segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A obediência como Louvor de Deus

“Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros” (1 Sm 15, 22).

A obediência como Louvor de Deus

            O ser humano busca estar unido a Deus, pois vê em Deus a fonte de sua própria vida. Por isso, os sacrifícios foram usados em todos os povos como um meio para se unir a Deus para ter vida e vida em abundância (cf. Jo 10, 10).
            Porém, diante da desobediência de Saul, aquele que foi escolhido para estar a frente do povo, o profeta Samuel proclama que mais do que holocaustos e sacrifícios, o que Deus quer é a obediência.
            Na Bíblia Hebraica, a palavra para obediência é o verbo Shamá, que é literalmente ouvir. Obedecer é um ouvir ativo, isto é ouvir a Deus com a intenção plena de cumprir na própria vida a sua vontade. Não um ouvir qualquer, que a pessoa finge ouvir e quer manipular a Deus pelos sacrifícios. Como diz o profeta Isaías: “O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu” (Is 29, 13). Portanto, não adianta um louvor a Deus, cânticos maravilhosos e harmoniosos, que brotam de coração que não querem amar nem a Deus e nem ao próximo.
            A obediência tornar-se um verdadeiro “Louvor de Deus” no seguinte itinerário:
1. Ouço a Palavra de Deus no Espírito Santo com a disposição plena de praticar essa palavra;
2. Aceito a mediação que o Senhor utiliza para fazer essa Palavra chegar aos meus ouvidos, isto é, os Superiores e autoridades da minha vida, que apesar das próprias fragilidades esses homens e mulheres são instrumentos da Palavra de Deus;
3. Permito que essa Palavra modifique minha maneira de decidir, unindo a minha própria vontade à vontade de Deus;
4. Transformo em ações as decisões que brotam desse ouvir a Palavra de Deus.
5. Essas ações tornam-se então verdadeiramente um “Louvor de Deus”.
            Duas dimensões doentias da obediência e que não são louvor de Deus:
1. O eterno adolescente rebelde, não aceita qualquer tipo de autoridade e rebela-se sempre a qualquer tipo de exortação, permanecendo assim numa imaturidade plena, e por isso suas ações brotam de uma falsa autonomia orgulhosa e portanto tais ações não louvam a Deus, mas são expressões do orgulho humano;
2. A vaca de presépio, isto é, pessoa que concorda com tudo que os outros dizem, numa obediência infantil, confundindo a pessoa que ordena com o próprio Deus numa atitude idolátrica. Obedece o superior mesmo que ele mande contra a Palavra de Deus. Esse tipo de obediência infantilizante faz brotar ações que não louvam a Deus mas é uma forma conveniente de viver e sobreviver. Com esse tipo de obediência muitos oficiais nazistas justificaram que mataram e assassinaram porque estavam obedecendo seus superiores.
            Por isso, queremos pedir a Deus de obedecer para o “Louvor de Deus” e não para nós mesmos, como Jesus o fez: “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2, 8).