segunda-feira, 14 de maio de 2012

Monografia Frater Inácio: O CARISMA DO LOUVOR DE DEUS: UMA RESPOSTA AO NOSSO TEMPO


INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS RELIGIOSAS SÃO BOAVENTURA

















O CARISMA DO LOUVOR DE DEUS: UMA RESPOSTA AO NOSSO TEMPO






























São Paulo – 2011
FRATER INÁCIO

















O CARISMA DO LOUVOR DE DEUS, UMA RESPOSTA AO NOSSO TEMPO









Monografia apresentada para a conclusão do Curso de Teologia do “Instituto de Filosofia e Ciências Religiosa São Boaventura” sob orientação do Pe. Micael de Moraes,sjs.















São Paulo – 2011
SUMÁRIO


Introdução.......................................................................................................................
1 – O DOM DO ESPÍRITO NA COMUNIDADE DE SALVAÇÃO
1.      O Espírito Santo na história de Salvação....................................................................
2.      Espírito que dá Vida....................................................................................................
3.      O Espírito do Senhor...................................................................................................
3.1 A missão de Jesus no Espírito...............................................................................
4.      Carismas (Khárisma), a ação renovadora do Espírito.................................................
4.1    Carismas de Vida Consagrada..............................................................................
4.2    Alguns aspectos do carisma na Vida Consagrada.................................................
2 - O CARISMA DO LOUVOR DE DEUS
1.    A criação louva o seu Criador......................................................................................
2.    O Cristo que louva.......................................................................................................
3.    O louvor conduz à Comunhão......................................................................................
4.    O Louvor de Deus........................................................................................................
5.    A novidade do Espírito.................................................................................................
3 – O LOUVOR DE DEUS, UMA RESPOSTA AO NOSSO TEMPO!
1.    Pe. Gilberto Maria Defina,sjs.......................................................................................
2.    A fundação da Fraternidade Jesus Salvador.................................................................
2.1                       O Carisma da FJS, o Louvor de Deus.......................................................
3. O louvor que santifica ..................................................................................................
Conclusão.........................................................................................................................
Bibliografia......................................................................................................................

INTRODUÇÃO
            Este trabalho pretende trazer uma reflexão sobre a manifestação de Deus na história humana como resposta às necessidades do homem em seu contexto contemporâneo, sobretudo através da inspiração de carismas específicos que são como profetas à humanidade. Os carismas como dons de Deus para a salvação de todo o gênero humano são formas eficazes desta epifania de Deus.
            Desde a criação do mundo, Deus não cessa de comunicar o seu Amor aos homens. Assim o foi desde a Aliança realizada com Abraão e ratificada com Moisés e o povo eleito; os profetas como luzeiros em meio às trevas, indicam aos homens as veredas do Senhor. Jesus Cristo é a máxima expressão do olhar amoroso de Deus à humanidade. Jesus revela o Deus-Conosco, num caminho de Ordos Amoris.
            Seguindo o método dedutivo, no primeiro capítulo veremos a ação do Espírito Santo na história de salvação conduzindo o coração do homem a Deus através de inspirações carismáticas, no desejo de realizar um encontro com Deus na realidade humana presente, com seus desafios e evoluções. No segundo capítulo será abordado o tema central deste trabalho, o Louvor de Deus. Louvor este que é o mais puro reconhecimento da santidade de Deus e de Seu Senhorio sobre a criação inteira. É profissão de fé no Deus que é amor, misericórdia e compaixão expressos de maneira plena na vida do Cristo. É louvor como abertura para vida em Deus através da comunhão, partilha e alegria da entrega. A exemplo da comunidade cristã primitiva, o homem hodierno é chamado a em tudo reconhecer o amor de Deus que tudo dispôs para sua salvação. É uma dialética de encontro com Deus no amor e na liberdade.
            No terceiro capítulo veremos a concretização desta abordagem na vida história através do Louvor de Deus como carisma específico de uma Comunidade Religiosa fundada por um sacerdote brasileiro, idoso, fraco e debilitado, mas que soube ouvir a voz do seu Senhor e obedecer-Lhe em tudo. É a manifestação do querer de Deus- a santidade- à humanidade inteira através dos vocacionados a serem em tudo, Louvor de Deus. Onde perceberemos que o Louvor de Deus é uma das manifestações do Espírito Santo lida a partir da história humana numa antropologia social que parte de necessidades concretas inerentes ao homem contemporâneo.
           
           

CAPÍTULO I
O DOM DO ESPÍRITO NA COMUNIDADE DE SALVAÇÃO

1.      O Espírito Santo na história de Salvação

            “O sopro de Deus me criou, a inspiração do Poderoso me faz viver” (Jó 33,4). Toda a criação é ação trinitária, onde o Pai, pelo Filho no Espírito cria todas as coisas. Toda a criação traz em si as marcas de seu Deus criador e Senhor e, em particular o ser humano que recebeu de Deus, fonte da vida, o Sopro vital, com o qual foi chamado à existência[1] onde, a mesma o distingue dos outros seres pela comunhão com o eterno. O expoente da criação de Deus é o ser humano, fruto de seu amor, fazendo-o participar de sua vida divina. Em todo ser humano, imagem e semelhança de Deus, está presente o Espírito Santo. Tal visão nos permite fazer uma reflexão sobre a 3ª Pessoa da Trindade, coextensiva com a história da criação. É Ele quem insufla vida no processo criativo e evolutivo de toda a criação, assim vemos ao contemplarmos o surgimento da vida e a evolução das criaturas.
            Podemos livremente falar do Espírito como o Sopro de vida. É este sopro de vida que insufla desde o início da criação até os dias de hoje. “É o Sopro Sagrado de Deus que encontramos em todas as nossas experiências de comunhão autêntica. É o Sopro de Deus que leva a criação a um futuro aberto que renova todas as coisas” [2]. Temos uma constante tendência de limitarmos a ação do Espírito Santo à manifestação em Pentecostes, onde este, se manifesta sobre os Apóstolos no Cenáculo. Por vezes, esquecemo-nos de que toda a ação criadora de Deus é uma ação trinitária, ainda que numa maneira não explícita. Toda ação de Deus Pai no decorrer da história é uma ação conjunta com a Pessoa do Filho no Espírito Santo. Não é nosso intuito descrevermos sobre um tratado trinitário na criação, somente fazer luz à participação das Pessoas na obra da criada.
            Na leitura da história a ação do Espírito, anterior ao Pentecostes, é facilmente deixada de lado, sobretudo no Antigo Testamento. Vemos na criação, a manifestação criadora do Pai; no mistério da Encarnação, a manifestação do Verbo Divino, onde por vezes, não se observa a manifestação do Espírito. O processo do Espírito na criação, longe de ser estático e limitado a um determinado momento, é dinâmico, aberto sempre a possibilidades, incluindo evoluções.
O Espírito bíblico não é limitado por zonas de confortos humanas. O Espírito de Deus sopra onde quer (Jo 3,8). Esse Espírito selvagem e imprevisível pode ser visualizado na imagem da chama que confronta Moisés na sarça ardente (Êxodo 3,2) e no redemoinho que é o lugar de Deus para Jó (38,1), mas também pode ser experimentado ‘no som do mero silêncio’ que é o sinal da presença divina para Elias (I Reis 19,12) [3].

2.       Espírito que dá Vida

            Um termo muito comum para designar o Espírito é o grego Ruah, ainda que na tradição judaica o “Espírito de Deus” não era entendido como Pessoa, mas como uma maneira de expressar a ação de Deus. Este termo designa uma força interior e exterior como manifestação, que age sobre o homem. Numa compreensão pneumatológica, Ruah toma características de movimento, amplitude, sopro animador. Entendido no Antigo Testamento como força de Iahweh. Foi Ele o insuflado nas narinas do homem dando-lhe vida (como em Gênesis 2,7- “o sopro da vida”)[4].
            “O Espírito se dirige a cada homem - na concretude de sua situação histórica em que vive, ‘na sua única e irrepetível realidade humana’- para tecer com ele um diálogo de amor e, por isso, um diálogo de liberdade da pessoa” [5]. É este diálogo que permite ao homem a sua participação na história salvífica. É este o desejo de Deus: a comunhão com o ser humano e dos homens entre si. É ele, o homem, chamado a reconhecer na história e em sua vida pessoal, a manifestação do Espírito, inserindo-se no projeto de salvação de Deus. O Espírito conduz o homem ao encontro da sua dignidade de pessoa humana, lendo as marcas do Criador na natureza.
            “O Ruah está designado de modo particular nos papéis maternos da criação, manutenção e proteção da vida” [6]. Havendo desta maneira uma intrínseca relação entre Espírito e vida. Esta relação expõe diretamente a atuação do Espírito nos textos bíblicos. É Aquele que age por liderança carismática no livro histórico dos Juízes, no profetismo e na monarquia descritos no Antigo Testamento, e ainda, sob o aspecto messiânico salvífico nos textos neotestamentários. Na comunhão da Trindade é Ele o amor de comunhão entre o Pai e o Filho eclodindo na criação. É amor ilimitado, evolutivo.
           
3.       O Espírito do Senhor


            A promessa messiânica do Antigo Testamento encontra sua plenitude no evento da encarnação do Verbo. Tal evento está selado quando a Virgem concebe, pela ação do Espírito, o Emanuel, o Servo Fiel. O Lógos descrito em Jo 1,3, pela ação do Espírito faz-se homem, assumindo a condição humana. O Cristo antes de se encarnar é Palavra criadora do Pai, e no ato do encarnar-se, se torna Palavra re-criadora[7]. Santo Irineu aplicava a analogia das duas mãos de Deus na criação: A Palavra e o Espírito[8]. É o que chamamos de Pericorese[9].
Quando, porém, chegou à plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher e colocado sob a lei, para remir os que estavam sob a lei e para que recebêssemos a filiação. E porque sois filhos, Deus enviou em nosso coração o Espírito de seu Filho, o Espírito que clama: Abbá, Pai (Gl 4,4-6).

3.1  A missão de Jesus no Espírito
            O Espírito que repousa sobre Jesus na cena do batismo, o prepara para a missão dando início a sua vida pública: “No momento em que ele subia da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito como pomba descer sobre ele (...). Imediatamente o Espírito o impeliu ao deserto (...) depois Jesus veio para a Galiléia. Ele proclamava o Reino de Deus: (...) convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,9-15). É o Ruah quem dá testemunho das obras do Filho (Cf. Jo 5,32), realizando-as não para sua glória, mas para glorificação do Pai. A missão mesma de Jesus é obra do Espírito que repousa sobre Ele. “Quando o pai envia o seu Verbo, envia sempre o seu Sopro: missão conjunta em que o Filho e o Espírito são inseparáveis”. [10] A plenitude do Espírito por sua vez, é Revelada somente após a glorificação de Jesus.
            É o Espírito Santo ainda, o “objetivo” da promessa de Jesus aos seus discípulos, aos quais enviaria outro Paráclito, que permaneceria para sempre: O “espírito de sabedoria e de discernimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Iahweh”, aquele que “julgará os fracos com justiça” (Isaías 11,3-4). Tal promessa de Jesus se concretiza no cenário de Pentecostes, na aparição das línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre todos os que ali estavam e, cheios do Espírito Santo, falaram em línguas. Note-se, contudo, o caráter eclesiológico do evento, onde a partir da experiência do Paráclito, Pedro faz o seu discurso (Cf. At 2,14ss); ocorre as primeiras conversões e a formação daquela que seria a primeira comunidade, que viria a ser a grande ekklesia.
            “O Espírito é apresentado como fundamento da renovação da Igreja: ‘... pessoa divina, ele está no coração da fé cristã e é a fonte e a força dinâmica da renovação da Igreja”[11]. É ele o grande protagonista da história da Igreja fundada por Cristo na missão da salvação das almas. Deste modo, ele age diretamente na história, em povos e culturas, de modo concreto. O Espírito Santo opera no meio da Igreja, numa ação Kenótica em analogia à Kenosis do Filho. Este último assumiu a forma humana, Deus se fazendo homem, que se oferece na oblação da cruz. Por sua vez, a Kenosis do Espírito está em seu agir no mundo através de realidades humanas e históricas desde a criação do mundo. Quando o Pai envia o seu Filho unigênito, envia também o Espírito que unido a Cristo nos incita a chamarmos Deus de Pai- Abbá! (Rm 8,15). Atestamos o Espírito Santo a partir de sua ação na Igreja revelando às gentes o Cristo, manifestação do Pai. Prova desta ação dinâmica do Espírito na história de salvação é a inspiração de diversas formas de vida que surgiram ao longo dos séculos no seio da Igreja, no anseio de em tudo cumprir a vontade do Pai, recordando tudo o que ensinou o Cristo, formando um só corpo, elevando o batismo à sua radicalidade.

O Espírito, portanto, está na própria fonte do questionamento existencial e religioso do ser humano, um questionamento que é ocasionado não apenas por situações contingentes, mas pela própria estrutura do seu ser (...). A presença e a atividade do Espírito afetam não apenas os indivíduos, mas também a sociedade e a história, as pessoas, culturas e religiões.  Na verdade, o Espírito está na origem dos nobres ideais e empreendimentos que beneficiam a humanidade na sua jornada ao longo da História[12].
4.      Carismas (khárisma), ação renovadora do Espírito
            Em toda a história de salvação, Deus nunca deixou de estar em meio ao seu povo, cercando-o de “carinho e proteção” (Sl 125,2), vindo ao encontro segundo suas esperanças. Segundo as necessidades de cada tempo, Deus inspira à sua Igreja novas formas de vida que vão ao encontro do homem “de hoje” para libertá-lo do jugo da escravidão. O Espírito por sua ação, mantém vivas, purifica e realiza tais esperanças e expectativas pessoais e comunitárias. E o cumprimento de tais esperanças é Jesus, o Deus que salva.
            “Os carismas são graças do Espírito Santo que, direta ou indiretamente, têm uma utilidade eclesial, pois são ordenados à edificação da Igreja, ao bem dos homens e às necessidades do mundo”[13]. Do grego Charis, numa concepção neotestamentária, designa graça, dons que estão em favor da humanidade. Tais dons são bens que originam-se da necessidade de cada tempo, inspirados para a continuação eficaz e correspondente da missão da Igreja ao bem comum. Segundo o Dicionário de Vida Consagrada, etimologicamente o termo carisma se refere ao objeto e resultado da graça divina (Charis)[14].
            Numa visão paulina, os carismas do Espírito estão sempre para edificar a Igreja, e dar frutos de “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio” (Gl 5,16-23); é graça unicamente dada (gratia gratis data) gratuitamente pelo Espírito (gratia gratum faciens) que se diversifica em cada pessoa singular com a finalidade do serviço eclesial (Cf. Rm 12). 

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e esperanças, as angústias e as tristezas dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração[15].

4.1  Carismas de Vida Consagrada
            Sem entrar em características específicas, temos em toda a história da Igreja formas de vida que nascem na busca de viver de modo mais radical os ensinamentos de Cristo; homens e mulheres que fazem girar todo o seu projeto de vida em torno de Deus. É inspirado no seio da Igreja movimentos que buscavam uma comunhão mais perfeita com o Senhor, numa nova experiência de transcendência, baseada na vivência radical do Evangelho. Tais movimentos “carismáticos” sempre contribuem com a renovação espiritual e apostólica da Igreja. No vento impetuoso do Espírito, novas formas de vida foram surgindo, ainda que diante de grandes perseguições.
            Assim vemos o nascer da vida monacal e cenobítica com os Padres do Deserto com Antão (356), Pacômio (348) e Bento de Núrsia (480). Entre tantos outros vemos ainda o nascimento dos Cistercienses (1098), os Premonstratenses (1121), os Agostinianos, A Ordem dos Carmelitas (1226), ordens militares como os Templários (1119), os Cavaleiros de Malta (1530). E as duas grandes ordens mendicantes: os Franciscanos[16] (1209) e os Dominicanos (1216) nos séculos XI e XII. Surgem os Jesuítas com Inácio de Loyola (1556), os Carmelitas Descalços (1582), os Redentoristas (1732), os Maristas (1816), Conferência de São Vicente (1833). Enfim, inúmeras formas de vida, assinalando desta forma a originalidade da presença do Espírito que se manifesta na história. A ação do Espírito se manifesta extraordinariamente através de seus carismas que são respostas para suas respectivas épocas, atualizadas segundo as necessidades da Igreja e da humanidade.
            Se podemos falar de um primeiro momento da história do Espírito que diz respeito à criação, da mesma forma, podemos falar de um segundo momento que envolve a graça do Espírito que transforma a existência humana a partir dos princípios dos conversão e adesão ao Evangelho, escuta e disponibilidade para caminhar com Ele, fidelidade e docilidade ao Espírito que guia a Igreja rumo a verdade plena (cf. Jo 16,13).
            Estas inspirações do Espírito foram, em todo o decorrer da vida da Igreja, uma presença do Espírito como um espaço de amor absoluto a Deus e ao próximo. Aqueles que adotam um estado de vida na vivência radical no Evangelho, diante da cultura presente em seu tempo, se interpõem como uma contradição. Estes são aqueles que, por ação do Espírito, assumem a primazia do Absoluto. Tudo impulsionado pelo Espírito Santo que pelo Filho glorifica o Pai, “pois continua a operar nos crentes como operou nas testemunhas oculares”[17]. O Espírito vem como dom do Filho para dar testemunho d’Ele, e concluir sua obra. Entre as obras do Espírito encontra-se a Igreja, e nesta, as diversas inspirações de vida consagrada que celebram o Mistério Pascal e testemunham-no.
4.2  Alguns aspectos do carisma na Vida Consagrada
            A vida consagrada é um dom particular na vida de toda a Igreja. Aqueles que pertencem à sua hierarquia devem estar atentos e dispostos às novas inspirações do Espírito que fazem surgir “diferentes dons” (Cf. ICor 12, 4-7) nos tempos atuais. Esta foi a experiência que fez São Bento de Núrsia, Santa Teresa de Jesus e muitos outros que foram chamados Fundadores, tendo recebido de Deus a inspiração de uma “obra nova” através de um carisma específico.
            Desde os primórdios da Igreja existiram homens e mulheres que desejaram seguir a Cristo com liberdade e imitá-lo mais de perto, e fundaram famílias religiosas acolhidas e aprovadas pela Igreja conforme o Plano Divino[18]. Eles são aqueles que transmitem a inspiração da nova fundação aos seus discípulos. São fundadores aqueles que, tendo recebido a inspiração e capacitados pelo Espírito a fundar no seio da Igreja uma nova comunidade de vida consagrada, transmitem aos seus discípulos a experiência do Espírito para que seja vivida, custodiada, aprofundada e desenvolvida em sintonia com o corpo de Cristo[19]. É um dom pessoal na pessoa do fundador; um dom comunitário no chamado a outros homens e mulheres a comungarem deste novo carisma, e um dom eclesial, pois estão para edificar a Igreja.
            É importante a distinção entre o carisma de fundador, que constitui de modo geral, aquele que é chamado por Deus a fundar uma nova comunidade, um novo estilo de vida espiritual para a renovação e expansão da Igreja e, o carisma do fundador que, por sua vez, se refere ao dom específico a todo fundador para perceber, viver e mostrar na história uma experiência particular do mistério de Cristo. Sendo assim os dois se unem. O fundador, na experiência de uma nova compreensão do mistério salvífico de Cristo, impele a outros sua experiência. Seus seguidores, por sua vez, a atualizam segundo as “condições sociais dos tempos em que vivem e das necessidades da Igreja”[20].
            A experiência fundante acontece no limiar da vida do fundador, ou seja, o período de fundação acontece do nascimento da nova comunidade até o fim da vida de seu fundador. Isto não diz, contudo, que a nova comunidade deve permanecer estática, mas sim numa continuidade dinâmica deve prosseguir fiel ao carisma do fundador segundo a inspiração primeira. Com isto temos o assim chamado carisma de fundação ou ainda, carisma do instituto, ao qual deve ser custodiada, enriquecida e desenvolvida pelos discípulos de um determinado fundador. Desta forma, a comunidade busca estar, segundo as exigências do tempo presente, fiel à voz do Senhor que a inspirou e sustenta e ao espírito da nova comunidade. A isto se compreende as intenções primigênias e originais do fundador, e junto com isso, todas as tradições, escritas ou vivas, que cada instituto possui desde o início de sua vida eclesial.
           


















II CAPÍTULO
O CARISMA DO LOUVOR DE DEUS
1.      A criação louva o seu Criador
Toda a criação, vinda das “mãos mesmas de Deus” tem por fim, um único propósito: proclamar a sua dependência do seu Criador, louvando-o e adorando-o com a sua existência; proclamando o seu Senhorio. Isto ela faz impulsionada pelo Espírito - o Ruah de Deus. Este é o reconhecimento de Deus, homenageando-lhe com a vida dirigida à Sua glória, como transbordar mesmo de seu amor na criação. Como dizia Santo Agostinho: “Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar, interroga a beleza do ar que se dilata e se difunde, interroga a beleza do céu... interroga todas estas realidades. Sua beleza é um hino de louvor”[21]. Esta contemplação é a mais perfeita oração, onde o coração do homem volta-se inteiramente para Deus reconhecendo-o como único Senhor de toda a criação.
Toda a tradição judaico-cristã traz consigo a Liturgia de Louvor. “O nascimento de Isaac, a saída do Egito (Páscoa e Exôdo), o dom da Terra Prometida, a eleição de Davi, a presença de Deus no Templo, o exílio purificador e o retorno de um ‘pequeno resto’. A Lei, os profetas e os salmos tecem a liturgia do povo eleito”[22]. Na liturgia da Igreja encontramos o justo movimento de louvor: o Pai é reconhecido e adorado como fonte e origem de toda divindade, que pelo mistério de redenção de seu Filho derrama sobre nossos corações o Espírito Santo. Deste modo, a Igreja está unida ao seu Senhor, no louvor e adoração a Deus. Por outro lado, não cessa de oferecer-lhe a oferta de si implorando o seu Espírito para renovar a face da terra gerando frutos de louvor e ação de graças. “O louvor de Deus é vida que proclama que Deus é Santo”[23].
No Antigo Testamento, o texto dos תהילים (Tehillîm), o livro dos Salmos, é conhecido como o livro dos louvores. É “louvor dirigido a Deus por sua obra na criação e na história”[24]. Como oração comunitária e também pessoal, os salmos emanam os louvores da boca daqueles que creem ser obras das mãos de Deus; é o halal[25], o grito de alegria, a celebração da força de Deus. Os homens são inspirados pelo Espírito Santo à celebração das maravilhas de Deus no mistério da criação (cf. Salmo 135), resultando no louvor perene, o Hallelu-Ya. “O Salmo é benção pronunciada pelo povo, louvor de Deus pela assembléia (...) melodiosa profissão de fé”[26].
 Na liturgia cristã, a oração se dá na contemplação da vida do Verbo que “se fez carne e habitou entre nós” (Jo1, 14), ouvindo o que Ele nos ensina. O Novo Testamento consta cerca de 80 citações dos salmos, sendo que 30 delas aparecem na boca de Jesus evidenciando o próprio Cristo que louva ao Pai, acentuando sua filial dependência.  O catecismo na Igreja Católica nos ensina que “o Louvor é a forma de oração que reconhece o mais imediatamente possível que Deus é Deus!”[27] É o reconhecimento daquilo que Ele é, mais do que aquilo que Ele faz. Isto só é possível pela ação do Espírito que nos impulsiona a glorificarmos ao Pai por nossa filiação no Filho. O Catecismo continua: “o louvor nos integra Àquele que é a sua fonte: ‘O único Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem nós somos feitos (I Cor 8,6)’”[28].

Se o homem é realmente sujeito – um ser de transcendência, de responsabilidade e de liberdade, que enquanto confia em si mesmo é incapaz de dispor de si -, com este fundo ele é um ser orientado para Deus (...). Por isso podemos dizer que, para o homem, a coisa mais simples e inevitável é o fato que na sua existência exista a palavra ‘Deus’[29].

            Deus que reina de geração em geração suscitará um Reino que nunca será destruído. Para o antigo judaísmo, o reinado permanente de Deus é o seu ser Senhor sobre Israel, assim se recita no Shema, a profissão em um único Deus. Para a fé cristã, este Reino acontece na Encarnação onde Deus se dá a revelar: O Reino de Deus não vêm como um fato observável, não se dirá: ‘Ei-lo aqui’ ou ‘Ei-lo ali’. Com efeito, o Reino de Deus está entre vós (cf. Lc 17,20-21).

2.      O Cristo que louva
O mistério da Encarnação é a autorevelação de Deus ao seu povo eleito como o transbordar do Seu amor. Todas as ações do Cristo, o Cristo que prega, cura, liberta e salva, são feitas no Espírito, tem o fim único e último de glorificar ao Pai. A comunidade primitiva, atenta aos ensinamentos do Cristo, era a comunidade dos que “louvavam a Deus” (At 2,47).  “Intimamente ligado à escuta da Palavra e à fé, o louvor exprime a admiração mais profunda”[30]. A vida do Cristo foi uma perfeita oblação, para que em tudo o Pai fosse conhecido e amado. Deus é sempre o objeto de seu louvor.

Ele é a imagem do Deus invisível, o Primogênito de toda criatura, porque nele foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: Trono, Soberanias, Principados, Autoridades, tudo foi criado por ele e para ele. É antes de tudo e tudo nele subsiste. É cabeça da Igreja que é seu Corpo. É o Princípio, o primogênito dos mortos, tendo em tudo a primazia, pois nele aprouve a Deus fazer habitar toda a Plenitude e reconciliar por Ele e para ele todos os seres, os da terra e os dos céus, realizando a paz pelo sangue de sua cruz (Cl 1,15-20).

Expressão maior do perene louvor do Filho ao Pai no Espírito é o sacrifício que se dá na cruz (Kenosis). A Paixão, morte e ressurreição de Jesus é oferta de louvor, é entrega para a glória do Pai, para que todos saibam que é Ele o Deus verdadeiro (Cf. Jo 17,3). Jesus de modo algum rompe com o Antigo Testamento, mas propõe novidades na proclamação da bondade, gratuidade, misericórdia e amor paterno para com todos os homens. Mesmo quando não fala explicitamente do Pai, tudo n’Ele aponta para o Pai e tem n’Ele a sua razão de ser.
O exemplo do Cristo nos move a manifestar toda a nossa alegria, sofrimento, todo acontecimento ou necessidade como ação de graças. Esta é uma experiência de dependência onde devemos reconhecer em nós que tudo vem de Deus por desígnio de seu amor e tudo devemos render a Ele, pois n’Ele vivemos, nos movemos e existimos”, pois “tudo Ele criou para sua glória” (Cf. At 17,28). Tal homenagem é próprio de quem louva. Segundo o convite do Apóstolo, “em tudo demos graças” (ITs 5,18) pelo que Deus é.
 “O louvor supõe uma disponibilidade à escuta da palavra de Deus e a capacidade de discerni-lo em suas ações e suas obras (...). É confissão que proclama o amor de Deus”[31]. É o momento da antecipação da Βασίλεια του Θεού[32] entendida escatologicamente: é o tempo da salvação, a consumação do mundo, a reconstituição da comunhão de vida entre Deus e o ser humano[33]. Deste modo, unidos ao sacrifício do Cristo, oferecemos a Deus um perene sacrifício de louvor, ou seja, é nossa vida unida à vida de Cristo em oferta ao Pai na força do Espírito Santo.
Naquele momento ele exultou de alegria sob a ação do Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado (...)” (Lc 10,21).
O louvor nos configura ao Mistério Pascal do Cristo que se humilhou obedecendo em tudo os desígnios do Pai, para a sua glória. É o Cristo o louvor por excelência e os homens em união com Ele elevam-se como hóstias vivas de agradável odor ao Senhor.
3.      O louvor conduz à Comunhão
            A Revelação do Deus Criador chegou à sua plenitude em Jesus Cristo. Na tradição judaico-cristã, esta revelação paterna de Deus encontra sua fertilidade na compreensão da dependência das criaturas do seu Criador. Em Jesus temos acesso ao Abbá, ou seja, ao Deus que com carinho cuida de seus filhos. O Deus cristão é Amor, é uma comunidade de Amor – Pai, Filho e Espírito Santo. Nessa comunidade divina, a comunidade humana encontra sua semelhança; Deus nos atrai para a comunhão com Ele. “Assim como a criação original, que é feita por Deus em Cristo, é sempre atual, assim também o céu está já na terra, havendo sido definitivamente invadida pela Encarnação do Verbo”[34].
            Em sua oferta ao Pai para salvação da humanidade, na reconciliação Pascal, o Cristo envia o outro Paráclito; por meio d’Ele, o Pai doa o Espírito aos os homens. O Espírito que o Pai lhe havia dado é entregue e derramado sobre a história abrindo a esperança de salvação. É aqui, nesta dialética teológica que o louvor acontece. O Espírito, sopro da boca de Deus, move o coração do homem no reconhecimento de sua dependência do Pai nas coisas simples de sua vida: o ar, a terra, o alimento, a vestimenta, o amor, o perdão, a salvação. Tudo toma sentido, tudo é motivo de louvor ao Deus Uno e Trino, sinal de sua comunhão que emerge na criação, sobretudo no homem com quem faz sua Aliança: “Eu em vós e vós em mim, como o Pai está em mim e eu no Pai” (Jo 14,23). Tudo é feito pelo amor na simples manifestação do amar de Deus. É o novo sentido onde o humilhado é exaltado e o Crucificado é Ressuscitado.
            As experiências carismáticas da comunidade primitiva foram testemunhas dos fenômenos pneumáticos[35].  Tais fenômenos foram diferentes de tudo o que acontecera antes. Esta manifestação do Espírito, de ordem carismática, fez com que a comunidade primitiva fizesse a distinção da Pessoa do Espírito Santo análoga à distinção entre o Pai e o Filho. Carismas, conversões e profundas experiências com o mistério de Cristo acontecem agora! Ainda que nos textos bíblicos não apareça uma distinção clara da personalidade do Espírito Santo, vemos a novidade da Pessoa do Espírito que se manifesta em Jesus Messias e na comunidade unida a Ele. O que há de novo do Novo Testamento é justamente o dom do Espírito como fruto da Ressurreição. É o Espírito que dirige a Igreja formando um único corpo. Guiando a Igreja ao longo dos séculos, a manifestação do Espírito acontece ainda em nossos dias. Prova disso são as novas maneiras de vida em Deus que surgiram e continuam a surgir, onde temos sua manifestação clara no nascimento de Movimentos e Novas Comunidades, bem como a renovação de Carismas Fundacionais que agora voltam a tomar vida e expressão no seio da Igreja graças ao sopro do Espírito. “Que Ele renove em nosso tempo os prodígios como de um novo Pentecostes”[36].
4.      A novidade do Espírito
            Sobre isto diz o Apóstolo: “Não extingais o Espírito” (I Ts 5,19), pois os carismas são dons concedidos pela liberdade divina com finalidade de crescimento e maturação do povo de Deus. A experiência do Deus-Amor nos conduz por caminhos nunca vistos, nos leva à experiência pessoal e atual da Pessoa de Jesus Cristo, Deus -Conosco, por quem alcançamos a salvação. Isso se realiza, sobretudo na Igreja através dos sacramentos, “sinais visíveis e eficazes das realidades divinas, pelas quais Deus nos comunica a salvação na Igreja, pela participação no Mistério Pascal de Cristo”[37] comunicando ao homem o seu desejo de comunhão.
            “O Espírito da verdade nos comunica aquilo que está por vir. (Ele) impulsiona a realização do mistério cristão para frente, na história dos homens”[38]. Tal realização acontecerá quando os homens forem capazes de reconhecerem em si e na criação ao seu redor as marcas de seu Criador, marcas de salvação e comunhão. No entendimento de que sem Ele, nada é, e nele tudo é ação de graças.
            O Espírito suscita nesta dialética, o carisma do Louvor de Deus que vem, portanto, na gratuidade do Espírito, para conduzir o homem ao encontro com Deus que é Amor e liberdade. A Igreja reunida em nome de Cristo é dirigida pelo Espírito a render todo culto de honra, exaltação e adoração ao Pai por tudo aquilo que Ele é: bondade, mansidão, sabedoria, força... O louvor como dom do Espírito no coração do ser humano, tem por finalidade a santificação de todos os homens que foram criados pelo amor de Deus. O louvor testemunha o Amor de Deus, pois assim, o homem reconhece em si as marcas de seu Senhor que é Pai. O louvor é uma liturgia que celebra o amor de Deus na criação. “O louvor é o lugar por excelência em que Deus é reconhecido como Deus e em que o homem se situa na verdade de seu ser diante de Deus”[39]. Assim Deus é celebrado por sua criação por suas ações salvíficas, pois, “a vida do homem unida à oferenda de Jesus torna-se louvor”[40].

5.      O Louvor de Deus
            A experiência de um novo Pentecostes conduz o homem num caminho de profundidade, de conhecimento do seu ser na esfera do Deus-Amor que se revela e lhe dá novo sentido para a vida. Nesta epifania de compaixão e misericórdia ao homem, nada resta senão contemplar fazendo a experiência do Mistério em que é inserido. Agora como partícipe da entrega do Cristo, pela ação do Espírito Santo, o homem se oferece em sacrifício de louvor ao Senhor.
            O louvor a Deus brota do coração que faz a experiência de profundidade do Deus que se revela em amor. Pois louvar é reconhecer a grandeza de Deus e glorificá-lo. Louvar corresponde em bendizer, celebrar, grito de triunfo, glorificar. E ainda: magnificar, exaltar, cantar; celebração da honra, força e poder de Deus[41].
            A comunidade primitiva louvava (berakah/ Ευχαριστιών) perante as obras do Senhor. No Evangelho de Lucas temos os três cânticos Lc 1,46-55 (o Cântico de Maria); Lc 1, 68-79 (o Benedictus) e Lc 2, 28-32 (o Cântico de Simeão). Paulo é marcado também por sua expressões de louvor como em Ef 1, 3-14 onde encontramos dizeres como “para o louvor de sua glória”. O Apocalipse está repleto destes cânticos de louvor, sendo este uma característica do livro. O louvor se traduz em ações de fé e alegria, pois proclama o amor de Deus.
            No louvor reconhecemos que Deus é Deus sem limitá-lo às suas ações benéficas a nós, senão àquelas de nossa salvação. É um caminho de união interior e exterior, de alma, mente e corpo, ou seja, é o homem por inteiro. É o reconhecimento de que existimos como o derramar do amor de Deus e existimos para amar primeiramente a Ele: o homem existe para o louvor de Deus. É ele o sujeito principal do louvor. No reconhecimento de sua verdade mais íntima, o homem reconhece a sua pequenez e dependência de Deus e, somente assim, é capaz de louvá-lo e enaltecê-lo por seu amor, afinal: “que é o homem, Senhor, para vós? Porque dele cuidais tanto assim?” (Cf. Salmo 143, 3).
            O louvor como transbordar da ação de Deus em nós contagia a todos aqueles que se aproximam. É a comunidade humana uma família de louvor, onde juntos elevam a Deus “o louvor, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força” que “pertencem ao nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém!” (Ap 7, 12).




















III CAPÍTULO
O LOUVOR DE DEUS, UMA RESPOSTA AO NOSSO TEMPO!

            "Às vezes o ar que respiramos em nossas sociedades não é saudável, está contaminado por uma mentalidade que não é cristã, e que também não é humana, porque está dominada por interesses econômicos, preocupada apenas com as coisas terrenas e privada de uma dimensão espiritual”[42]. Esta crítica do Papa Bento XVI descreve em breves palavras uma visão da sociedade em que vivemos, tão preocupada com lucros em si mesma e na “liberdade humana”. Em todos os tempos, o Espírito Santo não cessa de advogar e consolar o seu povo através de inspirações de diferentes modos de vida para que as pessoas, inseridas num contexto social particular, possam alcançar a santidade. Tais personagens são postos como profetas de seu tempo no anúncio de salvação possível e próxima a todos nós. Assim aconteceu no início da vida consagrada, quando alguns homens se refugiaram no deserto em busca de uma vida de doação integral e mais intensa a Deus. Do mesmo modo que personagens como São Bento de Núrsia e São Francisco, o pobre de Assis, hoje, em meio a este ar não saudável, Deus suscita Madre Teresa de Calcutá, Chiara Lubich e padre Gilberto Maria Defina, sjs.
1.      Pe. Gilberto Maria Defina, sjs
            Descendente de católica família italiana, Gilberto Maria Defina nasceu no dia 02 de agosto de 1925, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Sobre sua infância na Vila Tibério, bairro em que viveu, brincava, estudava as primeiras letras e servia como coroinha na paróquia local, o que despertou nele o desejo de ser padre. Ingressou no Seminário Menor dos Claretianos em Rio Claro, em 1938, aos doze anos, no qual permaneceu por quatro anos. Sobre isto relata: “Eu bebi muito deste leite espiritual e fui bem formado”[43]. Em 1942, ingressa no Seminário Menor Secular em Campinas e, um ano após, foi para o Seminário Maior Central do Ipiranga em São Paulo onde concluiu sua formação acadêmica em 1950. Pe. Gilberto trouxe consigo muita bagagem do seu tempo de formação no Seminário, por exemplo, aquilo que era seu como marca: o esplendor litúrgico.
            No primeiro domingo do advento de 1950, dia 03 de dezembro, na Catedral local, é ordenado sacerdote e nos anos seguintes exerceu diversas atividades como vigário, pároco, diretor espiritual, assistente espiritual dos seminaristas de Ribeirão Preto, em São Paulo, e como Cônego Catedrático; em 1971, foi um dos fundadores da UNIFAI[44], perseverando sempre na virtude, como obrigação de vivê-la na busca alçada da santidade, vivendo a fé na profundidade[45].
            Tinha, desde a infância, uma saúde muito debilitada. Acometido por diversas doenças (algumas delas crônicas), sua vida foi marcada pelo caráter de entrega e oferta ao Senhor destes momentos. Uma pessoa piedosa e mariana que aprendeu a viver a radicalidade da entrega: “Me sinto um passarinho livre, aberto, disposto a dar a vida para o Senhor, do modo que Ele quiser, como Ele quiser, do jeito que Ele quiser (...) estou disposto a  tudo”[46].
            No dia 09 de dezembro de 1987, o pe. Gilberto recebeu a oração de uma irmã religiosa pertencente ao Movimento da Renovação Carismática Católica[47] (RCC) invocando o Espírito Santo, mas nada de extraordinário aconteceu! Não sabia ele que sua vida havia sido transformada: orações espontâneas começam a brotar de seu interior, tais como: “Ó Pai querido, ó Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, eu vos adoro, vos louvo, vos dou graças e vos amo pelos dons e frutos que me destes do Vosso Espírito Santo”[48]. Ele adere de forma ativa ao Movimento da RCC e começa a acompanhar em direção espiritual alguns grupos deste Movimento, estando obediente àquilo que Deus lhe pedia. Um homem de fé, aberto para tudo aquilo que Deus queria lho conceder. Na oferta de cada decisão, de cada incômodo, de cada alegria, satisfação, provação ele mantinha no coração a livre decisão de tudo entregar nas mãos de seu Senhor; sabendo-se dependente de Deus, ele tudo vivia numa realidade espiritual, uma realidade de fé.  Sobre isto ele diz:
Até o próprio sofrimento é uma dádiva de Deus pra nós, pois se eu não tivesse sofrido tanto eu não teria me preparado para esta Obra que é maravilhosa até aos nossos olhos! Não podemos entender bem como ele quis que num momento tão difícil se edificasse esse edifício espiritual e profundo que vai fazer no futuro sacerdotes cheios do Espírito Santo. E dou minha vida por isso![49].
            Por fim, acometido por mais uma enfermidade, pe. Gilberto,sjs, falece aos 05 de dezembro de 2004 com 79 anos de idade, faltando dois dias para completar seu qüinquagésimo quarto ano de sacerdócio a serviço da Igreja na promoção do Louvor de Deus. Quando questionado sobre seu sofrimento ele respondia que somente fazia o que Deus queria para ele naquele momento. Revelava assim, a grande intimidade que tinha com Deus que o tratava com grande carinho[50]. Sobre sua vida na eternidade, já se antecipava orando ao Senhor: “Continuarei a dar testemunho para teu louvor através das gerações”[51].
2.      A Fundação da FJS
            Tendo feito a experiência de conversão através do batismo no Espírito Santo[52], o pe. Gilberto prontificou-se a em tudo fazer a vontade do Senhor. Após a experiência na Renovação Carismática, esteve atento aos sinais dos tempos para saber reconhecer ali a voz do Criador. Sabendo que havia no seminário um padre “carismático” as pessoas, em especial os rapazes da Faculdade começaram a procurá-lo partilhando as dificuldades em suas vocações, um número que crescia sempre mais. Pediam-lhe que fundasse um seminário carismático onde pudessem viver a espiritualidade carismática, mas, mais que isso, onde pudessem viver na liberdade dos filhos de Deus orando publicamente, um lugar de encontro e intimidade com Deus, ou seja, um seminário carismático no sentido literal e mais profundo do termo.
Espírito de Deus, enviai dos céus um raio de luz. Vinde, Pai dos Pobres, dai aos corações vossos sete dons (...). Enchei, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós. Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele. Dai à vossa Igreja, que espera e deseja vossos sete dons[53].

            Atento à inspiração do Espírito de Deus, o padre, com o apoio de alguns leigos, inicia a Fraternidade Jesus Salvador (FJS)[54].  No dia da festa litúrgica dos estigmas de S. Francisco, 17 de setembro de 1994, nasce no seio da Igreja, na Diocese de Santo Amaro, os Institutos Religiosos constando de um Seminário Maior e um Convento de irmãs religiosas.         
Antes mesmo de começar a falar do Carisma Fundacional desta Fraternidade, o pe. Gilberto antecipou-se em relatar sobre suas doenças e debilidades em toda a sua vida e em especial neste período de fundação, reconhecendo em todos estes fatos a voz de Deus que lhe tocava forte no coração e dizia: “Gilberto, tenha paciência; Gilberto, tenha paciência; Gilberto, tenha paciência!”[55]. Indicando assim, que em tudo aquilo que viveu e estava vivendo no momento presente, Deus o estava conduzindo desde sempre. É um caminho de humildade onde tudo se deve compreender para a maior glória de Deus.
2.1  O Carisma da Fraternidade Jesus Salvador, o Louvor de Deus
Quando comecei a escrever sobre qual carisma deveria reger todas as nossas atividades espirituais e temporais, logo de princípio me veio a ideia de um “carisma essencial” e foi dada a inspiração no livro do Apocalipse 7,12: “Amém, Amém, Amém, a Ele todo o louvor, toda a graça, toda a majestade, todo poder ao Cristo Nosso Senhor”[56].

            A inspiração de um carisma dentro da realidade num Instituto Religioso, sabemos bem, é aquilo de mais profundo e que sela a identidade daquela fundação e seus membros. É inspiração mesma de Deus que vem em resposta aos anseios do tempo presente segundo seus desígnios de salvação, é inspirado e inscrito no coração dos seus eleitos para participação na História de Salvação. O ato de louvar, como já refletimos, é render a Deus todo o louvor que lhe é devido, reconhecer que d’Ele procede toda a graça e somente a Ele majestade. Esta Fundação – a FJS – nasce do desejo de ser expressão, na Igreja e no mundo, do contínuo louvor e adoração ao nosso Senhor Jesus Cristo e assim produzir frutos de santidade em toda a humanidade[57].  O padre Gilberto, agora como Fundador, inicia esta Obra no desejo de reunir uma multidão de homens e mulheres, eleitos por vocação, para dar continuidade ao desígnio salvífico de Deus que deseja “que todos os homens sejam salvos” (I Tm 2,4), tudo isto mediante a manifestação da glória de Deus em cada agir humano. É ato de entrega à vontade de Deus e, por isso, caminho de santidade.
            Toda a criação foi feita pelas mãos de Deus, para que possa louvá-lo sempre. O homem, como ápice da criação, é aquele que deve viver esta realidade por excelência: os salvistas (assim são popularmente chamados os Servos de Jesus Salvador) devem viver isto na radicalidade evangélica, pois se consagram na união ao Cristo na cruz, no mais perfeito “sacrifício de louvor” a Deus Pai e aceito por Ele. Por isso assumem o carisma do “Louvor de Deus, sob todas as suas formas, - a litúrgica, em primeiro lugar – e como consequência desse louvor, a procura de santificação pessoal e comunitária, através da consagração ao Espírito Santo, Deus-Amor”[58]. Em meio a uma sociedade pluralista, egoísta, liberalista e deísta, o carisma do Louvor de Deus surge como profecia para o tempo presente e futuro, como antítese às realidades idolátricas do ego e da economia, de toda autonomia de Deus e hedonismo. Ao homem contemporâneo soa como uma presunção “pensar que o Deus eterno se preocupe conosco, seres humanos, e nos conheça; que o Inatingível, num determinado momento, se tenha colocado ao nosso alcance; que o Imortal tenha sofrido e morrido na cruz; que nos sejam prometidas a nós, seres mortais, a ressurreição e a vida eterna”[59]. O carisma do Louvor de Deus vem como epifania da glória de Deus, recordando a cada ser humano que ele existe para adorar, glorificar e render todo louvor ao seu Criador e Pai; é existir louvando a Deus. ´
            É a experiência dos jovens na fornalha relatado no livro de Daniel 3, 51-90, onde, em meio às chamas, três jovens não cessam de louvar a Deus pelo que Ele é na Sua criação. Aquele que traz em si as marcas do louvor elevam a Deus louvor e ação de graças incessantes, sem medo de serem repetitivos, manifestam um coração apaixonado que não se cansa de manifestar ao amado seu afeto, seu reconhecimento. “Este louvor acontece nos pequenos gestos de cada dia”[60].
3.      O louvor que santifica

             Isto só pode se concretizar na experiência da Pessoa do Espírito Santo, o Consolador que nos recorda de todas as coisas (Cf. Jo 14,26). É ação mesma do Espírito Santo nos revelar a verdade de nós mesmos em Deus. É Ele o grande profeta do presente e do futuro, o Paráclito, que estabelece a justiça no mundo, ou seja, que manifesta ao mundo o Amor de Deus que é Pai. E sendo Ele mesmo Amor, nos inspira a louvar, glorificar e cantar a Deus um cântico novo de adoração. Do mesmo modo como aconteceu com o pe. Gilberto que, após o renovar do Espírito, é instigado a um louvor que brota do íntimo e realiza coisas grandes como a fundação de um novo Instituto Religioso, sinal na Igreja e no mundo, assim o Espírito realiza em todos aqueles que se deixam encontrar por Ele e aderem a uma vida de Louvor. Toda a sociedade humana é chamada a honrar a Deus com sua vida. Aqueles que aderem como um carisma específico assumem esta vivência com raízes proféticas, testemunhando a todo o mundo e em qualquer lugar que Deus é Uno e é Trino, e agora no tempo hodierno Ele se deixa encontrar, que é a Ele o fim último da vida, aquele que sonda os abismos do interior do homem. Por isso, nada mais digno ao homem senão o perene louvor em ação de graças a Deus. “Ainda que nossos louvores não sejam necessários”[61], o Senhor se compraz neles, sendo estes a nossa adoração. O resultado desta manifestação é a santificação que, por sua vez, procede de nossa pertença ao Espírito Santo fazendo hoje a experiência dos apóstolos na atualização do Pentecostes. Assim como eles e as mulheres ali presentes receberam o derramar do Espírito pela boca de Jesus (cf. Jo 20, 22) e, inflamados com “a força do Alto” (Lc 24,49), puseram-se a anunciar a todos os homens falando-lhes das maravilhas de Deus (cf. At 2,11), anunciando a “Nova Criação”, hoje com a nova unção do Espírito somos nós a anunciar a salvação de todos os povos alcançando-lhes o coração, anunciando com a Igreja “o que está acontecendo hoje, aquilo que foi dito por intermédio do profeta” (cf. At 2,16).
            Este transformar vida em louvor é a liturgia perene que a Sagrada Escritura nos convida da Gênesis ao Apocalipse. O louvor que brota do interior do homem no conhecimento de sua verdade mais profunda é fruto do Espírito Santo que glorifica o Pai por meio do Filho em seu Mistério pascal. E este deve ser “carismático” para que, livre pela ação do Espírito, os homens possam se assemelhar mais ao Cristo: que “de bons nos tornamos melhores, de maus nos tornamos ao menos bons”[62]. Confiando na ação direta do Espírito, os homens são conduzidos a celebrarem com suas vidas o culto de oblação participando do Mistério Pascal de Cristo. Isto é santidade, e o louvor é caminho certo para alcançá-la.
            O odor de santidade se espalha por todos os arredores de onde ele se encontra, impregnando a tudo e a todos que dele se aproximam. A santidade através do Louvor de Deus busca a santificação da humanidade perpassando toda a vida humana. É entranhado de tal maneira que todo o homem se torna louvor, o sacrifício agradável a Deus. Todos nós somos destinados à santidade (II Tm 1,9), cada um segundo o desígnio do chamado de Deus. Todos os santos da história viveram a radicalidade do louvor. Mas hoje, no suscitar deste Carisma no seio da Igreja, o Senhor vem despertar a humanidade para reconhecê-lo, numa espécie de retorno ao Pai, de dependência sim, de Deus; é expressão do desejo de Deus de manter viva, afetiva e efetivamente a Sua Aliança com o homem. Aliança esta selada com o sangue de seu Filho, atualizada pela força do Espírito que se manifesta hoje de maneira análoga ao evento de Pentecostes, marcando o período da Nova Criação recapitulada no Cristo.












CONCLUSÃO
            O Espírito Santo manifesta ao homem a presença do Deus que o criou à Sua imagem e semelhança, permitindo a este ler as marcas do seu Senhor na realidade que o envolve. Neste sentido Ele testemunha aos homens a sua verdade original: o homem foi criado para homenagear a Deus com sua vida. Através dos “vários pentecostes” na história, o Ruah de Deus manifesta o amor do Pai pela obra de Suas mãos, ao ponto de entregar Seu Filho como redenção do gênero humano. Permite ao homem novas formas de vida suscitadas no decorrer da história, como espaço de encontro com o Deus que salva, como vimos no primeiro capítulo.
            A autorevelação de Deus que se dá no mistério da Encarnação é a máxima expressão do amor de Deus pela humanidade. Deus assume a vida humana para render louvor, honra e glória ao Pai na força do Espírito Santo. A vida do Cristo é a manifestação do Servo Fiel, o Emanuel que em tudo faz a vontade de seu Pai. Ele vive em meio a Israel, fala ao povo, revela o seu poder e morre na cruz, deixando para os seus discípulos o exemplo a seguir: a oblação de sua vida. Esta Pericorese emana na vida do homem como convite à comunhão com o Deus Uno e Trino, num relacionamento de puro amor que encontre abrigo no coração de cada homem.
            No segundo capítulo vimos que toda a vida do homem deve cantar o Halellu-Ya, caminho de liberdade e realização humana, sentido verdadeiro de toda sua existência, conduzindo-o à sua verdadeira felicidade, a vida em Deus. Por isso, no caráter da entrega, há tantas formas de encontrar seu lugar segundo o desejo de Deus. Cada homem tem um lugar na história de salvação que se revela aos poucos na vida pessoal e que, uma vez iniciada, seu processo de descoberta, coopera com o desígnio amoroso de Deus. Viemos do Amor e é Ele o nosso destino.
            A experiência do Deus-Amor, como Pentecostes, é o lugar privilegiado do encontro, que faz com que o homem reconheça seu lugar no Mistério. Nesta perspectiva, nada pode restar ao homem senão reconhecer sua pequenez, fragilidade e dependência e se lançar nos braços de Deus. Pois este reconhecimento já é Louvor de Deus. É sua própria vida em louvor e adoração. A exemplo da comunidade primitiva daqueles que viveram com o Cristo e fizeram a experiência do Dom de Deus, os cristãos hoje são chamados a reviver esta manifestação da Vida de Deus e serem testemunhas no tempo presente deste Senhor que dá Vida. Exemplo disto, citamos no terceiro capítulo o pe. Gilberto Maria Defina,sjs, fundador da Fraternidade Jesus Salvador que lendo as necessidades de sua época, foi dócil à inspiração de Deus e doou ao anúncio do Cristo que louva, como caminho certo de santidade.
            O Louvor de Deus como esta dinâmica de reconhecimento de sua fragilidade, conduz o homem a uma abertura ao totalmente Outro e ao próximo, permitindo assim, a partilha de si que o projete ao verdadeiro relacionamento. Este carisma específico do Louvor de Deus surge como anúncio e denúncia de que o homem de hoje tem a necessidade urgente de ler os sinais da vontade salvífica de Deus em sua própria história. E que somente assim, ele será livre, realizado e consequentemente feliz.    Assim sendo, está mais que claro que o Louvor de Deus no que foi abordado até ao presente momento é uma resposta ao necessário sentido de vida buscada pela humanidade. Este trabalho de maneira alguma visa esgotar a riqueza que é o tema. Longe de ser um tratado completo, fechado, deseja ser um campo aberto àqueles que desejam nele se empreitar ao contemplar o seu contexto atual fim à eternidade. Proponho, portanto, aos leitores que aqui chegaram à continuidade do mesmo quanto à reflexão sobre a liturgia como exercício do sacerdócio de Cristo, máxima expressão de Louvor ao Pai. Ou ainda, uma abordagem sobre a beleza, a arte, e até mesmo os relacionamentos interpessoais, como consequências do Louvor de Deus.

















BIBLIOGRAFIA

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SCHNEIDER, Theodor (org.). Manual de Dogmática. V.1. 3. Petrópolis, RJ: Vozes,2008.




[1] Cf. COMISSÃO PASTORAL E MISSIONÁRIA DO GRANDE JUBILEU DO ANO 2000, O Espírito que é Senhor e dá a vida. p. 38.
[2] Denis EDWARDS, Sopro de Vida: uma teologia do Espírito Criador.  p. 64.
[3] Denis EDWARDS, Sopro de Vida: uma teologia do Espírito Criador, p. 65.
[4] Cf. Jean-Yves LACOSTE: (tradução Paulo Menezes... [et al.]). Dicionário Crítico de Teologia.p. 650.
[5] COMISSÃO PASTORAL E MISSIONÁRIA DO GRANDE JUBILEU DO ANO 2000, O Espírito que é Senhor e dá a vida. p 39.
[6] Theodor SCHNEIDER (org.), Manual de Dogmática,  p. 410-411.
[7]  A partir da humanidade assumida, O Cristo recria toda a criação.
[8] Cf. Denis EDWARDS, Sopro de Vida: uma teologia do Espírito Criado,. p. 73.
[9] Em teologia trinitária, esta exprime a habitação das Pessoas da Trindade uma na outra, com dom mútuo. (Cf. Jean-Yves LACOSTE: (tradução Paulo Menezes... [et al.]). Dicionário Crítico de Teologia.p. 388.)
[10] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. N. 690, p. 199.
[11] Pe. Benedito Beni DOS SANTOS, O Espírito Santo, nossa Força, p. 21.
[12] Carta Encíclica REDEMPTORIS MISSIO, p.45.
[13] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, N. 799.
[14]  Angel A. RODRIGUEZ, Dicionário Teológico da Vida Consagrada pg. 89..
[15]  Constituição Pastoral GAUDIUM ET SPES, p. 6.
[16] Com a regra franciscana, surgem as Ordens Terceiras, dando aos casados a oportunidade de participar da vida consagrada.
[17] Pe. Benedito Beni DOS SANTOS, O Espírito Santo, nossa Força,  p. 55.
[18] Cf. Decreto PERFECTAE CARITATIS, p. 3.
[19] Cf. Angel A. RODRIGUEZ, Dicionário Teológico da Vida Consagrada p. 95.
[20] Decreto PERFECTAE CARITATIS, p. 4.
[21] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, N. 32 , p. 23.
[22]  Ibid.., N. 1081, p. 305.
[23] http://lausdei.blogspot.com/2011/02/o-louvor-e-de-deus.html
[24] Jean-Yves LACOSTE: (tradução Paulo Menezes... [et al.]). Dicionário Crítico de Teologia. p.1590.
[25] Donde provem o Hallelu-Ya, o Aleluia.
[26] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. N. 2589, p. 666.
[27] Ibid. N. 2639,  p. 678.
[28] Ibidem.
[29] Cf. Karl RAHNER. Curso Fundamental da Fé. p. 72-73.
[30] Jean-Yves LACOSTE: (tradução Paulo Menezes... [et al.]). Dicionário Crítico de Teologia. p.1052.
[31] Ibidem.
[32] Reino de Deus.
[33] Cf. Joachim JEREMIAS. Teologia do Novo Testamento. Trad.: João Rezende Costa. p.167.
[34] Maria Clara BINGEMER, Um rosto para Deus? p. 126.
[35] Por fenômenos pneumáticos entendemos os” vários Pentecostes”; as intervenções extraordinárias (carismas): milagres, curas, como relados em Coríntios; as conversões, a propagação da fé,a unidade e santidade da comunidade primitiva.
[38] Yves CONGAR. Revelação e experiência do Espírito, p. 86.
[39] Jean-Yves LACOSTE: (tradução Paulo Menezes... [et al.]). Dicionário Crítico de Teologia. p. 1052.
[40] Ibidem.
[41] Cf. Jean-Yves LACOSTE: (tradução Paulo Menezes... [et al.]), Dicionário Crítico de Teologia, p. 1051.
[43] Pe. Gilberto Maria DEFINA, Padre Gilberto, uma vocação de santidade e louvor!, p. 43.
[44] Faculdades Associadas do Ipiranga.
[45] Cf. Pe. Gilberto Maria DEFINA, Padre Gilberto, uma vocação de santidade e louvor!, p. 63.
[46] Ibid., p. 66.
[47] A Renovação Carismática Católica é um Movimento eclesial de reconhecimento pontifício nascido em meados de 1960 com um grupo de leigos em Pittsburgh, Califórnia, E.U.A. Este Movimento é caracterizado pela busca de uma experiência pessoal com o Espírito Santo, vivendo a renovação dos votos do Batismo e do Crisma. Manifestam os dons carismáticos usados na evangelização dos povos, espelhando-se na Igreja primitiva.  (cf. http://www.rccbrasil.org.br/interna.php?paginas=42)
[48] Pe. Gilberto Maria DEFINA, Padre Gilberto, uma vocação de santidade e louvor!, p. 93.
[49] Entrevista com o Testemunho do Pe. Gilberto,sjs. N. 97. Javé Produções. 30/10/1997.
[50] Cf. Pe. Gilberto Maria DEFINA, Padre Gilberto, uma vocação de santidade e louvor!, p. 16.
[51]Ibid. p. 151.
[52] O termo batismo no Espírito Santo é utilizado pela Renovação Carismática católica para designar a “experiência concreta da graça de Pentecostes, na qual a ação do Espírito Santo torna-se realidade experiementada na vida do indivíduo e da comunidade de fé”. (D. Paul Josef CORDES, Reflexões sobre a Renovação Carismática Católica, p.23.)
[53] Sequência de Pentecostes.
[54] Originalmente “Fraternidade Javé Salvador”, sendo alterado o nome para “Jesus Salvador”, segundo norma da Santa Sé em 2008.
[55] Pe. Gilberto Maria DEFINA, Padre Gilberto, uma vocação de santidade e louvor!, p. 88.
[56] Ibid., p. 128.
[57] Cf. FRATERNIDADE JAVÉ SALVADOR, Constituições do Instituto Missionário Servos de Javé Salvador, p. 17.
[58] FRATERNIDADE JAVÉ SALVADOR, Constituições do Instituto Missionário Servos de Javé Salvador, p. 21.
[59] Discurso do Papa Bento XVI no Konzerthaus aos Católicos atuantes, 25 de setembro de 2011 (Cf. http://www.zenit.org/article-28926?l=portuguese).
[60] FRATERNIDADE JAVÉ SALVADOR, Constituições do Instituto Missionário Servos de Javé Salvador, p. 24.
[61] Prefácio comum da IV Oração Eucarística.
[62] Pe. Gilberto Maria DEFINA, Padre Gilberto, uma vocação de santidade e louvor!, p. 141.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

PROJETO: LAUS DEI


PROJETO: LAUS DEI
UM ESQUEMA PARA PENSAR O CARISMA DA FRATERNIDADE JESUS SALVADOR


Neste blog se pensou vários temas sobre o Carisma “O Louvor de Deus” da Fraternidade Jesus Salvador, se pensa agora como se alinhavar temas de modo que um dia salvistas possam estudar sistematicamente o Carisma do Louvor de Deus:

1. Fraternidade Jesus Salvador
1.1 Renovação Carismática Católica
            - Primórdios
            - Beata Helena Guerra
            - Concílio Vaticano II
            - Experiência da Universidade de Duquesne – Pittsburg – USA
            - Renovação Carismática Católica
            - RCC no Brasil
1.2 Pe Gilberto Maria Defina, sjs.
            - o Fundador
            - Biografia
            - participação na RCC e Batismo no Espírito Santo
1.3 Fundação da Fraternidade Jesus Salvador
            - Carisma de fundador;
- fundação dos Institutos masculino e feminino – 17 de setembro de 1994
            - História dos Institutos
           
2. Louvor de Deus

2.1 – Visão sistemática
- A Santíssima Trindade;
- Espírito Santo na Criação;
- Jesus o Ungido do Pai;
- O Dom do Ressuscitado;
- Pentecostes e a Igreja que se manifesta ao mundo;
- Graça Habitual e graças atuais;
- Dons e Carismas;
- Espírito Santo e Vida Consagrada

2.2 – Visão Pastoral
2.2.1 – Dimensão da Palavra
- Objetivo: Pregar com unção do Espírito Santo para preparar um povo bem disposto ao Louvor de Deus, anunciando o Reino de Deus.
- Instrumentais: Lectio Divina, Pregação, Homilia, Catequese etc.
2.2.2 – Dimensão da Liturgia
- Esplendor Litúrgico na graça da Efusão do Espírito Santo;
- Contemplativos na ação;
- Instrumentais: Conhecimento da Liturgia teórico e prático, preparação para a Ars Celebrandi; utilização máxima das rubricas, uso de dons e carismas; adoração e intercessão, etc.
2.2.3 – Dimensão do Serviço da Caridade
- Santificação Pessoal e Comunitária;
- “Laus Dei Cáritas est”.
- Missioneiradade do Louvor de Deus como transbordamento das duas dimensões anteriores.

2.3 – Na perspectiva da Vida Religiosa
- História da Consagração Religiosa na perspectiva da perfecção do sacerdócio batismal;
- Carismas das diversas formas de vida religiosa e o Louvor de Deus em relação a eles;
- Fundação e perspectivas do Fundador: Carisma de Fundação;
- Louvor de Deus, um carisma para o nosso tempo? Por quê?
- Louvor de Deus: União do antigo e do novo na Igreja atual.
- Características da consagração religiosa salvista.
- “Sal da terra e luz do mundo”: A consagração Leiga como participação na vida religiosa: Ordem Terceira e Juventude Salvista.

3. Missioneireidade do Carisma do “Louvor de Deus”
- Servos da Obra da Salvação: o salvista missionário;
- Missão como essencial ao Louvor de Deus;
- Características da missioneireidade salvista;
- Características do missionário salvista;
- “Onde estiver a Igreja, lá estará um Salvista e onde ainda não estiver, nós a levaremos lá”.

Louvor de Deus e Missionariedade


"Santidade e missionariedade da Igreja são duas faces da mesma medalha", pois "só na medida em que é santa, isto é, cheia do amor divino, é que a Igreja pode cumprir a sua missão" (Papa Bento XVI)

Louvor de Deus e Missionariedade

            Segundo o Concílio Vaticano II o objetivo da missão é a evangelização (cf. Decreto Ad Gentes, 6), pois, como o Filho foi enviado pelo Pai para anunciar e efetivar a salvação, a Igreja no Espírito Santo é enviada a anunciar o Evangelho, é essencial à Igreja evangelizar, pois advém do desejo de Deus de que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (cf. I Tm 2, 4).
            Quando Pe Gilberto, nosso Pai e Fundador, trouxe à vida a Fraternidade Jesus Salvador, com o carisma do Louvor de Deus, prenhe de uma espiritualidade advinda da Renovação Carismática Católica, há uma ansiedade verdadeiramente missionária, como nos traz São Paulo: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho” (I Cor 9, 16). Quem realmente fez uma experiência do Espírito Santo, não consegue ver uma realidade de morte e de perdição e ficar inerte, é impelido pelo mesmo Espírito à evangelizar, o Espírito nos impulsiona a construir Igreja, tornando-a um Corpo (cf I Cor 12).
            Nessa medida, quem vive realmente o carisma do Louvor de Deus, quer que cada ser humano, alma e corpo unos, louve a Deus, por isso está totalmente ligado o carisma com a missionariedade. E como diz a frase do Papa Bento acima, a santidade está totalmente unida à missionariedade de Igreja, e repare como o Papa relaciona, ser santo é viver a plenitude do amor de Deus, assim cumpriríamos o mandado missionário de Cristo.

Pai › Filho › Espírito Santo  › Igreja › amor pleno de Deus / santidade › Missionário › evangelizar › Louvor de Deus.

            E no nosso carisma é viver uma verdadeira santidade, que é amor em plenitude, que torna cada ato um louvor.
            Por isso, ao ouvir Jesus, queremos também pensar o que não é ser missionário no Louvor de Deus, tudo o que brota de um egoísmo hipócrita, vai contra a missionariedade do Louvor de Deus:
O misssionário que tem qualquer outra intenção ao evangelizar, que não seja levar a pessoa ao amor de Deus não é um missionário no Louvor de Deus, por exemplo, sendo mercenário, isto é, evangelizar mirado não no bem das ovelhas como um bom pastor, mas mira no dinheiro, em bens ou em relevância social, é mercenário e não pastor porque visa pagamento (cf. Jo 10, 12). O pensamento de São Paulo deve nos guiar, na medida em que ele, diz que não busca os bens, mas as pessoas mesmas: “Então em que consiste a minha recompensa? Em que, na pregação do Evangelho, o anuncio gratuitamente, sem usar do direito que esta pregação me confere. Embora livre de sujeição de qualquer pessoa, eu me fiz servo de todos para ganhar o maior número possível” (1 Cor 9, 18-19).
Aquele que se diz missionário não pode agir por si, mas pregar o que a Igreja Católica diz, pois de outro modo corre o risco de pregar a si mesmo e não aquilo que é vontade do Cristo.
Missionário é aquele que sai de si, e pela vida proclama a Cristo, dizendo como Paulo, “não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20), por isso qualquer pessoa que busca aparecer, somente o show, o se mostrar, o evidenciar a própria pessoa, o clericarismo, o poder em si, jamais pode ser chamado missionário, já recebeu sua recompensa na medida que o desejo de tal pessoa não é levar os outros a Deus, mas evidenciar-se (cf. Mt 6).
            Enfim, que o mais importante seja não somente fazer missão aqui ou ali, mas ser missão, ser o rosto de Cristo para aqueles que estão longe de Deus, e que o louvor brote onde quer que estejamos de tal modo que aquilo que rezamos na liturgia das horas, neste segunda-feira da 5ª semana, nas Laudes se efetive naqueles que amam o carisma do “Louvor de Deus”:  “Vós, que fizestes passar todo o gênero humano da escravidão do pecado para a gloriosa liberdade de filhos de Deus, concedei a vida eterna a todos os que encontrarmos neste dia”. 
           



terça-feira, 1 de maio de 2012

O Louvor de Deus no dizer de Santo Agostinho


O Louvor de Deus no dizer de Santo Agostinho

Segunda Leitura do Ofício das Leituras do Sábado da 5ª Semana da Páscoa

Dos Comentários sobre os salmos, de Santo Agostinho, bispo
(Ps 148,1-2:CCL 40,2165-2166)
(Séc.V)

O aleluia pascal
Toda a nossa vida presente deve transcorrer no louvor de Deus, porque louvar a Deus será também a alegria eterna de nossa vida futura. Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se, desde já, não se prepara para ela. Agora louvamos a Deus, mas também rogamos a Deus. Nosso louvor está cheio de alegrias, e nossa oração, de gemidos. Foi-nos prometido algo que ainda não possuímos; porém, por ser feliz quem o prometeu, alegramo-nos na esperança; mas, como ainda não estamos na posse da promessa, gememos de ansiedade. É bom perseverarmos no desejo, até que a promessa se realize; então acabará o gemido e permanecerá somente o louvor. Assim podemos considerar duas fases da nossa existência: a primeira, que acontece agora em meio às tentações e dificuldades da vida presente; e a segunda, que virá depois na segurança e alegria eterna. Por isso, foram instituídas para nós duas celebrações: a do tempo antes da Páscoa e a do tempo depois da Páscoa. O tempo antes da Páscoa representa as tribulações que passamos nesta vida. O que celebramos agora, depois da Páscoa, significa a felicidade que alcançamos na vida futura. Portanto, antes da Páscoa celebramos o que estamos vivendo; depois da Páscoa celebramos e significamos o que ainda não possuímos. Eis porque passamos o primeiro tempo em jejuns e orações; no segundo, porém, que estamos celebrando, deixando os jejuns, nos dedicamos ao louvor de Deus. É este o significado do Aleluia que cantamos. Em Cristo, nossa cabeça, ambos os tempos foram figurados e manifestados. A paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer. A ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada. Agora, pois, irmãos, vos exortamos a louvar a Deus. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos: Aleluia. Louvai o Senhor, dizemos nós uns aos outros. E assim todos põem em prática aquilo que se exortam mutuamente. Mas louvai-o com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações. Na verdade, louvamos a Deus agora que nos encontramos reunidos na igreja. Mas logo ao voltarmos para casa, parece que deixamos de louvar a Deus. Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de louvá-lo quando te afastas da justiça e do que lhe agrada. Mas, se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará; e o ouvido de Deus estará perto do teu coração. Porque assim como nossos ouvidos escutam nossas palavras, assim os ouvidos de Deus escutam nossos pensamentos.

sábado, 24 de março de 2012

Senhor, para que o teu Louvor seja perfeito: Livra-nos do mal


“Senhor, para que o teu Louvor seja perfeito: Livra-nos do mal”


                      O Mal é uma realidade, e como traz o Catecismo da Igreja Católica, por trás da desobediência dos primeiros pais está o Mal, não apenas uma opção egoísta gerada pela liberdade, mas é preciso ver que há um Mal que precede o pecado, que se torna a voz sedutora que leva os primeiro pais a pecar (cf. CIgC n. 391).
                      O Mal pode ser analisado de diversas maneira e de diversos modos, e na História aconteceram debates acalorados sobre sua origem e a relação de Deus com a existência do Mal. Aqui não é o lugar de entrarmos nesse debate, porém com relação ao Carisma do “Louvor de Deus” é preciso entendê-lo com relação ao Mal, pois se afinal fomos criados para a Glória de Deus, como vai dizer Santo Irineu, a Glória de Deus é o homem vivo, como já foi analisado o Louvor de Deus é a Caridade, é preciso entender que o Mal, a opção absoluta por não Deus, é o oposto à Glória de Deus e que levou os primeiro pais a pecarem, que tenta cada ser humano e está por trás das opções malignas do ser humano, levando-o a abusar da própria liberdade e que com a hipocrisia e o com o orgulho a ela relacionado impede o pecador a saída de um estado de pecado mortal, torna-se uma verdadeira cegueira (cf. Mt 23, 16).
                      Para não nos delongarmos, quais as características atribuídas pela Doutrina Católica ao Mal, aqui entendido como os anjos caídos:
1 - Rejeição radical e livre a Deus: Satanás e os demônios são anjos criados bons em sua natureza, mas que optaram pelo mal em liberdade pura, mal que consiste na rejeição radial e irrevogável a Deus (cf. CIgC n. 391-392);
2 – Anjos que pecaram: Tais anjos pecaram “Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo”;[1]
3 – Querer ser igual a Deus para ter todo o poder: A tentação é colocar no coração do seres humanos que eles serão deuses (cf. Gn 3,5), numa visão de ter poder e conhecimento (como experiência) do bem e do mal. O demônio não é deus, é criatura, por isso seu poder não é infinito, pois Deus não tem opositor, tanto que a Tradição coloca São Miguel Arcanjo como aquele que depõe do céu Satanás e seus anjos (cf. Ap 12, 7-12), mas o demônio julga ser igual a Deus (cf Ap 13, 4) e quer seduzir o ser humano na mesma mentira. A ação do Mal é permitida pela Divina Providência para dessa ação tirar um bem maior (Cf. CIgC n. 395).;
4 – Mentiroso e tem a Deus como opositor: Como o mentiroso desde o princípio (cf. Jo 8, 44), coloca Deus como mentiroso e opositor ao ser humano ao afirmar com relação ao fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, que Deus sabe que quando dela comer os humanos serão tão poderosos como ele, insufla no coração humano o orgulho de ver a Deus como opositor e a não submissão como criatura (cf. Gn 3,4-5);
5 – Homicida e desobediente: Nessa mesma perspectiva o demônio é homicida desde o princípio (cf. Jo 8, 44), pois quer a morte do ser humano, morte como o desviar este mesmo ser humano da obediência a Deus, a fonte da Vida;
6 - Dominação sobre o ser humano: Pelo pecado o demônio tem uma certa dominação sobre o homem, embora este último permaneça livre, através dos exorcismos Jesus liberta os homens desse domínio, antecipando a grande vitória de Jesus sobre o príncipe deste mundo (cf. CIgC n. 407, 550, Lc 8, 26-39).

                      Deus quer seus filhos livres de todo mal, como pedimos em cada oração do Pai-Nosso, esse mal não é uma abstração, mas é uma pessoa, Satanás, o Maligno (cf. CIgC 2851), por isso o livrar do Mal é essencial ao “Louvor de Deus”, o caminhar para uma verdadeira liberdade para que nossa vida louve a Deus é o destino de todo o ser humano. Portanto, diante daquilo que o Maligno é, o inverso é uma posição de Louvor de Deus:

1. Opção radical e livre por Deus: O ser humano para viver uma vida de verdadeiro Louvor de Deus e livre de todo o Mal deve ter no fundo do seu coração uma opção de raiz por Deus, que brota de um querer livre, embora muitas vezes falamos como São Paulo: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7, 19), mas se no nosso coração há uma opção por Deus estamos caminhando para a Libertação e é isso que importa, nesse querer a graça de Deus vai sempre nos ajudar. Lembrando sempre que também esse querer é graça, e devemos pedi-la;
2. Somos pecadores: e sendo pecadores, ao contrário dos anjos caídos, devemos assumir essa condição, jogar fora a máscara da hipocrisia que nos quer convencer que somos santos e assim sendo pecadores sabemo-nos dependentes da graça de Deus;
3. “Somos servos de Deus” (Rm 6, 22), assumindo que somos dependentes de Deus é a chave para a liberdade e para a vida se tornar um verdadeiro Louvor de Deus.
4. Sermos verazes e ter a Deus como o nosso maior amigo. A verdade nos libertará sempre (cf. Jo 8, 32), por isso aquele que quer ser livre do mal deve sempre primar por essa verdade a partir do próprio interior, e assim apresentar-se a Deus e assim, na verdade, ter a Deus como um verdadeiro amigo como Jesus assim nos quer: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (Jo 15, 15). Ter uma visão correta de Deus como nosso aliado nessa vida, como nos é apresentado por Moisés: “E, passando o Senhor por diante dele, clamou: Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade”[2], é esse Deus amigo, amoroso e próximo que nossa vida quer Louvar.
5. Ser humano a favor da vida e obediente: Na medida em que temos a Deus como fonte de nossa vida, sempre queremos mais e mais vida, e também para aqueles que nos circunda nós queremos essa vida. Os pensamentos de morte devem ser banidos de nosso coração e saber que dobrando nosso joelho diante do Senhor Jesus essa vida e esse pensamento de vida vem a nós e lembrar que a Glória de Deus, o verdadeiro Louvor de Deus, é o homem vivo. “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.[3]
6. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1): essa palavra de São Paulo deve ser um lema daquele que vive e contempla o carisma do “Louvor de Deus”, a liberdade é a base para louvar, e às vezes pela nossa visão frágil achamos que Deus quer-nos tristes e acabrunhados, Deus quer filhos Livres e que o Espírito de Deus nos liberte de todo Mal para que nossa vida seja um Louvor sem cessar ao Deus que nos ama.



[1]Sociedade Bíblica do Brasil. (2003; 2005). Almeida Revista e Atualizada - Com Números de Strong (2Pe 2:4). Sociedade Bíblica do Brasil.
[2]Sociedade Bíblica do Brasil. (2003; 2005). Almeida Revista e Atualizada - Com Números de Strong (Êx 34:6). Sociedade Bíblica do Brasil.
[3]Sociedade Bíblica do Brasil. (2003; 2005). Almeida Revista e Atualizada - Com Números de Strong (Jo 10:10). Sociedade Bíblica do Brasil.

O Espírito Santo: o Mestre interior protagonista do Louvor de Deus


“O Espírito Santo: o Mestre interior protagonista do Louvor de Deus”

            São Paulo, no início da Primeira Carta aos Coríntios, vai dizer que “anunciamos Cristo crucificado que para os judeus, é escândalo, para os gentios é loucura” (1 Cor 1, 24). Para uma comunidade orgulhosa de seus carismas, que valorizava o espetáculo da ação atribuída ao Espírito Santo, São Paulo apresenta o Cristo, o Ungido, o Portador do Espírito, como crucificado. Esse crucificado se torna escândalo para os judeus, uma vez que é maldito aquele que é dependurado no madeiro (cf. Gl 3,13, citando Dt 21, 23), no pensamento dos judeus, o Ungido não poderia ser um maldito, o canal para chegar até Deus não poderia ser um morto dependurado num madeiro, se tornando assim um escândalo para os judeus. Por outro lado, o Cristo crucificado é loucura para os gentios, para uma cultura que valorizava o belo, o harmônico e o perfeito, um homem fraco, sujo e machucado, condenado num madeiro não poderia ser sinal de salvação, mas de loucura, ou numa outra visão, uma total insensatez, uma vez que este Ungido não poderia ser instrumento de Deus para a salvação, o feio ou o imperfeito é loucura visto como instrumento de Deus.
            Diante disso, às vezes nos colocamos na visão do judeu da carta aos Coríntios e temos a cruz como um escândalo ou no lugar dos gentios não aceitamos o feio e o desarmônico como instrumento da graça de Deus. São Paulo coloca que é o Messias, o Cristo, crucificado é que anunciamos. Portanto, é esse Ungido que anunciamos, aquele que pelo sofrimento doou o Espírito a cada um de nós.
            O objetivo de toda a espiritualidade verdadeiramente cristã é Cristo vivendo em nós (cf. Gl 2, 20), e isso é obra do mesmo Espírito que o levou pelo caminho do sofrimento. Nessa perspectiva, o Espírito é que nos Cristifica, agora não podemos esperar que o mesmo Espírito que levou Nosso Senhor Jesus Cristo à cruz e à ressurreição, que o levou pelo caminho da fraqueza até a ressurreição, não podemos pensar em ir por outra via.
            Por isso, devemos estar abertos ao Espírito que nos leva para o deserto para os embates interiores e exteriores (cf. Mt 4, 1-11) para nos preparar para uma verdadeira via de Cristificação, quanto mais somos crucificados com Cristo (cf. Gl 2, 20), mais o Espírito age em nós ou melhor sabemos que mais o Espírito age em nós, quanto mais somos crucificados com Cristo. Nesse processo é preciso ter a consciência que é na fraqueza que somos fortes (2 Cor 12, 10), não que idolatrássemos a fraqueza e numa autocomiseração sem fim ficássemos lambendo nossas feridas e nos refestelando com elas num masoquismo doentio, isso seria orgulho puro, porém é na fraqueza nos abrimos ao Espírito, e experimentamos aquele que é chamado na sequência de Pentecostes como o “Pai dos Pobres”, por essa via, cada ato que fizermos teremos a certeza plena que vem do Espírito Santo e não de nosso orgulho de criatura.
            Portanto, não existe Louvor de Deus, atos e palavras que louvam verdadeiramente a Deus, fora do Espírito Santo. Ele é o protagonista dessa “opus laudante”.
            Porém, o Cristo crucificado é loucura para os gentios que buscam avidamente por sinais. Será que não está na hora de vermos o Espírito Santo agir nas curas? Com certeza. Mas será que não está também na hora de vermos o Espírito Santo agindo nos sinais do Cristo, do Ungido, do Portador do Espírito, crucificado? Agora é o Kairós, o momento oportuno. Diante desse mundo, que quer maravilhas a todo instante, que tem sede de beleza física, de pessoas fortes, as ditas “saradas”, cremos que está na hora de vermos a ação do Espírito nas fraquezas, nas fragilidades humanas, a medida que tais fragilidades são assumidas pela criatura humana e abertas à graça de Deus, como canais privilegiados da ação do Espírito Santo, isso sim, na etimologia do “sarado”, salvas, tais pessoas movidas pelo Espírito podem ter verdadeiramente compaixão pelo próximo. O Espírito Santo é o protagonista do Louvor de Deus, o Mestre Interior que guia a criatura humana para sua Cristificação, mas tem que passar pela Cruz, e passar pela Cruz não é sofrer mais do que já sofremos, mas cristificar nossas feridas e fraquezas, inclusive nossa afetividade machucada e ferida. Que a beleza suprema seja que nossas feridas um dia, unidas ao Ungido Crucificado, pelo Espírito Santo, sejam gloriosas como as Dele hoje é. Que assim o Louvor de Deus cresça em nós sem cessar. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

EXAME DE CONSCIÊNCIA SALVISTA


EXAME DE CONSCIÊNCIA SALVISTA


LAUS DEI CARITAS EST

Além do que já há nos exames de consciência tradicionais, como por exemplo:
Poderíamos acrescentar outros específicos para um pensamento salvista:

Exame inicial
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA LAXISTA?
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA RIGORISTA?
Aproximo-me do sacramento da confissão não acreditando na absolvição, ou para satisfazer uma norma?
Aproximo-me do sacramento da confissão por convicção ou apenas para cumprir a lei?


1º Mandamento – Amar a Deus sobre todas as coisas
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA LAXISTA?
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA RIGORISTA?
- tenho procurado colocar Deus como o centro de minha vida? Ou somente me utilizo da posição em que estou para “ir vivendo”?
- Tenho me utilizado de coisas, orações, pessoas, artes, filmes, ou qualquer outra coisa no lugar de Deus, colocando neles a minha fonte de vida?
- Tenho procurado conhecer o carisma do “Louvor de Deus”, ou vivo na Obra somente por conveniência?
- Tenho valorizado a minha vocação salvista e a vocação dos meus irmãos? Ou tenho relativizado a vocação salvista, não vendo nela nada de divino e mesclando com outras vocações sem discernimento?
- Tenho buscado ver a ação de Deus na natureza e na vida? Ou tenho idolatrado a natureza, absolutizando o que passa?

- A vaidade é o centro de minha vida? Tomando para mim o louvor que é de Deus? Minha ação pastoral aponta para mim ou para Deus?
- Amo a Igreja ou sou apenas um mercenário?
- No Louvor de Deus, valorizo verdadeiramente o conhecimento e a Teologia católica que ajuda-me a crescer e aos outros ou idolatro o conhecimento por si mesmo?
Coloco amizades no lugar de Deus?


- Relativizo a existência de anjos e demônios, discordando da Doutrina da Igreja Católica?




- Tenho murmurado contra a vontade de Deus em minha vida, seja interior ou exteriormente, inclusive aquelas que vem através dos meus superiores?
Tenho a Deus como um amigo? Ou como um carrasco que a qualquer momento quer o meu mal?

- Tenho colocado a comunidade, a Igreja, os santos, devoções, no lugar de Deus? Aterrorizando outros com minha visão de Deus?
- Tenho absolutizado o carisma sem conhecê-lo?

- Tenho idolatrado a vocação salvista, desprezando outras realidades eclesiais? Tenho sido arrogante nesse processo, desprezando as pessoas por causa do orgulho?
- Procurei ver a ação de Deus na natureza, nas artes, na vida humana? Ou tenho desprezado as realidade temporais como portadoras da vida de Deus?
- A vaidade é o centro de minha vida? Absolutizando estruturas ou orações, buscando a ostentação espiritual?

Amo a Igreja ou sou apensa um clericalista ou eclesiolátra?
- No Louvor de Deus, valorizo o conhecimento e a Teologia católica ou desprezo o conhecimento que me faz crescer na vida em Deus e no relacionamento com o próximo?
Desprezo as verdadeiras amizades como lugar para conhecer a Deus?
- Absolutizo o poder de anjos e demônios, colocando-os no mesmo lugar que Deus, numa posição maniqueísta?
- Tenho murmurado contra a vontade de Deus? Tenho aceitado trabalhos ou situações que me tem prejudicado não expondo ao meu superior minhas dificuldades?


2º mandamento – Tomar o santo nome de Deus em vão
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA LAXISTA?
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA RIGORISTA?
O nome de Deus é sagrado para mim? Ou tenho usado de forma desrespeitosa? Bem como o nome dos santos e dos anjos?
Tenho respeitado o nome do próximo, inclusive o nome religioso?
Tenho utilizado o nome de Deus de modo mágico, bem como o nome dos santos e dos anjos?


3º mandamento – Santificar os Domingos e festas de Guarda.
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA LAXISTA?
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA RIGORISTA?
Tenho sido fiel à Liturgia das Horas, devoções e interseção? Minha oração é um diálogo com Deus ou somente cumprimento de obrigação? Tenho procurado colocar minhas decisões perante Deus para que minha vida seja um Louvor de Deus? Celebro a Liturgia com todo o esplendor litúrgico ou tenho desrespeitado as rubricas e o “sentire cum Ecclesia” para me protagonizar, aparecendo mais que o Cristo?
Desprezo a oração em línguas cf. I Cor 14, caçôo de quem reza?
Misturo outras crenças sem discernimento? Falo “todas as religiões são iguais”?
A minha fidelidade na oração é por amor a Deus ou somente um cumprimento externo? Sou supersticioso? Tenho permitido uma oração que transforme minhas decisões, levando-me a uma sensibilidade verdadeiramente humana? Celebro a Liturgia com todo o esplendor litúrgico? Ou tomo o esplendor litúrgico como um rubricismo vazio?
Absolutizo a oração em línguas como algo mágico cf. I Cor 14, desprezo quem não reza em línguas?
Desprezo o verdadeiro ecumenismo?


4º mandamento – Honrar Pai e Mãe.
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA LAXISTA?
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA RIGORISTA?
- Tenho procurado aprender a obedecer? Ou minha obediência é aparente somente para me livrar do superior (pais, superiores religiosos, bispos, o papa, autoridades civis e militares)? Tenho sido um cristão que quer ouvir a voz de Deus nos superiores ou um adolescente rebelde que contesta tudo e todos? O habito ou as insígnias religiosas são desprezadas por mim ou relativizadas?
Como superior sou indolente, permito tudo, libertino, só penso em aparecer e no cargo em si?
Desprezo o fundador dos salvistas, Pe Gilberto Maria Defina, sjs, apegando-me àquilo que é humano, não vendo a Obra que Deus fez?
Tenho procurado aprender a obedecer? Ou minha obediência é automática, infantil, sem procurar ouvir e discernir a voz de Deus nos superiores(pais, superiores religiosos, bispos, o papa, autoridades civis e militares)?

Idolatro o hábito ou as insígnias religiosas, buscando a ostentação e o orgulho?


Como superior sou policialesco, desvalorizo a liberdade humana criando pequenos ditadores, amo o poder?
Idolatro o fundador dos salvistas, Pe Gilberto Maria Defnia, sjs, não estudando o carisma, e apegando-me ao humano, não vendo a Obra que Deus fez?


5º mandamento – Não Matarás
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA LAXISTA?
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA RIGORISTA?
- Valorizo verdadeiramente a vida humana e de toda a criação? Há idolatria no meu coração com relação à vida terrena? Idolatro o corpo humano? Idolatro o pobre, os pecadores, homens de cor diferente da minha, minorias etc? Faço acepção de pessoas? Alimento ódio no meu coração e semeio a cizânia para prejudicar os outros?
Há desprezo no meu coração com relação à vida terrena? Desprezo o pobre, os pecadores, homens de cor diferente da minha, minorias etc? Faço acepção de pessoas? Alimento ódio no meu coração e desprezo as pessoas?


6º e 9º mandamento – Não pecar contra a castidade e não cobiçar a mulher do próximo
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA LAXISTA?
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA RIGORISTA?
- Procuro conhecer a humanidade sacratíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo?
- a castidade para mim é algo essencial ou conformo-me com o pensamento do mundo?
- procuro ver na castidade e na sexualidade humana o louvor de Deus? Ou pecar é normal?
- Incentivo o pecado contra a castidade achando-o normal? Ou sou indiferente?
- busco conhecer a sexualidade humana, para ajudar os outros? Ou sou indiferente?

- Idolatro o corpo humano, a beleza, não a referindo a Deus?
- Meu falar, pensar e agir é um louvor de Deus na castidade?
- Procuro conhecer a humanidade sacratíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo?
- a castidade é um fardo para mim? Desprezo a sexualidade humana vendo nela algo de pecaminoso?
- Procuro ver na castidade o Louvor de Deus? Ou tudo é pecado, inclusive o afeto de Nosso Senhor Jesus Cristo?
- Absolutizo o pecado contra a castidade, colocando-o exclusivamente no centro de minha vida?
Busco conhecer a sexualidade humana, ou não a vejo como criada por Deus?
- Desprezo o corpo humano, bem como a beleza do corpo humano?
- Meu falar, pensar e agir é um louvor de Deus na castidade?


7º mandamento – Não furtar e não cobiçar os bens do próximo
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA LAXISTA?
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA RIGORISTA?
- O voto de pobreza é algo somente formal? Tenho buscado viver a pobreza ou utilizo-me de cargos e vantagens para ter o que o povo ao qual sirvo não tem?
- Tenho buscado o poder como fonte de vida, tenho colocado os dons que Deus me dá a serviço do próximo? Ou busco o poder somente pelo poder? Procuro aparecer na função que exerço?
- Não me importo se escandalizo os outros, fazendo os pequeninos se perderem?
O voto de pobreza é vivido humanamente? Ou vivo uma pobreza burra de tal modo que prejudico a mim e a outros com a vivência da pobreza?
- Tenho sido tirano no exercício do poder ou tenho me colocado verdadeiramente  a serviço? Desprezo os dons do próximo, para evidenciar os meus dons? Procuro aparecer na função que exerço?
- Sou hipócrita, e sou uma pessoa na frente dos outros e outra nas costas, escandalizando os outros com isso?


8º mandamento – Não levantar falso testemunho
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA LAXISTA?
TENHO SIDO UM HIPÓCRITA RIGORISTA?
- Tenho consciência que somente na verdade se Louva a Deus?
- sou mentiroso contumaz? Mentir é algo normal em minha vida? Busco ser elogiado e elogio para conseguir o que quero, principalmente de superiores?
- Minhas conversas são um Louvor de Deus, ou são vãs?
- Sou transparente? Imponho meus sentimentos aos outros? 
- Tenho consciência que somente na verdade se Louva a Deus?
A mentira é base do meu modo de agir? Procuro defender a mentira? Busco aparecer e adulo superiores ou súditos?
- Alimento fofocas, detrações, maledicências etc?
- Sou transparente, ou finjo sentimentos para agradar os outros?


A LIBERDADE E LOUVOR DE DEUS COMO FIM ÚLTIMO DO HOMEM

    INSTITUTO SUPERIOR DE FILOSOFIA E TEOLOGIA SÃO BOAVENTURA     DANIEL RIBEIRO DE ARAÚJO                   ...