segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A urgência da Missão Impressões sobre o Retiro do Clero Salvista com Dom Azcona


A urgência da Missão
Impressões sobre o Retiro do Clero Salvista com Dom Azcona

            Tivemos um Retiro com Dom José Luiz Azcona, Bispo da Prelazia do Marajó, nos dias de 3 a 7 de setembro de 2012. O tema “Urgência da Missão” nos fez refletir como salvistas sobre a dimensão missionária do nosso carisma, o objetivo aqui é somente pontuar o que foi ouvido para futuras reflexões.
            A missão é o objetivo maior do Concílio Vaticano II e presente na “Carta Encíclica Redemptoris Missio” do Papa João Paulo II. A missão é fruto da fé, por isso é inútil falar em missão se não se falar em reavivamento da fé.
            Hoje percebemos grupos inteiros que se rebelam contra o Magistério Pontífício (lembremos do quarto voto de fidelidade ao papa), como padres na Áustria que querem de sacerdócio feminino até a quebra do celibato, ou religiosas norte-americanas que são a favor de relações homossexuais, masturbação, e outras coisas mais. Sob essas posições está o neo-pelagianismo, uma reedição da heresia combatida por Santo Agostinho, que não vê primazia na graça, mas a graça é apenas uma auxílio e que o próprio homem pode salvar-se; pragmatismo pastoral e ativismo, da mesma maneira o homem se coloca a frente da ação pastoral como se não houvesse Deus. Um workaholic pastoral, isto é um trabalhador compulsivo, um viciado em trabalho para fugir da própria vida. Também sob essas posições está também um superracionalismo, um orgulho intelectual, ou até um novo gnosticismo no qual o ser humano acha que pelo conhecimento se chega a Deus, despreza a ação da graça no ser humano de carne e osso, e se arroga a Deus como no caso da Torre de Babel (cf. Gn 11, 1-9). Se de um lado podemos ver nessas posições todas, uma busca de uma liberdade irrestrita representada na Igreja no que se chamou progressismo, também no Tradicionalismo se vê o legalismo, como retorno ao Janseísmo, que absolutiza a lei e vê nela a salvação, nessa posição também está o orgulho humano que quer salvar a si mesmo.
            Nessa perspectiva vemos o enlace total entre fé – conversão – batismo – missão, como presente no livro dos Atos dos Apóstolos, principalmente no capítulo segundo. Sem essa relação a Missão não se sustenta. Por isso, nos é lembrado que a Igreja dando a fé é que Ela se fortalece. O envio missionário é para fazer discípulos, conversão é a resposta ao envio de Jesus. Conversão que é fruto de um arrependimento pleno dos pecados pela graça de Deus.
            O missionário para pregar a fé e a conversão, precisa viver uma conversão autêntica e contínua. Há falsas conversões que aparentemente parecem dar frutos, mas são vazias, pois se baseiam no orgulho humano, como no dizer de Mt 6, obras boas são feitas mas como são feitas para aparecer por orgulho e hipocrisia não convertem, pois não chamam a atenção para Deus, mas para si mesmos. Na perspectiva do carisma do “Louvor de Deus”, as nossas obras a partir da graça devem louvar unicamente a Deus, o único necessário (cf. Lc 10, 42), mais uma vez afirmamos o contrário desse Louvor é a hipocrisia, que realiza obras que aparentam louvor mas apenas apontam para o próprio aparecer.
            Nesse ponto devemos lembrar que nossa conversão é para Deus, e não para uma comunidade ou para uma estrutura, como alguns caem numa “eclesiolatria”, não veem a Igreja como Corpo de Cristo, mas somente como uma estrutura de poder humano. A conversão é para Jesus, para Deus, só a Ele devemos adorar (cf. Mt 4, 9).
            Conversão a Cristo e este crucificado, é esse que nós pregamos (cf. 1 Cor 2, 1-5), e é a partir da reconciliação com o Cristo Crucificado que ouvimos na pregação é que nos faz justificar o nome que recebemos: “salvistas” (cf. 2 Cor 5, 18-19).
            Diante de tudo isso queremos agora relacionar com o nosso carisma.
            Quando afirmamos que o nosso carisma é o Louvor de Deus, e que na medida que nos unimos pela Graça ao próprio Deus, nossas ações louvam e bendizem a Deus, pois a fé opera pela caridade (cf. Gl 5, 6). É impossível num pensar salvista deixar entrar um mínimo de ativismo vazio ou neo-pelagianismo, pois achar que qualquer obra não brota da graça de Deus, ela não é um louvor de Deus, mas sim obras da carne (cf. Gl 5), ou obras da lei (cf. Rm 3,20), por isso todo legalismo deve ser execrado. Por isso, a missão salvista nasce de uma busca de propiciar o encontro da pessoa com Deus (conversão), a partir dessa conversão a pessoa imersa na graça que nos vem dos sacramentos (graça), e que o salvista pelo esplendor litúrgico (dimensão batismal – sacerdócio real) propicia ainda mais a abertura da pessoa a essa graça, faz com que essa pessoa plena da graça faça obras da graça que se tornam um Louvor de Deus.
            O missionário salvista faz missão dessa forma e em qualquer lugar em que ele esteja, como no dizer do nosso Pai Fundador, Pe Gilberto, o salvista pode trabalhar em qualquer área na medida que ele siga o itinerário da graça e não de um neo-pelagianismo ativista ou de um legalismo vazio. Missionário que vive uma conversão contínua, vivida na contrição e confissão, e também no exercício da liturgia e do amor ao próximo, obras que Louvam a Deus propiciando a santificação pessoal e comunitária.
            Missão, um esquema do processo na Graça de Deus:

Conversão
Batismo
Missão
Igreja (Corpo de Cristo)



Deus
Dimensão Eclesial
Obras que Louvam a Deus
Batismo no Espírito
Espiritualidade Carismática
Esplendor
Liturgico
Missão Salvista
(santificação pessoal e comunitária)
4º voto
Vivida pelo salvista


            Que Deus pelo seu Espírito Santo nos ajude para que esses pontos possam cada vez mais nos fazer entender o carisma salvista do “Louvor de Deus’, para que Jesus Salvador possa ser cada vez mais anunciado e louvado e assim Deus seja tudo em todos (cf. 1 Cor 15, 28).

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