sábado, 8 de janeiro de 2011

Sacerdotes Santos e Sábios

“SACERDOTES SANTOS E SÁBIOS”

“De meus filhos, não desejo doutores, no sentido puramente intelectual. Mais do que isto, desejo sacerdotes e religiosos santos e sábios. Somente assim teremos verdadeiros pastores, capazes de reconduzir de volta ao aprisco do Senhor as ovelhas desgarradas do seu rebanho. A palavra do Senhor diz que Ele mesmo cuidaria das suas ovelhas por causa dos pastores infiéis. Deixem-se guiar pelo Espírito Santo de Deus e sejam pastores segundo o Coração de Jesus. É isto que nosso Senhor deseja de nós e foi pensando nisto que Ele permitiu esta Obra”. (Const. 1998, 20).

Pe. Gilberto teve um itinerário formativo muito interessante e muito vasto, filosofia, teologia, letras, sendo que o seu trabalho sobre Guimarães Rosa foi até publicado. Nos anexos das Constituições ele alinhavou todo o curso de filosofia e teologia, e seu sonho sempre foi um Estudantado próprio, porque para o nosso fundador muitas vezes não se ensinava nas cátedras de teologia e filosofia aquilo que era o “Depositum Fidei”. Pela razão primeira de que nós salvistas professamos um quarto voto de “fidelidade ao Santo Padre o Papa, mesmo em seu magistério normal e comum” (Projeto de Constituição, n. 20). Para professar um voto de que devemos ser fieis a um “Depositum Fidei”. Por isso devemos sempre nos perguntar: como ser fiel se não o conhecemos em profundidade? E lembrando que hoje, pela primeira vez na História, é um dos maiores Teólogos do mundo está na Cátedra de Pedro.
Mas padre Gilberto frisa bem, não quer doutores, no sentido puramente intelectual, isto é, o saber, somente pelo saber. Um saber frio, uma ciência que incha no dizer de São Paulo (cf. 1 Cor 8, 1), que só serve para a pessoa aparecer, num orgulho sem fim. Na mesma passagem, o Apóstolo vai dizer que só o amor edifica. Bem como, na 1 Cor 13, 8, proclama que a ciência desaparecerá. Bem como todos os outros dons carismáticos, somente o amor permanecerá.
Mas então o que seria sacerdotes santos e sábios, qual seria o papel da formação intelectual, como quer a Igreja, conforme a “Pastores Dabo Vobis”.

“Moisés chamou a Bezalel, e a Aoliabe, e a todo homem hábil em cujo coração o Senhor tinha posto sabedoria, (em heb. RACAM, traduzido pelo grego por sofian) isto é, a todo homem cujo coração o impeliu a se chegar à obra para fazê-la”.[1]

Para fazer os utensílios da Tenda da Reunião, Moisés chama aqueles, cujo coração Deus colocou sabedoria, um coração sábio, se percebe que o conceito de sabedoria (racam) está ligado a fazer uma obra, a poder fazer aquilo que é vontade de Deus. Mas, não é um fazer qualquer, sabedoria é fazer a partir do coração, mas um coração cheio de sabedoria, um coração formado pelo Senhor, a partir desse coração aí sim se conseguirá fazer obras que agradem verdadeiramente ao Senhor, como tantas vezes já meditamos sobre o Louvor de Deus.
Mas o coração insensato é o coração entregue a si mesmo, um coração fechado ao Senhor, um coração vazio.
Nessa perspectiva o estudo filosófico que intenta fazer-nos conhecer o patrimônio do pensamento humano, e a ciência da fé, a Teologia, entram para formar o coração humano para fazer obras que louvem a Deus. Mas a sabedoria é uma conquista que depende do esforço humano, não se pode pretender a santidade de um coração entregue a si mesmo, um coração fechado para o conhecimento da Palavra de Deus, pois se Deus quis utilizar-se de escritores humanos, e o Espírito falou através deles, também hoje, a Palavra contida na Bíblia e na Tradição, interpretada pela Igreja e em Igreja, só pode ser entendida e transformar o coração humano se o mesmo ser humano, com a ajuda da graça de Deus deixar-se formar por Deus.
Deus faça que sejamos fieis ao Pe. Gilberto, e a seu exemplo amemos o que a Igreja nos ensina e não encarar Teologia e Filosofia somente como uma etapa estafante para chegar ao sacerdócio, não podemos ser tarefeiros, “faço porque me mandam”, mas conforme o Direito Canônico:

“Cân. 252 § 1. A formação teológica, sob a luz da fé e a orientação do magistério, seja dada de tal modo que os alunos conheçam toda a doutrina católica, fundamentada na Revelação divina, dela façam alimento de sua vida espiritual e possam anunciá-la e defendê-la devidamente no exercício do ministério”.
“Cân. 251 A formação filosófica, que deve estar baseada num patrimônio filosófico perenemente válido e também levar em conta a investigação filosófica no progresso do tempo, seja ministrada de tal modo que complete a formação humana dos alunos, lhes aguce a mente e os torne mais aptos para fazerem os estudos teológicos”.

Como o citado cân. diz o conhecimento da doutrina católica, fundamentada na Tradição, deve ser alimento da vida espiritual, nada mais do que falamos acima sobre sabedoria, deve alimentar o coração de tal modo que as decisões que daí brotam possam fazer o ser humano crescer em direção a Deus e isto é santidade.

E finalmente, num mundo em que a mentira grassa, em que a frase de Joseph Goebbels, principal agente da propaganda Nazista, Minta, e minta muito e sempre, que a mentira se transformará em realidade”, num Brasil em que governantes sorridentes, que sustentam o povo com esmolas e não privilegiam em nada o estudo, muito pelo contrário gabam-se de não estudar, diante da corrupção mentem e ensinam o povo a mentir, nós cristãos, principalmente sacerdotes devemos ter a frente a Palavra de Deus e pregá-la, oportuna e inoportunamente (cf. 2ª Tm 4, 2), ser verdadeiros profetas, e sempre e somente a verdade que liberte o nosso povo (Jo 8, 32). Do contrário, a nós que temos um fundador que expressou que quer sacerdotes santos, isto é que vivam a Palavra de Deus, e sábios, porque essa Palavra transforma o seu coração, vamos ter que arcar com a advertência de Oséias:

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”. (Os 4, 6)

Por isso peçamos a Deus que em nosso coração seja impressa uma passagem bíblica que nosso Pai Fundador tanto apreciava:
 “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos” (Ml 2, 7).


[1]Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Atualizada - Com Números De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil, 2003; 2005, S. Êx 36:2

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