueza de Cristo (Ef 3, 8).
            O que Deus quer de cada um de nós não é uma pobreza negativa, uma pobreza que nos priva do necessário para viver, essa pobreza não é vontade de Deus. Essa pobreza não louva a Deus. A vontade de Deus é que haja uma pobreza positiva, que como a frase acima, tenhamos o pão, aquilo que é necessário para vivermos e assim buscar o Único necessário, que é o próprio Deus (cf. Lc 10, 42).
            A pobreza não é somente naquilo que se refere a dinheiro, mas também tudo aquilo que buscamos como recompensa, é buscar a glória própria, a fama, tudo aquilo que de um modo ou de outro seria querer a atenção de outro, dominar através da aparência. A ostentação é um mal, e nunca um coração que queira atrair a atenção de outro por bens materiais pode ser um coração que louva, pois suas obras brotam de uma intenção de atrair a atenção para si e não para Deus.
            O coração pobre, os pobres em espírito (cf. Mt 5, 3), são aqueles que no seu espírito vivem a pobreza, e sua única riqueza é o Reino de Deus.
            Um exemplo é:
“Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc 17, 10).
            A palavra inútil, é achreios, do grego que significa aquilo que é inútil, ou que não satisfaz nenhuma necessidade humana.
            Interessante que a única menção dessa palavra na tradução grega do Antigo Testamento (LXX), é:
“Ainda mais desprezível me farei e me humilharei aos meus olhos; quanto às servas, de quem falaste, delas serei honrado” (2 Sm 6, 22).
            Traduzindo o se humilhar (hebr. Shaphal), é por achereios, Davi dança sem parar perante a arca louvando o Senhor. Micol sua esposa o despreza, dizendo que ele fez um papel ridículo perante os servos, e Davi responde que ele pode ser um achereios, um inútil, mas sua vida louva a Deus, e ele colocará sua força nisso.
            Mas, como escolher? Como tomar decisões que sejam pobres? Afinal, hoje vivemos num mundo cuja tecnologia nos propicia coisas, e muitas coisas a preço extremamente barato. O que é ser pobre num mundo, no qual um telefone celular dispõe comunicação automática, a um preço pequeno, comparado a dez anos atrás isso era impossível. O que é ser pobre?
            A pobreza deve estar ligada a obra de amor que louva a Deus. Esse é o fato concreto, tudo o que é ostentação, seja na beleza, ou também na falsa humildade, é ir contra a pobreza.
            Por exemplo, um missionário na África vive sua pobreza, e ele deve dispor dos meios necessários para sua sobrevivência e para bem exercer sua missão, seja que meios forem. Se há a possibilidade de que ele tenha um jipe, repito se há, e até disponham para este missionário, por exemplo através de benfeitores, uma Land Rover, que pode chegar a custar até R$ 132.000,00, se há um benfeitor que faça isso, isso não vai contra a pobreza, pois esse automóvel servirá para auxiliar pessoas, em todas as suas dimensões,  agora uma pessoa em São Paulo, um missionário que cria necessidade para ter um automóvel desse é ostentação.
            Outro exemplo, será que se vive pobreza não cuidando da saúde, dando tudo aos pobres, cuidando deles e não cuidando da própria saúde, isso vai contra a pobreza, é o que se chama pobreza negativa e nesse caso uma pobreza burra, pois se não há força como cuidar de outros. Um São Pedro Canísio que reenvagelizou a Alemanha, comia por três, mas trabalhava e andava por um número muito maior que três.
            Então, a pobreza deve ser avaliada pelo Louvor que ela prestará a Deus, pesando todas as dimensões da vida humana, a física, psíquica e religiosa. Nessa escolha:
- deve-se evitar tudo o que seria ostentação, e ver a utilidade do bem na missão, seja que missão for, inclusive do leigo no mundo;
- ter sempre a frente uma hierarquia de prioridades, e pedir a luz do Espírito Santo, para hierarquizar segundo a pobreza e a utilidade da missão;
- nunca criar necessidades, para justificar a posse de bens;
- em tudo pedir conselhos, buscar a obediência, para orientar-se nas escolhas.
             A pobreza deve ser Louvor de Deus, seja na conversão de pessoas na missão ad gentes ou seja no cuidado dos pobres, e não na ostentação ou numa falsa humildade que também seria ostentação. Afinal, a pobreza deve viver o princípio básico, “A verdade vos libertará” (Jo 8, 32).

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Castidade como Louvor de Deus


Castidade como Louvor de Deus


Considerando que a nossa vida deve ser um Louvor de Deus, é “conditio sine qua non” que esta vida louve a Deus através de pensamentos e atitudes castas, como no dizer do Catecismo da Igreja Católica: “A castidade significa a integração da sexualidade na pessoa. Inclui a aprendizagem do domínio pessoal”  (n. 2395). Então para que haja um Louvor de Deus casto, a pessoa em seus atos deve viver sua doação total de forma integra (n. 2337), mas o que significa isso? O ser humano quando ama deve se doar totalmente e não ter o mínimo interesse instrumentalizante do outro, obviamente dentro da vocação a qual foi chamado seja no celibato ou no casamento. Por isso, quando amamos alguém o nosso olhar, gestos, fala, deve estar despojado de qualquer intenção de tornar o outro apenas um fator de satisfação de meus instintos egoístas. Mas há imaturidades em nós na área da castidade, então o que fazer? O princípio é entender nossos apegos, os rompimentos feitos na vida e que deixaram carências, a consciência cada vez maior dessas carências nos vai dar o autodomínio que fala o Catecismo. Autodomínio não nasce de uma mentalidade sado-masoquísta ou de negação do corpo, mas do autoconhecimento como diz Santa Teresa de Jesus em seus escritos. O conhecimento da nossa educação afetivo-sexual, principalmente    a nível simbólico, conhecer como a criança que há em nós foi educada nos vai dando a segurança necessária. Quanto mais conhecemos nossa insegurança afetiva, sempre na graça de Deus, vamos nos tornando seguros para verdadeiramente nos doar aos outros. Alguém poderia levantar o problema, se eu for esperar a resolução de meus problemas quando poderei ter um relacionamento sadio? A perfeição só na ressurreição final de nosso corpo. Por isso, é necessário a cada relacionamento, com cada pessoa, ir conhecendo nossas opções e intenções, essa é a vigilância tanto propalada nos Evangelhos. Porque o ser humano, não pode viver sozinho, e a amizade faz parte do crescimento de uma castidade verdadeira, como traz o Catecismo: “A virtude da castidade desabrocha na amizade. Mostra ao discípulo como seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos, se doou totalmente a nós e nos faz Participar de sua condição divina. A castidade é promessa de imortalidade. A castidade se expressa principalmente na amizade ao próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a amizade representa um grande bem para todos e conduz à comunhão espiritual” (n. 2347). Os Padres da Igreja já alertavam que uma castidade que endurecesse o coração não seria uma castidade do Reino dos Céus, a castidade deve nos dispor e ensinar a ter amizades verdadeiras, com doação verdadeira. Por outro lado, não podemos ter atitudes de tornar o outro um instrumento em nossas mãos. Jesus pelas suas atitudes demonstra ser uma pessoa que tem amizades verdadeiras e que acolhe a demonstração afetiva das outras pessoas. Como no caso da pecadora na casa de Simão, o fariseu: “E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento” (Lc 7, 37-38). [1] Jesus elogia a atitude da mulher, que orienta exclusivamente pelo arrependimento, como demonstração deste e de seu amor, externaliza-o afetivamente. A castidade é efetiva, porque se externaliza por atos de doação e é afetiva, porque é através do afeto que sua doação se realiza. Jesus acolhe a atitude afetiva dessa pecadora e em público, não se restringe pelo medo, Jesus não se importa com o fariseu, muito pelo contrário, Jesus cobra do fariseu sua frieza no acolhimento. Também por ter uma atitude totalmente unificada Jesus não tem porque se esconder dos olhos humanos. E por fim sentencia “Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama” (Lc 7, 47) a demonstração do amor da pecadora expressa o seu total arrependimento. Concluindo o coração da pecadora se unifica ao ir afetivamente ao encontro de Jesus que perdoa, e este tem um coração uno o bastante para acolhê-la. Qual seria nossa atitude, tanto no lugar de Jesus ou da pecadora? Outros exemplos de demonstração afetiva pode ilustrar a castidade como louvor de Deus. O acolhimento do Pai ao filho que se extraviou não é formal, mas se expressa assim: “E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou” (Lc 15, 20). Jesus também acolhe e abraça crianças, novamente sua atitude é casta, pública e acolhedora, e repreende quem o impede de acolher as crianças:
“Depois disso, algumas pessoas levaram as suas crianças a Jesus para que ele as abençoasse, mas os discípulos repreenderam aquelas pessoas. 14 Quando viu isso, Jesus não gostou e disse:
— Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o * Reino de Deus é das pessoas que são como estas crianças. 15 Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele. 53
16 Então Jesus abraçou as crianças e as abençoou, pondo as mãos sobre elas.”[2]
Jesus novamente acolhe, abençoa e impõem as mãos sobre as crianças, e repreende aqueles que impedem as crianças de irem até ele. Novamente, seus atos são públicos, castos e são bênção para quem vem até Ele, é uma atitude unificada e unificante. E nos convida a sermos como crianças, porque delas é o Reino dos Céus.
Por outro lado, também, Jesus condena a afetividade dúbia de Judas Iscariotes, que com o coração dividido pela ganância e pela traição, utiliza-se de um ato de amor, como o beijo, para entregar Jesus (cf. Lc 22, 48). Por fim, com toda a interpretação teológica que possa ser feita, o contexto é a pergunta sobre quem é o traidor, o fato afetivo é muito bem esclarecido no contexto da ceia, a qual se celebrava reclinado:
Ora, z um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus.
24 Então, Simão Pedro fez sinal a este, para que perguntasse quem era aquele de quem ele falava.
25 E, inclinando-se ele sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é?
Cada um pode ter uma visão de castidade, mas Jesus é o modelo perfeito em tornar nossos atos castos que louvam a Deus, construindo verdadeiras amizades, porque a única intenção que temos é a doação que Ele mesmo fez (cf. Jo 13, 31). Esses atos se tornam louvor de Deus, porque aproximam o ser humano de outros seres humanos e de Deus, são atos verdadeiramente castos e por conseqüência verdadeiramente amorosos.


[1]Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Atualizada - Com Números De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil, 2003; 2005, S. Lc 7:39


[2]Sociedade Bíblica do Brasil: Nova Tradução Na Linguagem De Hoje. Sociedade Bíblica do Brasil, 2000; 2005, S. Mc 10:16

[3]Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil, 1995; 2005, S. Jo 13:25

domingo, 13 de fevereiro de 2011

“Louvor de Deus: Santificação pessoal e comunitária”


“Louvor de Deus: Santificação pessoal e comunitária” (Const. n. 5)

            Padre Gilberto quando escreveu seus primeiros escritos, que a vivência do Louvor de Deus, primeiramente na Liturgia, deveria ter por conseqüência obrigatória a santidade pessoal e comunitária. Repare-se, que é santificação a partir da pessoa, que já traz a dimensão de relação, portanto comunitária. Não existe, na dimensão cristã, santidade individual.
            A Igreja é comunhão, e por ser comunhão a comunidade concreta deve viver essa comunhão, pois a essência cristã é amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo (cf. Lc 10, 25-28), é um mesmo amor, do amor que brota da fonte que é Deus tem por objetivo o próximo, e no amor ao próximo aprendemos a amar a Deus a quem não vemos (cf. 1 Jo 4, 20).
            Portanto, seja na vida religiosa ou fora dela, o amor é o maior louvor de Deus como já transcorremos em outra publicação. Como diz o documento “Vida Fraterna em Comunidade” da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, citando o papa João Paulo II: «Toda a fecundidade da vida religiosa depende da qualidade da vida fraterna em comum. Mais ainda, a renovação atual na Igreja e na vida religiosa é caracterizada por uma procura de comunhão e de comunidade». Portanto, sem vida fraterna de qualidade não existe vida religiosa, em nossas comunidades paroquiais o mesmo raciocínio, se não há preparação e educação das pessoas para o amor verdadeiramente cristão em comunidade não existirá paróquia, e não existindo amor vivido e aprendido em comunidade na graça de Deus, não existirá nunca Louvor de Deus.
Um conceito de amor: O amor como Entrega consiste em primeiro lugar em ver, em estar atento à realidade do outro. Depois se mover de compaixão, todo o nosso ser estar voltado para auxiliar o outro em sua real necessidade, doar a nossa vida, tempo e qualidades para satisfazer as verdadeiras necessidades do próximo, para que o necessitado tenha vida e possa tornar-se assim um ser humano livre. É preciso estar sempre à disposição, estar presente a cada instante na vida do necessitado. Mas nesse processo estar conscientes do sofrimento que isso gera e assumir tal sofrimento na Cruz do Senhor Jesus Cristo. A Entrega gera vínculos que perduram pela eternidade, uma aliança eterna em Cristo que satisfaz o coração humano. Esse amor-entrega, que procura fazer o bem (cf. At 10, 38), é graça de Deus e é o fundamento da motivação humana, isto é, do mover do coração humano (cf. Lc 10, 33).
Também, num contexto de vida em comunidade surge a figura do dominador: a dominação surge no coração do ser humano que, não aprendendo amar e ser amado, não aceita a sua condição de necessitado e encastela-se. O dominador procura subordinar o outro, absorvê-lo, numa busca de uma falsa união através da hipocrisia. Essa dominação, que pode se transvestir de amor, caracteriza-se principalmente em instrumentalizar o outro na falsa tentativa de satisfazer as próprias necessidades. Tudo isso gera nas relações humanas desconfiança e por fim separação.
Diante da necessidade da vida em comunidade, porque nela se aprende a amar, e a verdadeiramente saber se somos santos, como diz Santa Teresa de Jesus: “A pessoa que sempre está em isolamento, por mais santa que possa considerar-se, não sabe se é paciente ou humilde, nem tem meios de sabê-lo? Como saber se um homem é valente se nunca o virmos em batalha? (...) E considero maior graça de Deus um dia de humilde autoconhecimento, mesmo à custa de muitos sofrimentos e aflições, que muitos dias de oração (...) E acreditai-me: o que beneficia a alma não é um longo tempo de oração, já que, quando empregamos bem o tempo em obras, isso muito nos ajuda a, em breve, conseguir uma disposição para acender o amor muito superior à alcançada em muitas horas de consideração. Tudo vem das mãos de Deus. Bendito seja Ele para sempre” (Fundações, 6, 15-17).
É na vida em comunidade que deixamos de ser dominadores e instrumentalizadores das pessoas e passamos a um amor de entrega como o amor de Jesus, “Amai-vos uns aos outros como eu Vos amei” (Jo 13, 31), amor de cruz.
Por isso, é muito interessante ver alguns tipos, tipos ideais de vivência em comunidade para ilustrar a dominação e podermos chegar ao amor perfeito, como está no salmo 18 a natureza fala da voz de Deus:

- o Chupim – o animal que se aproveita do ninho do tico-tico para botar seus ovos e este último criar seus filhos, é muito interessante ver um pássaro preto, o dobro do tamanho daquele que o cria, suplicando comida. Em vida em comunidade surge a figura do esperto, daquele que se esgueirando procura todas as oportunidades possíveis para colocar as pessoas a seu serviço. O importante, como numa propaganda antiga, é levar vantagem em tudo, é não fazer nada e colocar os outros a trabalhar para si.

- o Morcego – o animal famoso, tantas vezes retratado como vampiro, ao atacar outros animais anestesia com sua saliva para o seu dominado não perceber que está sendo sugado. É a figura utilizada para figurar o psicopata ou sociopata social, é a figura nefasta em vida em comunidade, frio e calculista, procura manipular tudo a seu favor, procura não como o Chupim, obter vantagens, instrumentaliza os outros, inclusive em sua afetividade para seu bel prazer. O Anestésico pode ser desde dinheiro até favores pessoais, iludindo seu dominado como se fosse amor, mas é pura utilização, e quando satisfeito na sua fome de sangue, joga fora o outro como um copo plástico descartável.

- o Predador – seja um leopardo ou um tigre, a técnica de afastar sua vítima do rebanho para dominá-la e devorá-la está presente nesse tipo, ele quer utilizar-se do outro, mas para não ficar evidente isso diante dos outros, afasta o seu dominado da vida em comum e suga sua vida, é aquela pessoa que a frente de uma comunidade não cria comunidade, mas prende as pessoas a si mesma. E para que isso não fique evidente, utiliza-se da técnica do Império Romano, divide para governar.

- o Cachorrinho de estimação – o cachorrinho que é dócil, balança o rabo para todos que adentram ao lar, que aceita qualquer tipo de atitude, e se joga ao chão para se defender, é a figura daquela pessoa que em vida de comunidade diz sim para tudo, tudo aceita, tudo é fonte de santidade, não tem personalidade nenhuma, não existe limites, tudo é permitido. É o dominado perfeito, essa pessoa é tão perigosa quanto o morcego, pois ao assumir um cargo se torna um predador perfeito.

- o Tubarão – o totalitarista, aquele que domina os oceanos e não tem outro perigo a enfrentar, é o sonho de um Hitler, o poder total, a submissão total de todos, ele não é um rei, é nem somente um dominador, é aquele que despersonalisa as pessoas, quer fantoches e obediência cega, surda e muda.

- o Quero-quero – ave que vive em conjunto, e que ao menor problema grita, grita sem parar, tipo ideal daqueles que vivem em comunidade, mas tudo é problema, o eterno adolescente que a única coisa que sabe é reclamar e querer, pedir e solicitar, sua vida é marcada pelo pedir, seu sonho de consumo é tudo, a vida vazia se resume nisto. O reinvidicador, mas que não olha a justiça, é o desequilíbrio do cachorrinho, para esta ave nada, abslutamente nada está bom, como no dizer de Jesus: “Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:
Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes” (Mt 11, 16-17).

- o bicho preguiça – é aquele que vive o seu mundo e somente seu mundo, nada o incomoda, atrasa com a maior tranqüilidade, mas nada é problema para uma pessoa que vive o seu mundinho, o importante é dormir e o restante outras pessoas cuidarão, para esse bicho, totalmente otimista, tudo dará certo, “para que trabalhar, se tudo acabará”, nada é incomodo, só que pessoas assim se tornam peso para os outros.

- a hiena – animal que come carniça, mas seu som é muito caracterizado como uma gargalhada, o importante é sorrir, o sorriso resolve tudo, não importa o que aconteça, não importa os problema, o importante é levar tudo na brincadeira, se alguém está doente, não há problema, amanhará ela ficará boa, mas não faz nada para melhorar, pois vive de carniça e seu sorriso, muitas vezes irônico ou infantil, resolve todos os problemas, se há uma grande desavença, no outro dia se sorri como se nada tivesse acontecido, como um bom bipolar.

- a raposa – vive do roubo e da rapina, sorrateiro, ninguém percebe, como em vida em comunidade essa pessoa rouba, mata e destrói, mas na maior classe, tem uma aparência de honestidade e de santidade que é invejável, e se é preciso mentir, mente para manter sua imagem de boa pessoa, enquanto nos bastidores vai rapinando os ovos das galinhas.

- o urubu – O papa João XXIII, no seu discurso de abertura do Concílio Vaticano II, atacou os chamados “profetas das trevas”, como o urubu essas pessoas vêem o mal em tudo, vivem da morte e da carniça de outras pessoas, diferente da hiena, que ri, o urubu é soturno, semeia um pessimismo sem fim, e fica feliz quando tudo dá errado.

Depois desse zoológico, qual seria o animal que poderia ser o ícone da vivência em comunidade? O próprio Jesus nos dá esse exemplo:

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mt 23, 37)

            Claro que poderíamos ver as virtudes nos animais acima, a coragem do leopardo, a simpatia de um cachorro de estimação, etc. Mas Jesus, toma a galinha, animal doméstico, que busca reunir, busca ser mãe daqueles que lhe foram confiados, dando-lhes vida. Como São Francisco de Assis, que exortava seus irmãos a serem pai e mãe uns dos outros. A galinha quer não somente um pintinho, quer que todos se reúnam, quer protegê-los. Mas não é um animal letárgico, quando vê sua cria atacava, incha-se e vai ao ataque. Por outro lado, não quer que seus filhos fiquem sempre pequenos, no processo do seu crescimento os ensina a comer e a procurar comida, pelo seu exemplo em primeiro lugar. Jesus chora sobre Jerusalém desunida ao dizer isso, seu sonho, que deve ser o nosso, é que “todos sejam um” (cf. Jo 17, 21).

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Louvor É de Deus


“O louvor de Deus: O Louvor É de Deus, o Louvor é propriedade d’Ele”



      O louvor de Deus é vida que proclama que Deus é Santo. Nessa perspectiva, os nossos atos devem ser considerados como resultado da graça de Deus como obras da Graça de Deus, e não, como no dizer de São Paulo, obras da lei, aquelas que brotariam do nosso orgulho em querer fazer algo pelas próprias forças: visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem...” (Cf. Rm 3, 20-22). Mas tudo o que há de bom em nós e que fazemos é resultado da ação de Deus em nós, como diz o mesmo Apóstolo: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2, 13).
O que nos resta é o que a Igreja denomina “mérito”, que advém da graça, como traz o Catecismo da Igreja Católica: “Diante de Deus, em sentido estritamente jurídico, não há mérito da parte do homem. Entre Ele e nós a diferença é infinita, pois dele tudo recebemos, dele, que é nosso criador. O mérito do homem diante de Deus, na vida cristã, provém do fato de que Deus livremente determinou associar o homem à obra de sua graça. A ação paternal de Deus vem em primeiro lugar por seu impulso, e o livre agir do homem, em segundo lugar, colaborando com Ele, de sorte que os méritos das boas obras devem ser atribuídos à graça de Deus, primeiramente, e só em segundo lugar ao fiel. O próprio mérito do homem cabe, aliás, a Deus pois suas boas ações procedem, em Cristo, das inspirações do auxilio do Espírito Santo” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2007-2008).
Entretanto, qual é a razão do Louvor de Deus para o ser humano? Como traz o prefácio comum IV, chamado de “o Louvor, dom de Deus”, os nossos louvores não são necessários a Deus, mas é Ele que nos concede o dom, a graça de o louvar. E ainda mais, ao louvarmos a Deus sempre devemos nos lembrar que esses louvores “nada acrescentam ao que sois, mas nos aproximam de vós, por Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso”.
Por isso, os exemplos que nos dão a Sagrada Escritura, daqueles que foram mais próximos de Deus, são aqueles que deixam a graça de Deus agir e com sua própria vida apontam para Deus. Moisés “era um homem humilde, o mais humilde do mundo” (Nm 12, 3), mas é esse Moisés que fala com Deus face a face (cf. Dt 34, 10). Como Maria, que foi a Mãe do Senhor, proclama o louvor de Deus e considera-se a Serva do Senhor (cf. Lc 1, 38.43.47ss). Dentre muitos outros exemplos, como João Batista, cuja frase deve ser como um lema daquele que quer viver o carisma do Louvor de Deus; São João Batista diz com relação a Jesus: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30). Interessante que o verbo “crescer” (aucsanein), no grego, está no infinitivo presente ativo, enquanto, o verbo “diminuir” (elattousthai) está no infinitivo presente passivo, isto é, enquanto Jesus deve crescer, cada um deve ser diminuido, deve se submeter a Deus e que o Senhor se encarregue de nos colocar em nosso lugar.  
Nessa perspectiva, em tudo é o Senhor que deve tomar a frente, em nossa vida tudo, e ainda mais no centro do louvor que é a Liturgia Sagrada, deve ser banido tudo o que é, na linguagem do Papa Bento XVI, protagonismo: “Contradiz a identidade sacerdotal toda a tentativa de se colocarem a si mesmos como protagonistas da acção litúrgica. Aqui, mais do que nunca, o sacerdote é servo e deve continuamente empenhar-se por ser sinal que, como dócil instrumento nas mãos de Cristo, aponta para Ele. Isto exprime-se de modo particular na humildade com que o sacerdote conduz a acção litúrgica, obedecendo ao rito, aderindo ao mesmo com o coração e a mente, evitando tudo o que possa dar a sensação de um seu inoportuno protagonismo. Recomendo, pois, ao clero que não cesse de aprofundar a consciência do seu ministério eucarístico como um serviço humilde a Cristo e à sua Igreja” (Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, N. 24). Isso deve ser aplicável não somente aos sacerdotes ministeriais, nenhuma pessoa deve se antepor a Deus, seja na celebração eucarística ou fora dela, tudo o que recebemos como reconhecimento das pessoas deve ter por referencial único a Deus, e para evitar qualquer tipo de falsa humildade, o mérito virá com certeza, mas é Deus quem vai dispor como esse mérito virá, e quando ele virá, mais uma vez nós cristão, louvaremos a Deus, que nos usou como instrumentos, e mais uma vez, louvando os méritos nossos e dos outros, estaremos louvando o Senhor nosso Deus.
Enfim, o Louvor É de Deus, e somente D’Ele, e que Ele nos ensine a ter a visão correta e equilibrada de Louvor de Deus, Mérito e Graça, para que assim, nunca busquemos qualquer tipo de recompensa, não como os hipócritas que rezavam nas esquinas das praças para aparecer, tendo o reconhecimento dos seres humanos eles já receberam a própria recompensa (misthov) no grego como um pagamento de algo feito, senão aquela recompensa que o Senhor nos dará, (apodósei) o próprio Senhor, a sua entrega (cf. Mt 6, 5-6), e afinal de contas, a Única recompensa que podemos querer é o próprio Senhor, como era dito aos levitas: “Pelo que não terão herança no meio de seus irmãos; o Senhor é a sua herança” (cf. Dt 18, 2). O nosso trabalho, a razão do nosso viver é:

“Vere dignum et iustum est, aequum et salutare, nos tibi
semper et ubique gratias agere: Domine, sancte Pater,
omnipotens aeterne Deus” (PREFATIO DE NATIVITATE DOMINI)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sacerdotes Santos e Sábios

“SACERDOTES SANTOS E SÁBIOS”

“De meus filhos, não desejo doutores, no sentido puramente intelectual. Mais do que isto, desejo sacerdotes e religiosos santos e sábios. Somente assim teremos verdadeiros pastores, capazes de reconduzir de volta ao aprisco do Senhor as ovelhas desgarradas do seu rebanho. A palavra do Senhor diz que Ele mesmo cuidaria das suas ovelhas por causa dos pastores infiéis. Deixem-se guiar pelo Espírito Santo de Deus e sejam pastores segundo o Coração de Jesus. É isto que nosso Senhor deseja de nós e foi pensando nisto que Ele permitiu esta Obra”. (Const. 1998, 20).

Pe. Gilberto teve um itinerário formativo muito interessante e muito vasto, filosofia, teologia, letras, sendo que o seu trabalho sobre Guimarães Rosa foi até publicado. Nos anexos das Constituições ele alinhavou todo o curso de filosofia e teologia, e seu sonho sempre foi um Estudantado próprio, porque para o nosso fundador muitas vezes não se ensinava nas cátedras de teologia e filosofia aquilo que era o “Depositum Fidei”. Pela razão primeira de que nós salvistas professamos um quarto voto de “fidelidade ao Santo Padre o Papa, mesmo em seu magistério normal e comum” (Projeto de Constituição, n. 20). Para professar um voto de que devemos ser fieis a um “Depositum Fidei”. Por isso devemos sempre nos perguntar: como ser fiel se não o conhecemos em profundidade? E lembrando que hoje, pela primeira vez na História, é um dos maiores Teólogos do mundo está na Cátedra de Pedro.
Mas padre Gilberto frisa bem, não quer doutores, no sentido puramente intelectual, isto é, o saber, somente pelo saber. Um saber frio, uma ciência que incha no dizer de São Paulo (cf. 1 Cor 8, 1), que só serve para a pessoa aparecer, num orgulho sem fim. Na mesma passagem, o Apóstolo vai dizer que só o amor edifica. Bem como, na 1 Cor 13, 8, proclama que a ciência desaparecerá. Bem como todos os outros dons carismáticos, somente o amor permanecerá.
Mas então o que seria sacerdotes santos e sábios, qual seria o papel da formação intelectual, como quer a Igreja, conforme a “Pastores Dabo Vobis”.

“Moisés chamou a Bezalel, e a Aoliabe, e a todo homem hábil em cujo coração o Senhor tinha posto sabedoria, (em heb. RACAM, traduzido pelo grego por sofian) isto é, a todo homem cujo coração o impeliu a se chegar à obra para fazê-la”.[1]

Para fazer os utensílios da Tenda da Reunião, Moisés chama aqueles, cujo coração Deus colocou sabedoria, um coração sábio, se percebe que o conceito de sabedoria (racam) está ligado a fazer uma obra, a poder fazer aquilo que é vontade de Deus. Mas, não é um fazer qualquer, sabedoria é fazer a partir do coração, mas um coração cheio de sabedoria, um coração formado pelo Senhor, a partir desse coração aí sim se conseguirá fazer obras que agradem verdadeiramente ao Senhor, como tantas vezes já meditamos sobre o Louvor de Deus.
Mas o coração insensato é o coração entregue a si mesmo, um coração fechado ao Senhor, um coração vazio.
Nessa perspectiva o estudo filosófico que intenta fazer-nos conhecer o patrimônio do pensamento humano, e a ciência da fé, a Teologia, entram para formar o coração humano para fazer obras que louvem a Deus. Mas a sabedoria é uma conquista que depende do esforço humano, não se pode pretender a santidade de um coração entregue a si mesmo, um coração fechado para o conhecimento da Palavra de Deus, pois se Deus quis utilizar-se de escritores humanos, e o Espírito falou através deles, também hoje, a Palavra contida na Bíblia e na Tradição, interpretada pela Igreja e em Igreja, só pode ser entendida e transformar o coração humano se o mesmo ser humano, com a ajuda da graça de Deus deixar-se formar por Deus.
Deus faça que sejamos fieis ao Pe. Gilberto, e a seu exemplo amemos o que a Igreja nos ensina e não encarar Teologia e Filosofia somente como uma etapa estafante para chegar ao sacerdócio, não podemos ser tarefeiros, “faço porque me mandam”, mas conforme o Direito Canônico:

“Cân. 252 § 1. A formação teológica, sob a luz da fé e a orientação do magistério, seja dada de tal modo que os alunos conheçam toda a doutrina católica, fundamentada na Revelação divina, dela façam alimento de sua vida espiritual e possam anunciá-la e defendê-la devidamente no exercício do ministério”.
“Cân. 251 A formação filosófica, que deve estar baseada num patrimônio filosófico perenemente válido e também levar em conta a investigação filosófica no progresso do tempo, seja ministrada de tal modo que complete a formação humana dos alunos, lhes aguce a mente e os torne mais aptos para fazerem os estudos teológicos”.

Como o citado cân. diz o conhecimento da doutrina católica, fundamentada na Tradição, deve ser alimento da vida espiritual, nada mais do que falamos acima sobre sabedoria, deve alimentar o coração de tal modo que as decisões que daí brotam possam fazer o ser humano crescer em direção a Deus e isto é santidade.

E finalmente, num mundo em que a mentira grassa, em que a frase de Joseph Goebbels, principal agente da propaganda Nazista, Minta, e minta muito e sempre, que a mentira se transformará em realidade”, num Brasil em que governantes sorridentes, que sustentam o povo com esmolas e não privilegiam em nada o estudo, muito pelo contrário gabam-se de não estudar, diante da corrupção mentem e ensinam o povo a mentir, nós cristãos, principalmente sacerdotes devemos ter a frente a Palavra de Deus e pregá-la, oportuna e inoportunamente (cf. 2ª Tm 4, 2), ser verdadeiros profetas, e sempre e somente a verdade que liberte o nosso povo (Jo 8, 32). Do contrário, a nós que temos um fundador que expressou que quer sacerdotes santos, isto é que vivam a Palavra de Deus, e sábios, porque essa Palavra transforma o seu coração, vamos ter que arcar com a advertência de Oséias:

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”. (Os 4, 6)

Por isso peçamos a Deus que em nosso coração seja impressa uma passagem bíblica que nosso Pai Fundador tanto apreciava:
 “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos” (Ml 2, 7).


[1]Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Atualizada - Com Números De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil, 2003; 2005, S. Êx 36:2