segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ESPIRITUALIDADE CARISMÁTICA SALVISTA

INSTITUTO MISSIONÁRIO SERVOS DE JESUS SALVADOR

















ESPIRITUALIDADE CARISMÁTICA SALVISTA






























São Paulo – 2016
INSTITUTO MISSIONÁRIO SERVOS DE JESUS SALVADOR


Frater Ailton Carlos de Sousa Marcos, sjs
Frater Antonio José Batista Pereira, sjs
Frater Ismael Maria da Cruz da Silva Oliveira, sjs
Frater João Mario Machado Júnior, sjs
Frater João Pedro Gonzaga da Silva, sjs
Frater José Maria Leite Barbosa, sjs
Frater Luiz Francisco da Silva Monteiro, sjs
Frater Miguel da Misericórdia Oliveira, sjs
Frater Pedro da Cruz Rodrigues de Arruda, sjs
Frater Pio da Cruz Costa da Silva, sjs










ESPIRITUALIDADE CARISMÁTICA SALVISTA







Resultado de trabalhos expostos na Formação para o Juniorado e Seniorado Monografia no “Seminário Nossa Senhora de Pentecostes” sob orientação do Pe. Micael de Moraes,sjs.













São Paulo – 2016



ÍNDICE

INTRODUÇÃO..............................................................................................................04
Capítulo 1 - ESPIRITUALIDADE CARISMÁTICA NA SAGRADA ESCRITURA E NA VIDA DA IGREJA.................................................................................................05
Capítulo 2 - BREVE HISTÓRICO RCC.......................................................................08
Capítulo 3 -  ESPIRITUALIDADE CARISMÁTICA DE PE GILBERTO MARIA DEFINA, SJS..................................................................................................................14
Capítulo 4 - TIPO IDEAL DO CARISMÁTICO SALVISTA......................................19
Capítulo 5 - AÇÃO PASTORAL E ESPIRITUALIDADE CARISMÁTICA SALVISTA......................................................................................................................23
CONCLUSÃO................................................................................................................ 31
BIBLIOGRAFIA.............................................................................................................32




INTRODUÇÃO

            Neste pequeno trabalho buscou-se, através de uma reflexão coletiva, alinhavar os principais pontos de uma espiritualidade carismática salvista.
            Para tal intento, num primeiro capítulo buscou-se a base escriturística da espiritualidade carismática. No segundo capítulo, focamos na Renovação Carismática Católica como um movimento atual na Igreja que procura viver tal espiritualidade.
            A partir da RCC surgem várias comunidades e movimentos, e uma delas é Fraternidade Jesus Salvador e mais especificamente o Instituto Missionário Servos de Jesus Salvador. Por isso, descrevemos brevemente a espiritualidade carismática vivida pelo Fundador, Pe Gilberto, depois como o salvista vive tal espiritualidade e finalmente coletamos depoimento de pessoas ligadas à Fraternidade e ao Instituto que testemunhem a vivência de uma espiritualidade carismática salvista.
Capítulo 1 - ESPIRITUALIDADE CARISMÁTICA NA SAGRADA ESCRITURA E NA VIDA DA IGREJA.

1- Espiritualidade Carismática no Antigo Testamento.
            Desde o inicio da Sagrada Escritura vemos a ação e a presença do Espírito de Deus (cf. Gn 1,2). É ele quem traz um dinamismo na obra da Criação Trinitária, por isso é identificado como Ruah, principio da vida. Apesar da não compreensão do Espírito como pessoa da Trindade, vemos em diversos momentos no AT, a crença no Espírito de Deus, que se torna elo da ação de YHVH entre os homens.
            Após diversas manifestações da presença do Espírito de Deus, orientando, iluminando e guiando, a obra criadora tal como se dá em José, no livro do Gn 41,38; o Espírito de Deus vai ser identificado como força na vida dos juízes e nos primeiros reis de Israel. Ele se tornar a manifestação do poder, para fazer triunfar a causa do Senhor. “É este Espírito que reveste Gedeão (cf. Jz 6,34), vêm sobre Jefté (cf. Jz 11,29) e que impele Sansão (13,25).” (Cf. DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DA BIBLIA, 2013, pg. 475). Quando o Espírito de Deus vem sobre estes homens, são revestidos de uma força sobrenatural, realizando com triunfo o querer de YHVH. Este poder não é um poder passageiro mais de uma força permanente que YHVH concede por causa da missão a eles confiada.
            Dentre algumas figuras carismáticas do AT, podemos ressaltar as figuras de Moisés, Josué e Davi. Estes receberam o Espírito de Deus, para libertar e mostrar a todos os povos, que não há outro deus, além de YHVH. Em Davi vemos a investidura através da unção real, pela qual é tomado pelo poder do Espírito de Deus (cf. I Sam 16, 13). Em seguida o Espírito de Deus, fazia falar os profetas e por meio disso YHVH, exortava, julgava e revelava os seus projetos divinos. Estes homens foram tomados pela força de Deus, e o seu profetismo chamou o povo de Israel à volta da fidelidade. 

2- Espiritualidade Carismática no Novo Testamento e na vida da Igreja.
            No NT se retoma todos os termos do AT sobre o Espírito de Deus. Podemos destacar dois pontos sobre o Espírito de Deus, no NT. O primeiro deles é que o Espírito de Deus se revela em Jesus o Messias. Na cena do Batismo, o Pai revela Jesus como Messias Eleito, e a presença do Espírito de Deus mostra que, tal como outrora Davi fora ungido, Jesus que é o Novo Davi é o possuidor da unção de Deus, pois Ele é o Ungido cheio do Espírito (Mt 3,16; Mc 1,10; Lc 3,22; Jo 1,32). No inicio da vida pública os atos de Jesus suas curas, libertações e demais atividades demonstravam quem Ele era, e que estava cheio do Espírito de Deus.  E como segundo ponto que vemos é que, o Espírito é identificado como pessoa por meio da Revelação. As expressões que são retomadas no NT mostram que cada vez mais o Espírito de Deus é uma pessoa e não uma coisa. É o Espírito que vem do Alto, é Ele que é derramado, é Ele quem enche e habita no homem, tendo como lugar central desta revelação, a pessoa de Jesus Cristo. E isso se mostra visível a nós no relato do Batismo de Jesus no Jordão.
            Na Igreja primitiva vemos que o Espírito de Deus era identificado como força ou dom. Em Atos 2, 1-13. Ele é o dom gratuito derramado que dá dinamismo a Igreja de Cristo, fazendo com que, os apóstolos sejam tomados pelo poder de Deus. Este poder dá vivacidade aos apóstolos e eles realizam os atos que Cristo realizou, mostrando que o Senhor está com eles (Atos 3,6).
Vemos que a presença do Espírito de Deus, na Igreja realiza-se diversas manifestações que serão identificadas como dons carismáticos (que vão dos ordinários aos comuns). Estes de forma especial estão presentes na I Coríntios 12,1-11, mais também presente em todo o NT. Este Dom do Espírito Santo, manifesta nos homens, as graças divinas, para que através dos carismas, o homem se aproprie da Obra da Salvação, realizada por Cristo Jesus.
            Na vida da Igreja jamais podemos notar um extinguir-se dos carismas do Espírito Santo. A Igreja é participante da missão profética de Cristo. Ela participa da missão de Jesus, à medida que dá testemunho vivo ao mundo da força de Jesus Ressuscitado. E é a através da fé que este testemunho ganha visibilidade num consenso universal. Está fé é suscitada pelo Espírito Santo, que traz sua unção (cf. I João 2,20). Estes carismas têm a finalidade de serviço as mais diversas necessidades da Igreja, e são distribuídos pelo Espírito Santo conforme lhe apraz.
     A graça é antes de tudo e principalmente o dom do Espírito que nos justifica e nos santifica. Mas a graça compreende igualmente os dons que o Espírito nos concede, para nos a associar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos outros e com o crescimento do corpo de Cristo, a Igreja. São as graças sacramentais dons próprios dos diferentes sacramentos. São, além disso, as graças especiais, chamadas também "carismas", segundo a palavra grega empregada por S. Paulo e que significa favor, dom gratuito, benefício. Seja qual for seu caráter, às vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas se ordenam à graça santificante e têm como meta o bem comum da Igreja. Acham-se a serviço da caridade, que edifica a Igreja. (CATECISMO DA IGREJA CATOLICA, 2000, pg. 528)
            Concluímos que a missão do Espírito Santo está para inserir a obra criacional, no seio da Trindade e, em toda a atividade e manifestação do Espírito Santo, que quer restaurar e renovar a face da Terra, agindo e falando por meio das Escrituras e do Magistério da Igreja.
            Podemos destacar também essa ação atual do Espírito Santo na vida e vocação do nosso pai-fundador e no processo da fundação da Fraternidade Jesus Salvador. A partir da experiência da Efusão do Espírito Santo, padre Gilberto se sente chamado a uma nova fundação no seio da Igreja, uma comunidade religiosa que tivesse e se orientasse segundo as moções e a Pessoa do Espírito Santo.
            Percebemos que nesta ação carismática, o Espírito Santo tal como agiu na vida dos reis, juízes e profetas, ainda hoje escolhe homens aparentemente debilitados para a manifestação da sua Força. Estes homens são revestidos do poder sobrenatural de Deus, manifestando em cada tempo especifico a vontade de Deus. No caso de nosso pai-fundador, surge o primeiro seminário carismático para atender uma necessidade da época, bem como dos tempos vindouros. Este seminário terá por carisma o Louvor de Deus, que nada mais é que ação do próprio Espírito agindo no homem, através do Homem-Deus Jesus Cristo em um perfeito Louvor ao Pai. 




Capítulo 2 - BREVE HISTÓRICO RCC

Em 9 de maio de 1897, o Papa Leão XIII publicou a Encíclica Divinum Illud Munus” – “Sobre o Espírito Santo” – “lamentando que o Espírito Santo fosse tão pouco conhecido, concita o povo a uma devoção maior ao Espírito”.
Passadas algumas décadas, foi convocado solenemente, no dia 25 de dezembro de 1961, através da constituição Apostólica “Humanae Salutis”, o Concílio Vaticano II (1962-1965), Assim, os padres conciliares dedicaram atenção especial à ação mais livre do Espírito Santo como autor do elemento carismático, na vida e estrutura da igreja. Segundo João XXIII, o Concílio deveria ser uma “abertura de janelas” para que um “ar novo e fresco” renovasse a igreja.
A Renovação Carismática Católica teve sua origem em um retiro espiritual realizado em fevereiro de 1967, na Universidade de Duquesne (Pittsburgh – Pensylvania – estados Unidos).
Uma das estudantes que participou do retiro, assim relatou o que aconteceu naqueles dias:
Tivemos um Fim de Semana de Estudos nos dias 17-19 de fevereiro. Preparamo-nos para este encontro, lemos os Atos dos Apóstolos e um livrinho intitulado "A Cruz e o Punhal" de autoria de David Wilkerson. Eu fiquei particularmente impressionada pelo conhecimento do poder do Espírito Santo e, pelo vigor e a coragem com que os apóstolos foram capazes de espalhar a Boa Nova, após o Pentecostes. Eu supunha, naturalmente, que o Fim de Semana me seria proveitoso, mas devo admitir que nunca poderia supor que viria a transformar a minha vida!
Não se havia passado um ano sequer do término do Concílio, quando começou a despertar o movimento religioso chamado agora Renovação Carismática Católica.
Aquele grupo de professores e estudantes da Universidade reuniu-se para orar, conscientes de que a força da comunidade cristã primitiva estivera na vinda do Espírito Santo em Pentecostes, pediam que esse mesmo Paráclito manifestasse neles Sua presença cheia de poder, em favor da sua própria vida espiritual e de trabalho apostólico, oraram uns pelos outros, clamando: “Vem, Espírito Santo!”.
A partir daí, entre 1970 e 80, houve uma explosão de manifestações de Deus na vida de muitos grupos que oravam, pedindo a renovação no Espírito Santo.
Em diversos lugares do mundo se experimentou uma nova efusão do Espírito Santo.
De 1980 a 1990, a Renovação Carismática Católica ampliará suas relações com a hierarquia da igreja. Neste período haverá um esforço de aproximação entre os diversos países e a consolidação de organizações nacionais e internacionais.
No ano de 2000 a RCC encontrava-se em 235 países, por onde se distribuía em cerca de 148. 000 Grupos de Oração.
A Renovação Carismática Católica chegou ao nosso país por volta de 1970 e difundiu-se rapidamente por todos os estados.
No Brasil, a RCC teve origem na cidade de Campinas – Estados de São Paulo – contando aqui com o papel decisivo dos Padres Jesuítas Haroldo Hahm, ( ), Eduardo Dougherty (Associação do Senhor Jesus e TV Século XXI) e pe. Sales (já falecido). Estes sacerdotes começaram a realizar retiros chamados “Experiência do Espírito Santo” e, mais tarde, Experiência de Oração”. A medida que isto acontecia, a RCC se expandia, surgindo instância de coordenação, em diversos pontos do país, começaram também a experimentar um novo ardor na evangelização, nos trabalhos apostólicos, na vida de oração, no estudo da Bíblia e frequência à Eucaristia.[1]

1-      A Espiritualidade da RCC
Espiritualidade é antes de tudo, uma exigência do ser humano, ou seja, de raízes antropológicas, é a abertura do homem à transcendência (o que vai além do plano humano). Nós temos em nós sementes de eternidade, porque o homem é um ser incansável, pula de desejo em desejo, isto é prova do desejo de transcendência, cuja tensão existe entre o que queremos e a realidade frágil em que vivemos. Assim, a religião abre os olhos do homem para uma amplitude maior e um relacionar-se com o Divino.
A espiritualidade de um movimento é uma forma específica de responder ao chamado de Deus, bem como de colaborar no Seu plano de salvação. Ou, dizendo de outra forma, é um modo específico de relacionar-se com Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo e com a Igreja, corpo místico de Cristo, em sua expressão terrena e celestial e com as pessoas, a partir de uma experiência pessoal de salvação (experiência religiosa).
As características principais da espiritualidade da RCC são:
                   I.                      Espiritualidade trinitária: A espiritualidade da RCC só pode ser Trinitária, uma vez que contempla, em sua prática, o relacionamento com as Três Pessoas da Santíssima Trindade; “A grande fundamentação teológica da Renovação espiritual carismática está, portanto, no Mistério Trinitário, e particularmente no conhecimento progressivo da Pessoa do Espírito Santo e em sua ação insubstituível e ininterrupta na Igreja e em cada um de nós.”[2]
                II.                      Antecedente histórico: A espiritualidade carismática se liga ao fato mais importante da Igreja, o derramamento do Espírito no primeiro Pentecostes. Dia este, da plena revelação da Santissima Trindade.
Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como o agitar-se deum vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimirem. (At 2, 1 - 4)
Após Pentecostes e também nos Santos Padres há registros de uma espiritualidade carismática, onde se fala sobre os diversos carismas ou dons carismáticos na Igreja, isto é São Joao Crisóstomo no século IV: “Pelo Espirito Santo vemos assembleias de sacerdotes e possuímos multidões de doutores; desta nascente brotam dons de revelação , graças de cura e todos os outros carismas que adornam a Igreja de Deus.”[3]
             III.                      Experiência Pentecostal: Esta dimensão nasce no seio da RCC, pois ela mesma tem na sua origem o fato de ser agraciada com o Dom de Pentecostes acompanhado dos mesmos sinais e prodígios que se manifestaram na Igreja primitiva, tal como São João XXII pediu na oração preparatória do Concílio Vaticano II. A RCC nasce do anelo e da esperança que o Senhor realizasse em nossos dias, em vista da renovação profunda de sua Igreja, o que sucedeu no primeiro pentecostes; Na introdução do Documento 53 da CNBB afirma: “entre os vários movimentos de renovação espiritual e pastoral do tempo pós-conciliar, surgiu a RCC em muitas dioceses e também a contribuição que têm trazido a Igreja do Brasil, é preciso estabelecer o diálogo fraterno no seio da comunidade eclesial, apoiando o sadio pluralismo, acolhendo a diversidade de carismas e corrigindo o que for necessário”.[4]
             IV.                      Revivamento sacramental: Como consequência do derramamento do Espírito Santo nos nossos corações, ou seja, através do batismo no Espirito Santo que não é sacramento, põe em atividade as Graças recebidas nos sacramentos além de nos convencer da necessidade de uma vida sacramental, da necessidade da Eucaristia, da Confissão,do valor do Crisma, da importância do sacramento do matrimônio e vivenciados em plenitude.[5]
                V.                      Consciência do poder e da ação do Espírito Santo
Como afirmou muitos papas: Paulo VI, São Joao Paulo II e por último o papa Francisco a RCC é uma corrente de graça e não só um movimento, pois pelo Batismo no Espirito Santo acontece uma transformação interior pela conversão e adesão à Cristo, renascidos pelo Espirito Santo para uma nova vida crista.
             VI.                      Docilidade ao Espírito Santo
No domingo de Pentecostes o papa Francisco falou sobre a importância da docilidade ao Espirito de Deus.
A docilidade ao Espírito é fundamental para entendermos as coisas de Deus. Ninguém muda se não for pela ação do Espírito Santo! Sem o Espírito seremos cristãos artificiais, pseudos seres humanos, homens e mulheres sem futuro e sem história, gente de laboratório, sem vida. Para vencermos, precisamos do Espírito Santo. Ele comunica nova força a nossa existência. Com Ele nunca nos desviaremos da Vontade de Deus. Que lucro conhecer, amar e invocar o Espírito Santo! É ainda graças ao Espírito Santo que recebemos o dom de perscrutar as profundezas do pensamento de Deus e da Sua Vontade sobre nós. Ninguém pode ser intimo de Deus se não for amigo do Espírito Santo! A vida cristã consiste justamente em caminhar segundo o Espírito. Como? Julgando, vendo, amando e decidindo segundo o Coração de Deus na força da assistência contínua e permanente do Espírito![6]

          VII.                      A prática dos carismas: distintivo e nossa espiritualidade
A redescoberta do poder do Espírito Santo significa também a redescoberta dos seus Carismas. A Renovação Carismática está consciente de que esses dons gratuitos de Deus não foram privilégio da Igreja primitiva. Pertencem à vida normal da Igreja. A RCC tem como distintivo da outras espiritualidades a aceitação e a prática dos carismas.

2-      A Espiritualidade Carismática na Fraternidade Jesus Salvador
Ao vislumbrar os inicios da RCC e os aspectos da sua espiritualidade, quem sabe, de fato, constatar um movimento fruto do Concilio Vaticano II e deste estupendo movimento surgiu por obra do mesmo Espirito, como de um dom carismático: o “carisma fundacional”, isto é, a própria Fraternidade Jesus Salvador, a partir da Efusão ou batismo no Espirito que experimentou o nosso fundador Padre Gilberto Maria Defina, assim surgiu esta obra cuja espiritualidade é essencialmente carismática, sem falar de outras comunidades e Institutos provenientes da mesma experiencia. No dia 29 de novembro de 1972 disse o Servo de Deus Papa Paulo VI:
    “A Igreja tem necessidade de um perene Pentecostes; necessita de fogo no coração, de palavra nos lábios, de iluminação no olhar. A Igreja necessita ser templo do Espírito Santo, isto é, de total limpeza e de vida interior; necessita voltar a sentir dentro de si, em nosso mundo vazio, de homens modernos, totalmente extrovertidos pelo encantamento da vida exterior, sedutora, fascinante que corrompe com lisonjas de falsa felicidade, necessita voltar a sentir, repetimos, como que elevar-se do profundo de sua personalidade íntima um pranto, uma poesia, uma prece, um hino, isto é, a voz orante do Espírito que, como ensina São Paulo, ocupa nosso lugar e ora em nós e por nós “com gemidos inenarráveis” e interpreta as palavras que nós sozinhos não saberíamos dirigir a Deus (cf. Rm 8,26-27)”. Homens de hoje, jovens, almas consagradas, irmãos no sacerdócio! Vós nos escutais? A Igreja tem necessidade disto. Tem necessidade do Espírito Santo. Do Espírito Santo em nós, em cada um de nós, em todos nós juntos, em nós – Igreja”.
                        Encontra-se nos lábios de nosso fundador Padre Gilberto Maria Defina o mesmo desejo para esta obra: os sacerdotes serão formados em sacerdotes de fogo, e quando se torna fogo ungido pelo Espirito, tendo sentido e experimentado Deus em sua pessoa inteira, transmuda-se, se faz fogo e luz, alumia o semblante e os corações, e o povo sente o calor, a unção.[7] E, ainda nos deixou um lembrete quanto a nossa espiritualidade: “Quanto respeite á espiritualidade e a pratica dos dons do Espirito Santo, da aplicação dos carismas, de quanto o Apostolo Paulo nos afirma em I Cor 12,13 e 14, não podemos deixar de testemunhar.”[8] E, quando o fundador pensou a primeira coluna da Fraternidade a Espiritualidade Carismática ele queria que fossemos “testemunhas de Jesus Cristo, copiando-lhe a Vida, em sua Doutrina e em sua Ação: um Salvador que salva, que cura e que liberta o povo de Deus.”[9]
Assim sendo, a espiritualidade carismática é antes de tudo, Trinitária que partindo do amor do Pai que é revelado no seu Filho Jesus Cristo que no salvou e nos marcou com o seu Espirito que clama em nós aba, ó Pai, porque somos agora seus filhos amados, pois estamos sendo animados pelo Espírito do seu Filho que habita agora em nossos corações (Gal 4,6). Portanto, a missão de todo cristão carismatico é revelar esse amor sob a ação do Espírito Santo de Deus proclamando uma nova efusão do Espirito como em Pentecostes.
Em Duquesne foi o acontecimento que marcou o inicio da RCC, mas a experiência do batismo no Espirito já era conhecido por muitos santos e místicos da Igreja, apesar de não muito divulgado e pregado como agora quer acentuar a Renovação Carismática Católica pela prática dos carismas, isto é, o distintivo do movimento e pelo reavivamento da fé sacramental e sua importância. Num contexto eclesial e social em que nasceu os grupos de oração em São Paulo lá estava o Pe. Gilberto, fundador da Fraternidade Jesus Salvador, em meio as inúmeras vocação provindas da espiritualidade carismática e por outro lado da rejeição de alguns clérigos que não aceitavam este novo movimento e repreendia os seminaristas, mas o Espirito que sopra onde quer, impulsionou a criação do seminário carismático onde o Padre Gilberto queria acolher tais vocações que pelos frutos que contemplava, com certeza, a arvore era boa.
           



Capítulo 3 -  ESPIRITUALIDADE CARISMÁTICA DE PE GILBERTO MARIA DEFINA, SJS

            Para falarmos da espiritualidade carismática do Pe. Gilberto, faz-se necessário retomarmos alguns pontos do que a Renovação Carismática nos ensina acerca da vida no Espírito e qual a concepção dele acerca do movimento. Deste modo, os pontos que seguem apresentam, de forma sucinta, os princípios fundamentais da RCC e suas características principais enquanto movimento.

1. Os princípios fundamentais da RCC

            A Renovação Carismática Católica é a iniciativa do Espírito  de Deus para a renovação da Terra. É uma redescoberta experiencial da ação do Espírito Santo na vida dos cristãos.
            Essa redescoberta experiencial é uma espécie de experiência espiritual, como uma graça de desbloqueio e de descobrimento místico, que tem como efeito radical a reatualização do batismo e da confirmação, como em um novo Pentecostes. É como se a vida cristã, vivida e mantida desde sempre, fosse objeto de uma súbita descoberta no impulso do Espírito Santo. Tal estado, sempre latente e avivado com facilidade, caracteriza-se por três elementos: conversão pessoal, reconhecimento de Jesus Cristo e nova abertura para a ação do Espírito Santo (Cf. THILS, 1987, p. 54)

a) Conversão pessoal:

            A autenticidade da experiência com o Espírito Santo não pode ser averiguada pela análise da experiência em si, mas pelos efeitos na vida da pessoa, ou seja, essa experiência que proporciona ao homem um grande encontro com o amor de Deus, proporciona também essa metanóia, não forçada, mas como consequência da experiência do amor. O homem sente-se amado por Deus, e porque quer corresponder a esse amor, olha para si mesmo, vê o que não condiz e o que não corresponde ao amor de Deus, e procura a conversão.



b) Reconhecimento de Jesus Cristo como Senhor:

            “A Renovação Carismática Católica é profunda e essencialmente cristocêntrica: proclama a Jesus como Salvador e Senhor”  (Declaração Pastoral sobre a Renovação Carismática dos Bispos norte-americanos, de Março de 1984).
            Declarar Jesus como o Senhor só se é possível pela ação do Espírito de Deus, conforme nos diz São Paulo em sua carta aos Coríntios (cf. 1 Cor 12, 3). Esse reconhecimento é a tomada de consciência de que tudo que existe é obra d’Ele. Ele é o Verbo, a Palavra criadora de Deus e por isso todas as coisas estão submetidas a Ele. É reconhecer-se pequeno e ao mesmo tempo a Sua grandeza. Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim de todas as coisas. É o Senhor do mundo. O único Senhor.
            Este mundo que se dessacraliza cada vez mais, põe o homem como o centro de todas as coisas, como o senhor do mundo, é o antropocentrismo e o individualismo que o engana a respeito de seu lugar no mundo e o faz pensar que não há nada e ninguém acima dele.

c) Abertura á ação do Espírito

            O Espírito Santo sempre esteve presente na igreja. O livro dos Atos dos Apóstolos que narra o nascimento e o desenvolvimento da igreja, pós ascensão de Jesus, relata a ação poderosa do Espírito Santo na vida dos Apóstolos, dos discípulos e na vida daqueles que com eles se encontravam.
A redescoberta do poder do Espírito Santo significa também a redescoberta dos Carismas. A Renovação Carismática está consciente de que esses dons gratuitos de Deus não foram privilégio da Igreja primitiva. Pertencem à vida normal da Igreja. Todo o seu valor está em serem dados para a construção da Igreja na caridade (cf. 1 Cor 12 - 14). Não representam um fim em si, mas tem uma importância fundamental na edificação da igreja com poder. todos eles, até os que poderiam parecer mais insignificantes, devem ser apreciados como dons do Espírito Santo para contribuir poderosamente para a expansão e aprofundamento do Reino de Cristo. Por isso, precisamente nos nossos dias, eles são mais necessários neste mundo que nega o senhorio de Jesus. Eles, os Carismas, manifestam isso e ajudam a testemunhar que Jesus Cristo está vivo e atuante por intermédio do Espírito Santo (DOCUMENTO DO ENCONTRO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO, 1987, n. 31).



2. Padre Gilberto “Carismático”   
            Tendo como ponto de partida aquilo que se entende por vida no Espírito segundo os moldes da RCC, percebemos que não há distinção enre tal compreensão e aquilo que se pode constatar nos escritos do padre Gilberto e de modo todo particular em sua vida.
            A experiência do batismo no Espírito é marcada pelos efeitos que dela derivam, ou seja, não é uma experiência sem um objetivo ou apenas sensitiva e emocional, mas conduz o fiel a uma experiência de profunda intimidade com Deus, o criador.
            Para o Padre Gilberto ser carismático é entrar nesse processo de encontro pessoal com Deus, mas sobretudo ter uma vida de total abandono à Graça de Deus. Em sua vida, esse processo se deu de forma mais perene no dia 09 de dezembro de 1987, dia do seu batismo no Espírito Santo.
            Um novo itinerário iniciou em sua vida. Embora sacerdote e já buscando caminhar na vontade de Deus, o primeiro elemento do batismo no Espírito Santo, a conversão, realiza-se através da interior certeza que se teve do amor de Deus.  A autenticidade dessa experiência na vida do padre, não se averigua por sinais sensíveis, pois, segundo ele, nada sentira enquanto por ele oravam, mas tendo passado aquele dia algo diferente acontecera: Foi afervorando-se e sentia seu coração incendiar pelo amor de Deus.
            O reconhecimento de Jesus como Senhor é o segundo elemento do batismo no Espírito Santo. Esse elemento está intimamente ligado á experiência do Pe. Gilberto e consequentemente com o carisma da Fraternidade Jesus Salvador: O Louvor de Deus.
            O Louvor de Deus é o reconhecimento da pequenez do homem, de sua fragilidade enquanto ser humano, e da grandeza de Deus. Louvar ao Senhor é ter consciência de que Ele é tudo e de que a cada segundo de nossa existência devemos louvá-Lo, não somente pelo que Ele faz, mas principalmente pelo que Ele é.
            Por fim, quanto à abertura à ação do Espírito Santo, terceiro elemento, padre Gilberto deixa claro a importância de que ocorra um despertar dos carismas e da ação do Espírito quando fala aos seus filhos: “Os javistas devem lhe dar com os dons carismáticos, tratando-os com carinho, com bondade, recebendo-os carinhosamente e partilhando com os outros”. E ainda: “O Instituto forma sacerdotes, irmãos, ungidos pelo espírito, através de uma espiritualidade carismática, isto é, os dons carismáticos colocados em prática, para evangelizar, salvar e santificar a humanidade”. Ou seja, para o padre Gilberto, a experiência do batismo no Espírito Santo é também a cura do individualismo porque abre o homem ao serviço, ao outro. É uma experiência de salvação pessoal que não se fecha em si mesmo, mas que transborda na vida dos irmãos. O carisma da Fraternidade nasce na Igreja com “a missão de levar o povo a estar bem disposto ao Louvor de Deus”, ou seja auxilia o homem nessa abertura à Graça de Deus e predispõe o seu coração à essa experiência  profunda com o amor de Deus.
            Dessa forma, de tudo que abordamos acima, vale ressaltar que toda essa bagagem espiritual que o padre possuía, torna-se, hoje, herança espiritual para seus filhos e filhas, como via de santificação pessoal e comunitária, uma vez que sem uma vida carismática não se é possível viver o Louvor de Deus em sua totalidade.




Capítulo 4 - TIPO IDEAL DO CARISMÁTICO SALVISTA

A primeira realidade que precisamos trazem em mente quando nos referimos a tipo ideal, não é tanto o que encontramos de objetivo naquela pessoa, sociedade, instituição, mas antes de tudo é pensarmos em como ela deveria ser, quais as características que a mesma deveria possuir, por exemplo, a democracia é um termo que ao ser dito traz a mente muitas características das quais formam o ideal do termo.
O mesmo acontece quando pensamos no termo carismático, no caso de nós enquanto salvistas, mesmo que cada um tenha um ideal de ser carismático, o único modelo e referencial seguro que possuímos é o de nosso Pai-Fundador, Padre Gilberto. O mesmo ao dizer que esta Fraternidade é essencialmente carismática trazia em mente não somente o que se tinha de escrito sobre o ser carismático de sua época, mas trazia em mente a profundidade do termo e o que essas características que veremos em breve, produziria na vida de cada salvista, e consequentemente na daqueles que dele se aproximaria por meio de seu apostolado.
Por tal motivo primeiramente podemos sublinhar que a experiência do Batismo no Espírito Santo não é indivualista, sendo assim a mesma, não faz com que a pessoa que a faz, se torne uma pessoa fechada em si, mas a leva em direção aos outros. Mas esse movimento não parte da própria pessoa, o mesmo é ação da Graça de Deus que a leva adiante, como a própria Virgem Maria que após o anuncio do Arcanjo corre ao encontro de sua prima e cheia do Espírito Santo proclama em seu cântico as maravilhas de Deus na historia da humanidade (Lucas1,46-55), ainda como vemos com o próprio Jesus, que o Espírito o impulsiona ao deserto (Mateus 4, 1), e ainda com Pedro no dia de pentecostes que movido pelo Espírito anuncia a todos os presentes a maravilhosa noticia da ressurreição de Jesus (Atos 2, 14). Em todos esses casos vemos que antes de as decisões serem tomadas, todos fizeram um forte experiência da Pessoa do Espírito Santo, que os conduziu a realizar os projetos de Deus para aquele momento. Por isso padre Gilberto apresenta como condição essencial para ser carismático, ser conduzido pelo Espírito: “Deixem-se guiar pelo Espírito Santo de Deus e sejam pastores segundo o Coração de Jesus”. Por isso toda a consagração salvista é imbuída pelo desejo de se deixar conduzir pelo Espírito Santo e se centraliza na consagração pessoal a pessoa do Espírito Santo.
 “Conscientes de nossa eleição, atendemos livremente, na fé, ao chamado do Senhor: “Vem, segue-me”. Deixamo-nos conduzir pelo Espírito Santo no seguimento de Cristo casto, pobre e obediente.”[10]
Essa experiência ainda fez com que tantos homens e mulheres buscassem uma vida mais profunda e intima com Deus. Por isso Padre Gilberto afirma:
O primeiro chamado do religioso javista, Padre e Irmão, é, pois, o chamado à oração. É nela que encontramos força para levar a bom termo nossa santificação pessoal e a santificação daqueles com quem convivemos. Quando fatigados, descansamos em Deus, pela oração. É necessário que sejamos, antes de tudo, homens de oração.[11]
Sendo esse o primeiro chamado de cada religioso salvista compreendemos o porque Padre Gilberto nas constituições de 1995 diz-nos que o “salvista prefere se tornar um místico e um asceta que um trabalhador da vinha que não se detenhem na escolha da melhor parte”[12]
Essa vida de oração mais importante que grandes trabalhos pastorais, que apoiados em técnicas não convertem e não proclamam Jesus como o Senhor, é parte essencial para que o mesmo apostolado não se torne infecundo, pois “acredita-se salvar mais almas pelo apostolado da oração do que trabalhar confiando nas próprias forças”. Para que o salvista não se afogue em tantos trabalhos pastorais, essa vida de oração que ajuda a manter a chama do Espírito acesa, Padre Gilberto nos apresenta com as seguintes palavras a importância dessa profunda intimidade com Deus:
Faz-se necessário um contínuo renovar-se no Espírito para sempre manter a chama bem viva e fecunda. Por outra, pode se perder, por tibieza e incúria, a graça do batismo no Espírito Santo. Nesta perspectiva, toda a vida de oração do Instituto deve ser vivida de tal maneira que seja para cada um, não como uma carga imposta, mas a expressão concreta da nossa vocação apostólica.[13]
Essa intimidade ainda nos torna mais que criaturas, ou marionetes como alguns podem pensar, pelo contrario ela nos faz filhos de Deus, filhos íntimos dos projetos do seu pai, que os dá a conhecer. Toda oração cristã brota de um coração à escuta do Espírito Santo, que nos introduz na intimidade da Trindade e nos permite exclamar com o Filho: Abba! Pai![14]
Toda essa vida de oração, desemboca em uma profunda busca pela conversão pessoal, que santificará não só a pessoa, mas toda a comunidade onde ela mesma se encontra, por isso a busca pela santidade pessoal terá primazia na vida de cada salvista, pois o mesmo buscará conformar-se com a vida e os passos de seu Mestre. Como vai dizer Padre Gilberto nas constituições de 1998§18: “É missão do Servo de Javé Salvador aprender de seu Mestre, imitando-lhe a vida, em sua doutrina e em sua ação”. Deixando para traz o espirito que movia o coração antes da experiência do Batismo no Espírito Santo, o salvista busca louvar a Deus por meio da própria vida santificada e transformada a semelhança de Jesus. “Este é o sentido do verdadeiro homem carismático, daquele que renasceu da água e do Espírito.”[15]
Sendo essa vida intima com Deus, cada salvista é chamado primeiramente a embasar sua doutrina no Magistério da Igreja e sua Tradição, tendo como primazia “Pregar o Evangelho e testemunhar sem temor o nome de Jesus é sua própria, verdadeira e única Missão”[16]’. “Por isso tem seus membros enviados sob a Unção do Espírito Santo.”[17]
Sendo assim todo salvista deve ter um olhar não alienado da realidade, mas antes os mesmos precisam estar profundamente atentos ao mundo e seus sinais, essa sensibilidade padre Gilberto deseja que todos os salvistas tenham, afirma o mesmo:
O Instituto deve estar constantemente atento aos sinais dos tempos, desejando que se perpetue, através dele, em sua existência, o derramamento do Espírito Santo de Deus, que o Amor misericordioso do Pai e do Filho, como em novo Pentecostes, derramou nos corações de muitos cristãos desta geração[18]
Todos os ramos dessa Fraternidade são chamados a viverem como transbordamento de sua intimidade com Deus, uma apostolicidade que leve as pessoas que possuem contato com o salvista a experiência do Batismo no Espírito, e o Anuncio keriguimático.
Sendo assim após apresentar as etapas nas quais o salvista vive em sua Espiritualidade Carismática num todo, podemos dizer que o ideal do carismático salvista possui as seguintes características: acredita que os carismas são concedidos ainda hoje, confia mais na ação do Espírito que nas capacidades do homem, ama a Palavra de Deus e a medita sempre,é obediente até a morte,vivencia com profundidade os sacramentos recebidos, é assíduo no louvor em todas as suas partes, possui profunda vida de oração, é místico e asceta, porque quer salvar mais almas pela oração, acredita que o Pentecostes aconteça nos dias de hoje, acredita incondicionalmente na ação da Providencia de Deus, acredita na promessa que todos podem ser batizados no Espírito Santo, acolhe e acredita nas revelações particulares, é missionário levando a todos a experiência de pentecostes, busca uma profunda santidade e conversão de costumes para se parecer sempre mais com seu Mestre, por fim é um homem que deseja uma vida verdadeiramente entregue a ação e governo do Espírito de Deus, permitindo que o mesmo realize tudo o que desejar.[19]
Em todas essas características apresentadas acima podemos sintetiza-las em três fundamentais:
·         Alegria
·         Acolhida
·         Unção na Evangelização
Todo o salvista em maior ou menor proporção possui essas características apontadas acima, por tal motivo podemos dizer que mesmo que imperfeitos todos refletimos a graça do Batismo no Espírito Santo e seus efeitos em nossas vidas.



Capítulo 5 - AÇÃO PASTORAL E ESPIRITUALIDADE CARISMÁTICA SALVISTA

Nesta parte visamos apresentar as respostas dadas por algumas pessoas (Irmãos, irmã e leigos), em suas respectivas missões e realidades, sobre como dão o seu testemunho na vivência da espiritualidade carismática Salvista. Para começar veremos em forma de entrevista, perguntas e respostas e, assim, cada um falará da sua concepção e da sua vivência, pessoal e comunitariamente.

4.1 Entrevista: Padre Fábio Muniz Alves, sjs
Pergunta: “O que o Sr entende por espiritualidade carismática salvista? Como o Sr vê esta espiritualidade praticada na FJS? Qual é a especificidade dessa espiritualidade? Em que ela difere de outras espiritualidades carismáticas?”
Padre Fábio, sjs: A espiritualidade carismática Salvista, na minha concepção e na minha experiência pessoal, se inicia, tem seu ponto de partida no carisma específico do Louvor de Deus. Por que digo isto? Ela tem alguns aspectos que são semelhantes à aspectos da espiritualidade do movimento da Renovação Carismática Católica, o que foi até um desejo do nosso Pai e Fundador. Acredito que o Padre Gilberto, quando desejou a Obra, pensou no Carisma do Louvor de Deus, que lhe foi inspirado, mas, também falava sempre num seminário carismático, por causa dos jovens que vinham da Renovação Carismática. Então, aqui está o aspecto, em minha opinião, semelhante à espiritualidade carismática como um todo, que é a devoção profunda ao Espírito Santo, uma intimidade, uma busca de relacionamento íntimo com o Espírito Santo e a vivência dos dons e carismas.
Isso que está na Renovação Carismática também faz parte na nossa própria espiritualidade, porque nasce daí. Eu digo que (no nosso caso) o ponto de partida é o Louvor de Deus porque, aqui nós nos distanciamos no que diz respeito à espiritualidade carismática, pois o nosso “ser carismático” (a vivência dos dons e carismas em nós suscitada pelo Espírito Santo) só pode acontecer no momento em que nos abrimos à realidade do Cristo que louva em nós, nós nos abrimos à realidade do Cristo que age e que vive a experiência do louvor ao Pai, a experiência da entrega por meio do Louvor, de uma vida de gratidão, pois, Jesus Cristo é O verdadeiramente grato ao Pai, aquele que verdadeiramente louva, o humilde que se entrega ao Pai.
No momento em que nós abrimos o coração para que esse Cristo, que louva ao Pai, louve em nós e louve através de nós e nos ensine a vida de gratidão ou nos faça ser gratos como ele e junto com ele, aí é que os dons e carismas, na minha concepção, são suscitados. É tudo muito próximo de qualquer carismático, mas que vai trazer certa diferença entre nós. Não estou falando de equilíbrio e desequilíbrio, de formas de rezar ou não, mas a Renovação Carismática trabalha a devoção ao Espírito Santo e toda a oração voltada para o Espírito. No nosso caso, o salvista não é Aquele que clama o Espírito Santo o tempo inteiro, o salvista é aquele que permite que o Cristo louve ao Pai nele, no coração, no seu interior, no seu íntimo e, na medida em que permite que o Cristo louve o Pai nele, ele se abre à ação dos carismas e dos dons do Espírito.
A partir daí vem os outros aspectos, oração em línguas, Palavra de Ciência, etc. os dons que são comuns aos da Renovação Carismática e a toda espiritualidade carismática, só que em nós o que difere é o princípio, não é a nossa forma de rezar – “Ah, o salvista levanta os braços de uma forma diferente ou bate palma de forma diferente!” – Não tem nada disso! Em minha opinião, é que o princípio, o que faz esse dom fluir em nós é a permissão, a abertura para que Cristo louve em nós, e a gente consiga viver a gratidão de Cristo em nós, manifesta a face do Cristo que louva e aí, os dons do Espírito Afloram.

4.2 Entrevista: Elizete (Ordem Terceira Salvista)
Elizete: Eu entendo que a nossa espiritualidade do Louvor de Deus deve ser vivida em todas as situações, levando a uma experiência profunda do Amor de Deus. A intimidade com Ele se dá através de uma vida de oração e de momentos de silenciar o coração para escutar sua Palavra. E isto só é possível quando me abandono Nele e confio a Ele todas as situações, podendo assim sentir seu Amor que me cura e restaura para louvá-lo e, quando não vivo mais na superficialidade, posso levar outras pessoas a conhecer este Deus amoroso que faz de tudo para nos salvar.
É a busca da intimidade com Deus através de uma vida de oração, que na minha opinião, a espiritualidade carismática salvista tem de específico.
Nossa experiência é diferente das outras formas de espiritualidade, graças à experiência do nosso fundador, Padre Gilberto Maria Defina, sjs. O nosso carisma vem do Cristo crucificado, do Cristo que Louva ao Pai, e que em tudo fez a sua vontade.
Viver o Louvor, para mim, é carregar a Cruz com Jesus e sempre fazer sua vontade, mesmo quando não entendemos, é sofrer com Ele e se “gastar” por Ele, assim como fez o nosso fundador.


4.3 Entrevista: Marinella (Paroquiana da nossa Missão na Itália)
Marinella: Da minha experiência com a oração no Espírito pela Renovação Carismática Católica (Grupo Jesus Ama) e com os salvistas, posso fazer as seguintes apreciações:
É uma espiritualidade próxima a da Renovação, só que mais forte, mais bonita, que se exprime, sobretudo no Louvor, aqui ela é mais forte. Pela experiência salvista, vi o quanto fui curada interiormente, por meio da oração. Pessoalmente recebi grandes graças, assim como outros meus irmãos e irmãs. Na Itália temos muito discernimento na oração, só que somos deixados de lado, o leigo é deixado de lado e certas orações só podem ser conduzidas por padres e freiras, o espaço aqui é menor aos leigos. Mas, com os Salvistas vivi outra experiência. Eu vivo livremente essa espiritualidade, me sinto bem e experimento o Louvor, principio de tudo, é um louvor próximo, sei que não temos muitas experiências de repouso no Espírito, mesmo assim, eu me sinto livre e plena de alegria em cada momento de oração.
Depois que conheci os salvistas, a fidelidade a mim mesma e para com a Oração cresceu e muito, um crescimento humano, um superar os relacionamentos humanos difíceis, com as pessoas, com meus pais, ao passo que adquiri uma maturidade espiritual. Algo que posso ressaltar é hoje consigo ver Deus como Pai, recebi a oportunidade de abraçar a Deus como ao meu pai biológico (que não está mais comigo), eu consegui ver a Deus como Pai. Outra descoberta com a oração salvista foi a vida de Intercessão por meio da oração.

4.4 Entrevista: Ir. Leide Stelen, sjs
Ir. Leide Stelen, sjs: A nossa espiritualidade é uma espiritualidade oracional, sendo ao mesmo tempo, apostólica. Se a mesma é caminho oferecido por Deus para cada um de forma particular, a nossa se dá oração e no apostolado. Nasce do Espírito Santo derramado no coração de cada irmã, e da sua adoção filial a Deus, assim como ditam nossas constituições.
É carismática na sua essência, mas moldada no Louvor de Deus, a especificidade do nosso carisma que faz que a nossa vivência carismática se diferencie das outras. O que nos torna específicos na nossa espiritualidade, damos a ela a nossa identidade, a vivemos aos moldes do Louvor.


4.5 Entrevista: Padre Moisés Francisco, sjs (missão salvista da Itália)
“Creio que deveríamos mergulhar mais em nossa espiritualidade para melhor viver o chamado especifico no seio da Santa Igreja”.
Como vejo?
Toda espiritualidade nasce do mistério pascal e nossa espiritualidade não se diferencia disso, desse nascimento. Ela nasce e toma forma no mistério pascal de Jesus. Em nosso caso, esse mistério pascal foi renovado no mistério da vida de nosso fundador ao qual se uniu completamente, imolando-se para o nosso nascimento.
Nossa espiritualidade, para ser verdadeiramente carismática precisa estar submissa ao senhorio de Jesus, porque foi assim que nosso fundador expressou seu ser carismático. Não é simplesmente um “fazer barulho”, mas é verdadeiramente usar dos carismas para promover, para fazer acontecer o Reino de Deus entre nós. Essa é nossa missão como carismáticos: fazer acontecer o Pentecostes em nossos dias, fazer acontecer o Reino em nossos tempos.
Não é simplesmente usar dos carismas isoladamente, caso contrário. podemos cair em um protagonismo sem Cristo, podemos cair no perigo daqueles que se aproximarão do Cristo na Ressurreição e serão rejeitados por Ele, “mas senhor eu curei em teu nome, libertei em teu nome, eu proclamei profecias em teu nome, eu proclamei curas e libertações”(Mt 7,22), e, escutarão do Senhor: “afastai-vos de mim, longe de mim porque não vos conheço”(Mt 7,23).
Nossa espiritualidade carismática salvista precisa tomar forma dentro do mistério pascal de nosso fundador. Somos chamados, como salvistas, a sermos ressurreição da experiência do Padre Gilberto em nossos tempos, ou seja, temos que mergulhar no carisma de nosso fundador para melhor interpretá-lo e vivê-lo, em nossos tempos, crer que essa espiritualidade está baseada no mistério pascal e que, quem não morre não pode participar da ressurreição. Aquele que não morre para abraçar livremente a missão salvista não pode vivê-la, pois a mesma passa pelo mistério da cruz, se não sou capaz de vivê-la em minha vida, não serei capaz de expressá-la, o Salvista tem que mergulhar mais, para melhor viver essa espiritualidade.

Como vejo essa espiritualidade sendo praticada no instituto?
A nossa espiritualidade carismática se manifesta em tantos âmbitos, âmbito pastoral, comunitário e pessoal, mas, se não possuo intimidade com o Senhor conseqüentemente não posso ser instrumento para a vida de outros. A espiritualidade se manifesta através de nós quanto mais cresce a intimidade com o Senhor.
Isso não indica passar o dia inteiro na capela, mas é viver a verdade, deve ser praticada por cada Salvista, pois é na verdade que manifestamos o verdadeiro louvor, como diz o próprio Jesus: “o Pai procura adoradores que o adorem em Espírito e em verdade”(Jo 4,23).
Os verdadeiros adoradores se deixam moldar pela Palavra de Deus, se deixam alcançar por essa palavra, e vivem essa mesma palavra. Sendo assim, a adoração é a vivencia da sua Palavra. É assim que a espiritualidade carismática deve se manifestar em cada salvista, na qual eles são autênticos, mais carismáticos, mais instrumentos de Deus e, quanto menos autênticos menos verdadeiros em nossos atos, menos carismáticos seremos. Pode se manifestar naquilo que diz a passagem em que “curei em teu nome, libertei em teu nome”(Mt 7,22)... porque se manifesta simplesmente o poder do nome de Jesus, mas não se manifesta a vida do missionário, pois a vida do missionário está unida ao sacrifício de cristo, unida a missão de Cristo ele resplandece o Louvor, porque nós salvistas encontraremos terras onde seremos chamados a termos uma expressão exterior do ser carismático, essa é importante, mas muitas vezes a nossa presença deve ser presença de Louvor, automaticamente presença carismática, todos os nossos gestos devem levar o Cristo vivo ao seu povo, pois, ser carismático é ser Cristo em meio ao povo, e ter compaixão do povo, pois o mesmo muitas vezes é como ovelha sem pastor.

Diferença entre as espiritualidades.
Está nessa capacidade de temos de tirar coisas velhas e novas do nosso baú, como o próprio senhor comparou aos fariseus convertidos, que eram capazes de unir o que era antigo com a revelação da fé em Cristo Jesus, e essa união, o Salvista é chamado a fazer, como o próprio fundador desejava unir o antigo entre o litúrgico e o carismático, fazer união com a vida eclesiástica e a vida carismática da igreja, muitas vezes nos perdemos, muitas vezes buscando viver somente uma parte, principalmente no esplendor litúrgico, ou seja, tudo o que o envolve.
Mas vejo que o ser Salvista, ao expressar o esplendor litúrgico através do Louvor de Deus, tem a capacidade de tirar de dentro do coração coisas velhas e novas, vivendo a riqueza da igreja e atualizar a mesma, como a cada tempo o senhor suscitou respostas para o tempo da Igreja, e hoje o senhor despertou vários movimentos, e dentro dos mesmos, despertou comunidades, para uma única finalidade, que é a de ser resposta de Deus para os tempos atuais.
O Salvista é chamado, no seu ser eclesiástico e carismático, unir essas duas realidades, e se entregar ao povo, se doar ao povo, essa é a diferença que encontramos, nós como clérigos que portamos a experiência de Pentecostes. Se o Salvista não unir essas duas realidades e for apenas expressão do novo de Deus e abandonar o antigo, ele já não tem mais razão de existir, ele se torna mais um entre tantos, até mesmo a vida paroquial, ser pároco como os demais, não tem razão, pois Deus despertou essa Fraternidade para diferenciar-se dos demais, tem que ter esse diferencial, de estar imbuído da presença viva do Cristo que continua a operar na vida do povo, esse Cristo que atualiza o mistério pascal aos seus filhos sem, contudo perder a ligação com aquilo que a Igreja nos oferece.

Especificidade da espiritualidade.
Ser o novo de Deus, sem abandonar o que é antigo e tradicional da Igreja, celebrar com esplendor litúrgico o mistério pascal, não simplesmente estar atento às regras litúrgicas, não somente isso, antes, é ser capaz de atualizar o mistério de Cristo, na vida de cada pessoa que se aproxima de um Salvista, e assim promover na vida do outro o encontro pessoal com Cristo, mas para que isso seja real se faz necessário, atualizar não somente na liturgia esse mistério, mas na vida de cada pessoa.
Entrevista: Padre Paulo da Trindade, sjs (missão da Itália):
Padre Paulo: A espiritualidade carismática é antes de tudo um reconhecimento da glória de Deus, reconhecer que recebemos de Deus tudo, nossa vida, vocação, no Espírito Santo agradecermos o senhor porque nos chamou, e a glória de Deus é a manifestação do que ele é, se somos Laus Dei, devemos manifestar sua glória, por isso como carismático, invocamos o Espírito, para que através dele possamos reconhecer a glória de Deus, e levar as pessoas à glória de Deus, a resplandecer a glória de Deus em nossas vidas através do louvor, e uma coisa bela de nossa espiritualidade carismática é que nós temos um equilíbrio entre o novo de Deus e aquilo que a igreja leva consigo que é a liturgia, a tradição, como diz santo Agostinho: beleza antiga e sempre nova, é o novo do Espírito Santo, da RCC, da efusão no Espírito Santo aplicada na liturgia, nos nossos momentos de vida, e fazendo sempre que essa glória chegue as pessoas , apresentar um Deus que ama e um Deus que fez tanto por nós, e nós reconhecemos isso através de nosso louvor, e que seja sempre nossa vocação, e que possamos sempre transmitir esse amor através do louvor, através do Espírito Santo que é também espiritualidade, é naquela, de transmitir o Espírito Santo, de pedir uma nova efusão, uma nova experiência do pentecostes, uma nova experiência da união das línguas em que todo mundo possa se entender e louvar o senhor e servir ao senhor.
Como é aplicada essa espiritualidade na FJS?
Nós a aplicamos quando reconhecemos que nós temos necessidade de Deus, e louvor é realmente isso é reconhecer nossa pobreza diante da grandeza do Senhor, e cada irmão dentro da sua especificidade procura esse louvor, esse confiar no Senhor e deixar-se louvar porque nós somos louvor, pois quem tem o Carisma tem esse chamado: eu sou Louvor de Deus, e cada irmão na sua simplicidade procura e deve sempre fazer esse reconhecimento na sua história de vida, louvar pela história, por tudo o que vivemos, como no momento em que perdemos nossa casa, e vimos que nos momentos de amargura de dificuldade, nós louvamos, vi isso na comunidade.
Pedir esse Espírito em todos os momentos de dificuldades que nos ajuda, é reconhecer que o Senhor guia a história, penso que tem que ser assim, muitas vezes acontece no momento de dificuldade sempre louvar ao Senhor, pedir o Espírito Santo, seja na alegria, no seminário principalmente, éramos ali para louvar e adorar o senhor, e nisso se manifesta o Carisma, seja na adoração silenciosa que é reconhecimento pessoal ou comunitária onde pedimos sobre todos nós o Espírito Santo, a misericórdia e o amor de Deus e a glória que seja derramada em cada um de nós.
A especificidade é essa de unir o tradicional com o novo do Espírito Santo, é reconhecer a graça de Deus, é como dizia o padre Gilberto, a santidade e a sabedoria, a sabedoria da experiência de viver nas mãos do Senhor, de intimidade com o Senhor, e a santidade, que é buscada no reconhecer que não se pode sozinho e que preciso da graça do Senhor, a santidade que devo me esforçar para chegar a essa perfeição, que não é minha, mas dada pelo Senhor, essa especificidade de ser na igreja sinal do louvor, sinal que Deus salva sinal que Deus faz tudo em nos, é essa especificidade, reconhecer que Deus faz e que ele fez tudo na minha vida e parte disso através da liturgia, do Espírito Santo, nós podemos ser santos e levar as pessoas a santidade, e reconhecer que o Senhor é Deus ao louvá-lo. O que difere, das demais espiritualidades é que nós temos esse objetivo de levar o povo a louvar o Senhor, a preparar um povo que louva o Senhor, que procuram sempre colocar-se nas mãos de Deus e confiar às próprias vidas ao Senhor e tentar tirar do mundo esse espírito de murmuração, de não reconhecimento de Deus, esse mundo que sempre é longe desse agradecer, de reconhecer o Senhor, que procura somente reconhecer aquilo que é, e não reconhecer o que Deus fez. Difere também a liturgia, aquilo que é tradição, naquilo que a igreja ensina aquilo que é raiz, procurar olhar a história e louvar o Senhor por aquela história e vê na humanidade a história da igreja e dizer eu faço parte, também esse Espírito Santo, esse fogo é viver como se estivesse em pentecostes, em que eles reconheciam e tinham medo, reconheciam que traíram o Senhor e fizeram essa experiência do Espírito, do fogo que transforma e me leva a louvar, me leva a cantar ao Senhor, me leva a cantar na vida a glória de Deus como os apóstolos fizeram, e como temos Maria como nossa padroeira, unidos a Maria no cenáculo, e viver no cenáculo é estar embriagados no Espírito Santo e depois louvar o Senhor diante dos povos, línguas, raças e nações, e que já se concretiza como vemos em nossas missões, para testemunhar isso, levar um povo disposto a louvar e reconhecer que o Senhor é Deus, e que o Espírito Santo nos transforma, fogo é transformação, e deixar-se transformar pelo Espírito Santo é nossa vocação, e é nossa vocação e chamado levar os outros a essa transformação.
Logo, para o padre Moisés, a nossa espiritualidade nasce deste mistério pascal de Cristo em nós, e ele se encontra unido à nossa constituição, como encontra-se no ponto 8, página 8: “Nasce do Espírito Santo derramado no coração de cada irmão, e da sua adoção filial por Deus”. E mais, ele e padre Paulo, unem-se em dizer que ela é também missionária, evangelizadora, transformante, vem de uma intimidade completa com o Senhor, e assim, levando-a a muitos; vai dizer as nossas constituições: “A espiritualidade desta família religiosa é, pois, nitidamente oracional e apostólica”. Ou seja, levar o povo à mesma experiência que temos, e no ponto sete de nossa constituição dirá: “… levar o povo a estar bem disposto ao Louvor de Deus, impulsionados pela graça da Efusão do Espírito Santo”.  
Portanto, nossa espiritualidade carismática, será sempre missionária, sempre visando à glória de Deus, glorificar seu nome, e levar a muitos a essa mesma glória, mas sempre dependentes do Espírito Santo de Deus.

CONCLUSÃO

“Que o Louvor de Deus cresça em nós sem cessar...”

            Assim versava uma de nossas antigas canções. E o que desejávamos demonstrar através desse apanhado de exposições é que há uma espiritualidade que brota da Revelação e que consta na Sagrada Escritura, que podemos chamar de carismática.
            Essa espiritualidade carismática é vivida por várias realidades eclesiais, principalmente nesse pós Concílio Vaticano II.
            Os salvistas descobriram, a partir da experiência de espiritualidade carismática de Padre Gilberto Maria Defina, sjs, seu fundador, uma espiritualidade carismática própria que é vivida por seus membros e pelo pessoas assistidas pastoralmente por membros dessa Fraternidade Jesus Salvador.
            Essa gotícula de reflexão sobre a espiritualidade carismática salvista é um começo que outros hão de prosseguir e ampliá-la.








BIBLIOGRAFIA.
BIBLIA DE JERUSALÉM. Tradução Escola Bíblica de Jerusalém, São Paulo, Paulus, 2006

BÍBLIA DE JERUSALÉM, São Paulo: Paulus 2002.

CATECISMO DA IGREJA CATOLICA. 11ª Ed. traduzida do latim, São Paulo, Loyola, 2001

DEFINA, Pe Gilberto Maria. CONSTITUICOES FRATERNIDADE JAVÉ SALVADOR. São Paulo, 1995.

DOCUMENTOS DO CONCILIO ECUMENICO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium. São Paulo. Paulus. 2012.

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DA BÍBLIA. tradução, Ary E. Pintarelli, Orlando A. Bernardi. São Paulo: Ed. Loyola: Paulus: Paulinas, 2013

DOCUMENTO DO ENCONTRO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. São Paulo: Loyola, 1988.
 
­­­­­­­­­­­­­­­­­­______________________Disponível em: http://tucrcc.no.comunidades.net/breve-historico-da-rcc. Acessado em 23 de agosto de 2016

______________________Disponível em: http://br.radiovaticana.va/news/2016/06/14/iuvenescit_ecclesia_documento_na_%C3%ADntegra/1237049. Acessado em 08 de setembro de 2016
                                 
______________________Disponível em: http://www.padrefelix.com.br/cnbb_doc53.htm. Acessado em 29 de agosto de 2016

______________________Disponível em:  http://www.elenaguerra.org/elena/index.php?option=com_content&view=article&id=197:um-presente-para-o-espirito-santo&catid=42:formacao. Acessado em 27 de agosto de 2016                                

MCKENZIE, John L.  Dicionário Bíblico; tradução, Álvoro Cunha, São Paulo: Paulus, 1983

SARTORE, Domenino; TRIACCA, Achille M. (Org.). DICIONÁRIO DE LITURGIA. tradução: Isabel Fontes Leal Ferreira. – São Paulo: Paulus, 1992.

THILS, Gustavo. Existencia y santidad em Jesus Cristo. Salamanca: Sigheme, 1987.




[1] Cf. http://tucrcc.no.comunidades.net/breve-historico-da-rcc. Acessado em 23 de agosto de 2016
[2] Documento do Encontro Episcopal Latino-Americano realizado em La Ceja – Colômbia. A Renovação Espiritual Católica Carismática, capítulo I.
[3] http://br.radiovaticana.va/news/2016/06/14/iuvenescit_ecclesia_documento_na_%C3%ADntegra/1237049
[4] http://www.padrefelix.com.br/cnbb_doc53.htm
[5] Cf. Constituicoes 1995; p.54
[6] http://www.elenaguerra.org/elena/index.php?option=com_content&view=article&id=197:um-presente-para-o-espirito-santo&catid=42:formacao
[7] Cf. Constituições 1995; nº128
[8] Idem; nº134
[9] Idem, p. 31
[10]  Constituições do IMSJS de 1998§72
[11] Constituições do Instituto Missionário Servos de Jesus Salvador, 1998§191
[12] Constituições do Instituto Missionário Servos de Jesus Salvador,1995 pag.
[13] Idem 1998§196
[14] Idem,1998§197
[15] Idem,1998§197
[16] Constuições do IMSJS de 1995, pag. 66
[17] Diretório de Pastoral, Vocação Missionária, 34
[18] Constituições do IMSJS, 1998§68
[19] Cf. Constituições do IMSJS, 1995