sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Louvor É de Deus


“O louvor de Deus: O Louvor É de Deus, o Louvor é propriedade d’Ele”



      O louvor de Deus é vida que proclama que Deus é Santo. Nessa perspectiva, os nossos atos devem ser considerados como resultado da graça de Deus como obras da Graça de Deus, e não, como no dizer de São Paulo, obras da lei, aquelas que brotariam do nosso orgulho em querer fazer algo pelas próprias forças: visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem...” (Cf. Rm 3, 20-22). Mas tudo o que há de bom em nós e que fazemos é resultado da ação de Deus em nós, como diz o mesmo Apóstolo: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2, 13).
O que nos resta é o que a Igreja denomina “mérito”, que advém da graça, como traz o Catecismo da Igreja Católica: “Diante de Deus, em sentido estritamente jurídico, não há mérito da parte do homem. Entre Ele e nós a diferença é infinita, pois dele tudo recebemos, dele, que é nosso criador. O mérito do homem diante de Deus, na vida cristã, provém do fato de que Deus livremente determinou associar o homem à obra de sua graça. A ação paternal de Deus vem em primeiro lugar por seu impulso, e o livre agir do homem, em segundo lugar, colaborando com Ele, de sorte que os méritos das boas obras devem ser atribuídos à graça de Deus, primeiramente, e só em segundo lugar ao fiel. O próprio mérito do homem cabe, aliás, a Deus pois suas boas ações procedem, em Cristo, das inspirações do auxilio do Espírito Santo” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2007-2008).
Entretanto, qual é a razão do Louvor de Deus para o ser humano? Como traz o prefácio comum IV, chamado de “o Louvor, dom de Deus”, os nossos louvores não são necessários a Deus, mas é Ele que nos concede o dom, a graça de o louvar. E ainda mais, ao louvarmos a Deus sempre devemos nos lembrar que esses louvores “nada acrescentam ao que sois, mas nos aproximam de vós, por Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso”.
Por isso, os exemplos que nos dão a Sagrada Escritura, daqueles que foram mais próximos de Deus, são aqueles que deixam a graça de Deus agir e com sua própria vida apontam para Deus. Moisés “era um homem humilde, o mais humilde do mundo” (Nm 12, 3), mas é esse Moisés que fala com Deus face a face (cf. Dt 34, 10). Como Maria, que foi a Mãe do Senhor, proclama o louvor de Deus e considera-se a Serva do Senhor (cf. Lc 1, 38.43.47ss). Dentre muitos outros exemplos, como João Batista, cuja frase deve ser como um lema daquele que quer viver o carisma do Louvor de Deus; São João Batista diz com relação a Jesus: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30). Interessante que o verbo “crescer” (aucsanein), no grego, está no infinitivo presente ativo, enquanto, o verbo “diminuir” (elattousthai) está no infinitivo presente passivo, isto é, enquanto Jesus deve crescer, cada um deve ser diminuido, deve se submeter a Deus e que o Senhor se encarregue de nos colocar em nosso lugar.  
Nessa perspectiva, em tudo é o Senhor que deve tomar a frente, em nossa vida tudo, e ainda mais no centro do louvor que é a Liturgia Sagrada, deve ser banido tudo o que é, na linguagem do Papa Bento XVI, protagonismo: “Contradiz a identidade sacerdotal toda a tentativa de se colocarem a si mesmos como protagonistas da acção litúrgica. Aqui, mais do que nunca, o sacerdote é servo e deve continuamente empenhar-se por ser sinal que, como dócil instrumento nas mãos de Cristo, aponta para Ele. Isto exprime-se de modo particular na humildade com que o sacerdote conduz a acção litúrgica, obedecendo ao rito, aderindo ao mesmo com o coração e a mente, evitando tudo o que possa dar a sensação de um seu inoportuno protagonismo. Recomendo, pois, ao clero que não cesse de aprofundar a consciência do seu ministério eucarístico como um serviço humilde a Cristo e à sua Igreja” (Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, N. 24). Isso deve ser aplicável não somente aos sacerdotes ministeriais, nenhuma pessoa deve se antepor a Deus, seja na celebração eucarística ou fora dela, tudo o que recebemos como reconhecimento das pessoas deve ter por referencial único a Deus, e para evitar qualquer tipo de falsa humildade, o mérito virá com certeza, mas é Deus quem vai dispor como esse mérito virá, e quando ele virá, mais uma vez nós cristão, louvaremos a Deus, que nos usou como instrumentos, e mais uma vez, louvando os méritos nossos e dos outros, estaremos louvando o Senhor nosso Deus.
Enfim, o Louvor É de Deus, e somente D’Ele, e que Ele nos ensine a ter a visão correta e equilibrada de Louvor de Deus, Mérito e Graça, para que assim, nunca busquemos qualquer tipo de recompensa, não como os hipócritas que rezavam nas esquinas das praças para aparecer, tendo o reconhecimento dos seres humanos eles já receberam a própria recompensa (misthov) no grego como um pagamento de algo feito, senão aquela recompensa que o Senhor nos dará, (apodósei) o próprio Senhor, a sua entrega (cf. Mt 6, 5-6), e afinal de contas, a Única recompensa que podemos querer é o próprio Senhor, como era dito aos levitas: “Pelo que não terão herança no meio de seus irmãos; o Senhor é a sua herança” (cf. Dt 18, 2). O nosso trabalho, a razão do nosso viver é:

“Vere dignum et iustum est, aequum et salutare, nos tibi
semper et ubique gratias agere: Domine, sancte Pater,
omnipotens aeterne Deus” (PREFATIO DE NATIVITATE DOMINI)

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