sábado, 16 de outubro de 2010

O Esplendor Litúrgico

O Esplendor Litúrgico

O Carisma do Louvor de deus vem lembrar a cada ser humano que suas ações tem que brotar da Fonte da Vida, que é o próprio Deus. A água benfazeja dessa Fonte é o Espírito Santo, que nos vem pela cruz e ressurreição do Senhor Jesus. A atualização do Evento da cruz, centro e cume do Mistério Pascal se dá através da celebração litúrgica. Mas como somos seres dotados de liberdade, a celebração deve mostrar, manifestar esse mistério através do memorial. O paradigma do esplendor litúrgico é a Transfiguração do Senhor 9Mt 17, 1-8). Jesus tomando Pedro, Tiago e João, sobe a uma montanha e foi transfigurado (methamorfothe. Vulgata transfiguratur) diante de deles, a luz resplandece (Vulgata resplenduit) em seu rosto. A luz, bem como suas vestes brancas, são sinais da manifestação de Deus, presente desde o relato da Criação (Gn 1, 3), passando pelo Êxodo (ex 3,2; Ex 13, 2), e as diversas epifanias (p. ex. Lc 2, 29-32). Moisés e Elias, personificando a Lei e os Profetas, a Sagrada Escritura se cumpre no Cristo Morto e Ressuscitado, elas possibilitam entender e assimilar o esplendor do Mistério Revelado, que provoca em Pedro o êxtase, o sair de si em direção ao Mistério, com o cume da Revelação do Pai: “Este é o meu filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o” (Mt 17, 5). O esplendor deve levar à transformação interior pelo Verbo que se faz carne (cf. Jo 1, 14) e entra em comunhão com o ser humano, e leva Pedro a prostrar-se em adoração. O Esplendor litúrgico deve propiciar esse itinerário em nossas celebrações litúrgicas:
1. A luz de Deus tem que resplandecer, isto é, a celebração tem que demonstrar através do rito a intervenção de Deus através do Mistério Pascal do Senhor Jesus atualizado.
2. A Palavra deve ser exposta nas orações e na Escritura de modo que se aponte e se cumpra no Cristo morto e ressuscitado.
3. Tudo isso deve possibilitar ouvir o Pai e o Verbo, acolher esse Verbo na vida de tal modo que seja bom estar na Presença de Deus.
Disso decorre algumas indicações para a efetivação do Esplendor Litúrgico:
1. Tudo o que obscurece a manifestação da Luz de Deus deve ser evitado (ruídos, poluição visual, má preparação, leitura mal feita, etc). Mas principalmente a santidade do ministro e da comunidade deve propiciar o Esplendor Litúrgico.
2. As rubricas do rito que manifestam o Mistério devem ser conhecidas e levadas a efeito para uma verdadeira arte de celebrar.
3. As adaptações devem ser feitas somente com um conhecimento profundo do Evangelho, da Teologia Litúrgica e da cultura do povo.
4. A Sagrada Escritura deve ser conhecida para preparar a disposição do fiel e realmente todos ouvirem o Filho do Pai.
5. Amar a Liturgia que se celebra, sem isso pode-se cair na hipocrisia.
6. Saber-se amado por aquele que nos vê e desse amor amar-se e amar o próximo.
           
Esplendor Litúrgico na Vida – A sensibilidade litúrgica nos propiciar sentir a presença de Deus em nossa vida, especialmente no nosso próximo, por isso Jesus no último dia (Mt 25, 31-46) não nos perguntará quantas celebrações fizemos, mas se o servimos em nosso próximo. Por quê? Porque na medida em que verdadeiramente fizemos o bem e acorremos às necessidades do nosso próximo, tendo nele a presença do Senhor, não seria preciso perguntar se celebramos com Esplendor Litúrgico. Pois, se o reconhecemos no próximo, é óbvio que o reconhecemos na Liturgia.

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