sábado, 16 de outubro de 2010

Espiritualidade Carismática

Espiritualidade Carismática
Catecismo da Igreja Católica nº 2003.
A graça é antes de tudo e principalmente o dom do Espírito que nos justifica e nos santifica. Mas a graça compreende igualmente os dons que o Espírito nos concede, para nos a associar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos outros e com o crescimento do corpo de Cristo, a Igreja. São as graças sacramentais dons próprios dos diferentes sacramentos. São, além disso, as graças especiais, chamadas também "carismas", segundo a palavra grega empregada por S. Paulo e que significa favor, dom gratuito, benefício. Seja qual for seu caráter, às vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas se ordenam à graça santificante e têm como meta o bem comum da Igreja. Acham-se a serviço da caridade, que edifica a Igreja.


O carisma do “Louvor de Deus”, como dizia nosso fundador Pe. Gilberto, tem em si a Espiritualidade Carismática, que segundo ele, é “colocar os dons carismáticos em prática”. O trecho do Catecismo acima ilustra bem essa relação. A graça que recebemos de Deus e transforma a nossa vida num Louvor a Ele, é a graça santificante, é o Dom do Espírito santo, que recebemos através das graças sacramentais. Além dessas, para unir cada vez mais nossa vida ao Senhor, utilizamos as graças especiais, os carismas, que são dons de Deus e sempre se ordenam a graça santificante. A meta é sempre a construção da Igreja, a salvação das almas, o crescimento do Corpo de Cristo. O critério máximo do discernimento dos carismas é este, se está em harmonia com a Igreja, com o Corpo de Cristo, se o faz crescer, e submissa à graça santificante, pode-se então afirmar a origem divina do carismas, sempre submetendo ao discernimento final dos Pastores da Igreja. Extraordinários, os carismas são vários. Num estudo da I Cor 12, podemos ver alguns carismas conforme abaixo:


12, 4 – 11 ; 12, 27 – 30
carisma
grego
conceito
observações
1.      Mensagem de sabedoria
Logos sófias
Discursos inspirados, expressivo do profundo conhecimento do mistério cristão, que o Espírito doa aos fiéis dóceis a sua iluminação

2.      Palavra de ciência 
Logos gnoseos
Idem

3.     
Pistis
Taumaturgica

4.      Dom das curas
Charismata imaton
Relacionada ao dom da fé

5.      Milagres
Energematia dynameon
Idem

6.      Profecia

Palavra capaz de chocar, de provocar arrependimento, de arrastar os ouvintes. 

Apelo à vontade do ouvinte, para responsabilizá-lo e , ao mesmo tempo, para sustentá-lo na dificuldades e nos momentos de crise
7.      Discernimento dos espíritos
Diakriseis pneumaton
Dom de desmascarar as falsas manifestações inspiradas, identificando-se aquilo que vêm do espírito bom ou mal.

8.      Falar em línguas
Gene glosson
Preferido pelos coríntios
Manifestação extática

9.      Interpretar
Hermenéia glosson


10. Assitência aos enfermos



11. Governo

São Paulo desconhece a separação entre carisma e instituição
Apostolado

Anúncio evangélico centrado em Cristo,
Origem a comunidades cristãs
1° lugar
Profetas


2º lugar
Doutores
didaskaloi
Ensinamento/catequese
3º lugar
Porventura são todos apóstolos ? v. 29

Capítulo 13  


-         Mais importante do que qualquer experiência carismática é a agápe (= amor), via real a ser percorrida em relação a todos os carismas.
-         O amor como realidade perfeita e eterna é contraposto às experiências carismáticas marcadas por limitação e caducidade.
-         Amor que é concreto.  (Igreja dividida, que perdeu o dom da fraternidade)
-         Amor dom divino por excelência dos últimos tempos, que muda radicalmente a condição existencial do fiel ao determinar a ação presente segundo a lógica do novo mundo que virá.  Pode-se falar também de força divina doada por graça, e que cria sujeitos de ação novos. (liturgia) Plena adesão a Cristo.



Conclusões

-         os carismas estão a serviço da construção da comunidade e o amor (como carisma) é catalizador dessa construção, como a liturgia constrói a Igreja (Ecclesia de Eucharistia) esse amor brota da liturgia e os outros carismas estão a serviço desse processo.
-         Apostolado, profecia e doutrinamento estão entre os primeiros carismas na medida em que eles estão a serviço da construção da comunidade., por isso a liturgia é o primeiro lugar do exercício do carisma.
-         amor de Deus vivido e vivenciado na liturgia deve tranbordar na vida do fiel,


Como podemos ver, há uma diversidade muito grande de carismas, somos convidados sempre a nos abrir para os carismas, quando e como o Senhor quer dar-nos para fazer a graça santificante crescer e construir a Igreja. Quanto mais assim agimos, abertos à Efusão do Espírito Santo, abertos à graça de Deus, abertos aos carismas, mais ajudamos o crescimento do Corpo.
Algumas indicações:
1. Nunca se deve desprezar os carismas alheios, sempre no discernimento como dito acima.
2. Os carismas se ordenam à graça, ao amor de Deus derramado em nossos Corações pelo Espírito que nos foi dado (Rm 5,5).
3. Pesquisar e estudar a diversidade e harmonia dos carismas, nunca se ater somente a alguns.
4. Como dizia Santo Agostinho, recebemos o Espírito Santo na medida da nossa fidelidade à Igreja.

Como unir os Carismas com a Liturgia? “A Instrução
Sobre as Orações para Alcançar de Deus a Cura” da Congregação da Doutrina da Fé pode ajudar nesse sentido:

Art. 1 - Todo o fiel pode elevar preces a Deus para alcançar a cura. Quando estas se fazem numa igreja ou noutro lugar sagrado, convém que seja um ministro ordenado a presidi-las.
Art. 2 - As orações de cura têm a qualificação de litúrgicas, quando inseridas nos livros litúrgicos aprovados pela autoridade competente da Igreja; caso contrário, são orações não litúrgicas.
Art. 3 - § 1. As orações de cura litúrgicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.(27)
§ 2. As Conferências Episcopais, em conformidade com quanto estabelecido nos Praenotanda, V, De aptationibus quae Conferentiae Episcoporum competunt(28) do mesmo Rituale Romanum, podem fazer as adaptações ao rito das bênçãos dos enfermos, que considerarem pastoralmente oportunas ou eventualmente necessárias, com prévia revisão da Sé Apostólica.
Art. 4 - § 1. O Bispo diocesano(29) tem o direito de emanar para a própria Igreja particular normas sobre as celebrações litúrgicas de cura, conforme o can. 838, § 4.
§ 2. Os que estão encarregados de preparar ditas celebrações litúrgicas, deverão ater-se a essas normas na realização das mesmas.
§ 3. A licença de realizar ditas celebrações tem de ser explícita, mesmo quando organizadas por Bispos ou Cardeais ou estes nelas participem. O Bispo diocesano tem o direito de negar tal licença a qualquer Bispo, sempre que houver uma razão justa e proporcionada.
Art. 5 - § 1. As orações de cura não litúrgicas realizam-se com modalidades diferentes das celebrações litúrgicas, tais como encontros de oração ou leitura da Palavra de Deus, salva sempre a vigilância do Ordinário do lugar, em conformidade com o can. 839, § 2.
§ 2. Evite-se cuidadosamente confundir estas orações livres não litúrgicas com as celebrações litúrgicas propriamente ditas.
§ 3. É necessário, além disso, que na sua execução não se chegue, sobretudo por parte de quem as orienta, a formas parecidas com o histerismo, a artificialidade, a teatralidade ou o sensacionalismo.
Art. 6 - O uso de instrumentos de comunicação social, nomeadamente a televisão, durante as orações de cura, tanto litúrgicas como não litúrgicas, é submetido à vigilância do Bispo diocesano, em conformidade com o estabelecido no can. 823 e com as normas emanadas pela Congregação para a Doutrina da Fé na Instrução de 30 de Março de 1992.(30)
Art. 7 - § 1. Mantendo-se em vigor quanto acima disposto no art. 3 e salvas as funções para os doentes previstas nos livros litúrgicos, não devem inserir-se orações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, na celebração da Santíssima Eucaristia, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.
§ 2. Durante as celebrações, a que se refere o art. 1, é permitido inserir na oração universal ou «dos fiéis» intenções especiais de oração pela cura dos doentes, quando esta for nelas prevista.
Art. 8 - § 1. O ministério do exorcismo deve ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com o can. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro de 1985(31) e com o Rituale Romanum.(32)
§ 2. As orações de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, devem manter-se distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas.
§ 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.
Art. 9 - Os que presidem às celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, esforcem-se por manter na assembleia um clima de serena devoção, e actuem com a devida prudência, quando se verificarem curas entre os presentes. Terminada a celebração, poderão recolher, com simplicidade e precisão, os eventuais testemunhos e submeterão o facto à autoridade eclesiástica competente.
Art. 10 - A intervenção da autoridade do Bispo diocesano é obrigatória e necessária, quando se verificarem abusos nas celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, em caso de evidente escândalo para a comunidade dos fiéis ou quando houver grave inobservância das normas litúrgicas e disciplinares.

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