quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Nossa Senhora de Pentecostes, rogai por nós que recorremos a vós!


Nossa Senhora de Pentecostes, rogai por nós que recorremos a vós!

“Os discípulos unidos perseveravam em oração com Maria, a Mãe de Jesus” (At 1, 14)

Nossa Senhora de Pentecostes é a Padroeira da Fraternidade Jesus Salvador. Nosso Pai Fundador quando encomendou o ícone que a representaria quis que sua representação fosse no Cenáculo, mas diferentemente de Nossa Senhora do Cenáculo que está sentada no meio dos apóstolos, em nossa representação ela está em pé, como assunta. Maria preside o Pentecostes, como figura maior da Igreja, ela está no meio dos apóstolos e evangelistas como aquela que serve, e seu serviço é estar junto como os temerosos que ainda não compreendem a ressurreição do Senhor Jesus. Como assunta, ela já vive como cidadã do céu.
Ela é nosso modelo porque reza clamando o Espírito para viver sua vida como um Louvor de Deus, e viver a vida como um Louvor de Deus é viver como cidadão do céu, como aqueles que vivem nesse mundo sem ser do mundo (1 Cor 7, 31). Porém não é uma alienação, mas acolher em si a oração de Jesus: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Jo 17, 15).
Os discípulos enquanto aguardam o ressuscitado estão de portas fechadas por medo dos judeus (cf. Jo 20, 19). Esse medo nos acompanha como seres humanos que estão para morrer, e somente o Espírito Santo nos dá a coragem para anunciar sem o medo da morte, Nossa Senhora de Pentecostes, assunta que é, deve ser um consolo em nossa vida de discípulos temerosos. Mas é necessário assumir que estamos com medo, uma coragem falas, uma coragem da boca para fora não é a Parresia verdadeira que provém do Espírito, por isso é dever assumir o próprio medo para deixar o Espírito agir, e que Nossa Senhora de Pentecostes interceda por nós para que assumamos que necessitamos estar no cenáculo com Ela, e que joguemos fora toda auto-suficiência falsa.
A oração litúrgica para Nossa Senhora de Pentecostes resume bem sua relação ao carisma Louvor de Deus, a perseverança em oração com ela, e sob sua intercessão, deve nos fazer fiéis no serviço a Deus, nos faz verdadeiros servos de Jesus Salvador, pois podemos irradiar a glória do Nome de Deus, sua presença salvadora, em palavras, e aí o carisma, em exemplos, que nossa vida proclame a santidade do nome de  Deus.


São José, nosso Pai e Protetor


São José, nosso Pai e Protetor

“Eis o servo fiel e prudente a quem o Senhor confiou a sua casa” (Lc 12, 42), Antífona da Missa da Solenidade de São José, 19 de março.

Tradicionalmente São José é invocado como “pater et custos” de Jesus, o homem prudente que quando soube que Maria estava grávida, para evitar que ela fosse apedrejada segundo a lei, enquanto decidia recebeu aviso de Deus para assumi-la (cf. Mt 1, 20). Também a fidelidade a Deus, colocar a vida sobre Deus nesse mesmo caso o torna um verdadeiro fiel. É a partir de ser um verdadeiro servo de Deus fiel e prudente que São José pode ser pai e protetor de Jesus, São José se torna um verdadeiro servo de Jesus Salvador. Mesmo no silêncio, ele toma decisões segundo Deus para agir com prudência e fidelidade. São de decisões a exemplo de São José que poderemos ter ações imersas na graça e assim se tornarem ações que louvam a Deus. O nosso serviço de Louvor de Deus, deve ser um serviço fecundo, um serviço que brote de decisões que vem da graça de Deus, fora isso nossas ações seriam ativismos vazios. São José poderia ter cumprido a lei, como um hipócrita, mas não o fez, preferiu pensar e tomar uma decisão justa com relação a Maria. Isso sim é um verdadeiro servo de Jesus Salvador, um servo que sabe decidir e que tem fecundidade espiritual para poder cuidar verdadeiramente de um filho concebido pelo Espírito Santo. Por outro lado, não é servo mau e preguiçoso, poderia ter sido um omisso perante o fato de Maria estar grávida, ele é servo de Deus, mas não é um subserviente como o servo da parábola dos talentos (cf. Mt 25, 26), que se deixa mover pelo medo, mas pelo amor serviçal que produz vida, São José ama o seu Senhor, que é seu filho, e é nesse amor ele o serve. Esse deve ser o modelo de todo servo de Jesus Salvador.
Como Fraternidade deve sempre ressoar em nossos ouvidos a frase de Santa Teresa de Jesus:

“...tomei por advogado e senhor o glorioso São José (...) Não me lembro até hoje de ter-lhe suplicado algo que ele não tenha feito (...) Quem não encontrar mestre que ensine a rezar tome por mestre esse glorioso Santo, e não errará no caminho” Livro da Vida 6.

São Miguel Arcanjo: Príncipe Defensor da Fraternidade Jesus Salvador


São Miguel Arcanjo: Príncipe Defensor da Fraternidade Jesus Salvador

São Miguel é um dos três arcanjos nomeados na Sagrada Escritura, juntamente com são Gabriel e são Rafael, considerado como aquele que após passar pela provação, lidera os anjos bons na batalha contra Satanás e seus anjos, e os expulsa da presença do Altíssimo (cf. Ap 12, 7-9). Etimologicamente Miguel quer dizer “Quem como Deus?”, diferentemente do grito arrogante da Besta do Apocalipse que grita: “Quem é comparável à Besta?” (Ap 13, 5), São Miguel toma a defesa dos direitos de Deus. Lembrando sempre que somente Deus é Deus, como não há dualismo na Sagrada Escritura, não há oposto de Deus, por isso cabe aquele que proclama só Deus é Deus combater contra Satanás. Ele é invocado como Defensor porque ele é o Defensor do Povo de Deus (cf. Dn 12, 1).
Nosso Pai Fundador, Pe Gilberto, escolheu São Miguel como Defensor da Fraternidade. Qual a relação de são Miguel com o carisma do Louvor de Deus? Lembrando que Louvor de Deus é vida unida a Deus pela graça e que louva a Deus, como já foi postado. Somente uma pessoa que assume-se o que é, criatura de Deus e que proclama que só Deus é Deus, que é a essência do Louvor, pode viver o Louvor de Deus.
Vivemos numa sociedade que valoriza a aparência e o ser humano numa vaidade sem fim vive em função da opinião dos outros. Nada melhor que o grito do Arcanjo, “Quem como Deus?”,  para lembrar ao ser humano hoje que somente na medida que assumimos nossa humanidade, como ele assumiu o ser criatural, começa-se a percorrer o caminho do Louvor de Deus. Passamos por horrores como o Nazismo na Alemanha, um mal como esse só brota de corações que queriam o poder pelo poder, e que despersolizavam as pessoas, reduzindo-as a objetos. A morte era a lei. Por isso nunca o grito do Arcanjo deve desaparecer de nosso meio.
Também a luta contra Satanás deve percorrer esse itinerário. Ele como é chamado pelo povo de o “macaco de Deus”, como o grito da Besta do Apocalipse, quer ser como Deus, quer ter um poder somente pelo poder. Quer tentar o ser humano no mesmo sentido, como a serpente fez com Eva, torna Deus um mentiroso e diz que eles não morrerão e serão como deuses (cf. Gn 3, 4-5).
A luta contra Satanás e seus anjos, não vai ser através de ordens autoritárias ou shows televisivos, a luta passa em primeiro lugar no interior de cada um, quanto mais a humildade do Arcanjo triunfar em nós, uma só palavra bastará, um suspiro por amor a Deus, como diz Santa Teresa, bastará para vencer o inferno inteiro. Exemplo nesse mesmo sentido é a humildade de Maria Santíssima, não é a toa que ela é tão temida pelo demônio.
Por isso, rezemos para que São Miguel nos defenda de todo mal e sigamos seu itinerário de fidelidade a Deus.
A novena de São Miguel Arcanjo começa dia 20 de setembro.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

História das Constituições do IMSJS


Cronologia básica da formação das Constituições.

1993-1994 - Pe Gilberto começa a escrever a Constituição da Fraternidade Javé Salvador, com o intuito de formar uma organização geral que abarcasse tanto os leigos quanto os clérigos sob um governo único e sob um carisma único.

1995 - A constituição primeira é reorganizada, permanecendo o mesmo texto, porém articulado em artigos.

1997 - Com a formação do Instituto Missionário Servos de Javé Salvador, e o discernimento de que seria vivida a vida religiosa, buscou-se formar uma Constituição específica para o IMSJS. Pe. Gilberto confiou na época a um Irmão, reconhecida como a Constituição de 1998.

1999 - Dom Fernando, bispo Diocesano de Santo Amaro, que acompanha a fundação do IMSJS, solicitou a adequação das Constituições ao Direito Canônico.

2000 - Depois de muitas interrogações e adequações, seminaristas foram encarregados de adequar parte por parte da Constituição de acordo com o Direito Canônico.

2001 - Por fim foi apresentado um trabalho final ao Pe. Gilberto que se tornou o Ante-projeto de Constituição.

2002 - Esse Ante-Projeto  foi adequado pelo I Capítulo Geral em fevereiro de 2002, sob a presidência do nosso Pai Fundador Pe Gilberto Maria Defina, sjs, e se tornou um Projeto de Constituição.

2008 - Após ser apresentado a um Canonista, Pe Domingos Andrés, foi adequado e aprovado pelo II Capítulo Geral. As Constituições do Instituto Missionário Servos de Jesus Salvador. Também se adéqua o nome para Jesus Salvador, de acordo com o pedido da Santa Sé.

2011 - Agora o Projeto das Constituições do IMSJS está no processo para a aprovação do Instituto Religioso.

10.11.2024 - Missa Solene de Aprovação do Instituto Missionário Servos de Jesus Salvador e Instituto Missionário Servas de Jesus Salvador. 


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Oração pela Paróquia - Pe Gilberto Maria Defina, sjs


Oração pela Paróquia
Pai nosso...
Abençoai, Senhor, esta paróquia de Santa Cruz de Parelheiros, que é a nossa família, a comunidade a que pertencemos, na qual todos reunidos em redor de nosso Pároco, como membros do Corpo Místico de Cristo, fazemos subir nossa oração até o céu.
Chamai, Senhor, para o vosso redil, as almas transviadas, socorrei os pobres, dai alívio aos enfermos, libertai os nossos entes queridos que se purificam no purgatório.
Fazei que vivamos todos a grande verdade de que todos somos irmãos, pertencendo a uma só família da qual sois o Chefe, a Cabeça.
Que à sombra da nossa querida Paróquia, amando-nos e perdoando-nos mutuamente, permaneçamos sempre unidos até o dia em que o Anjo da Paz transplante nossa alma para a Eterna Bem-aventurança do Céu. Amém.
(Pe. Gilberto Maria Defina, sjs)

sábado, 30 de abril de 2011

“Pobreza como Louvor de Deus”


“Pobreza como Louvor de Deus”

“...não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário” (Pr 30, 8)


            Jesus se fez pobre, esvaziou-se (Fp 2, 7), e com isso, pela sua própria carne e em seus atos louvou a Deus. A pobreza nos faz buscar a insondável riqueza de Cristo (Ef 3, 8).
            O que Deus quer de cada um de nós não é uma pobreza negativa, uma pobreza que nos priva do necessário para viver, essa pobreza não é vontade de Deus. Essa pobreza não louva a Deus. A vontade de Deus é que haja uma pobreza positiva, que como a frase acima, tenhamos o pão, aquilo que é necessário para vivermos e assim buscar o Único necessário, que é o próprio Deus (cf. Lc 10, 42).
            A pobreza não é somente naquilo que se refere a dinheiro, mas também tudo aquilo que buscamos como recompensa, é buscar a glória própria, a fama, tudo aquilo que de um modo ou de outro seria querer a atenção de outro, dominar através da aparência. A ostentação é um mal, e nunca um coração que queira atrair a atenção de outro por bens materiais pode ser um coração que louva, pois suas obras brotam de uma intenção de atrair a atenção para si e não para Deus.
            O coração pobre, os pobres em espírito (cf. Mt 5, 3), são aqueles que no seu espírito vivem a pobreza, e sua única riqueza é o Reino de Deus.
            Um exemplo é:
“Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc 17, 10).
            A palavra inútil, é achreios, do grego que significa aquilo que é inútil, ou que não satisfaz nenhuma necessidade humana.
            Interessante que a única menção dessa palavra na tradução grega do Antigo Testamento (LXX), é:
“Ainda mais desprezível me farei e me humilharei aos meus olhos; quanto às servas, de quem falaste, delas serei honrado” (2 Sm 6, 22).
            Traduzindo o se humilhar (hebr. Shaphal), é por achereios, Davi dança sem parar perante a arca louvando o Senhor. Micol sua esposa o despreza, dizendo que ele fez um papel ridículo perante os servos, e Davi responde que ele pode ser um achereios, um inútil, mas sua vida louva a Deus, e ele colocará sua força nisso.
            Mas, como escolher? Como tomar decisões que sejam pobres? Afinal, hoje vivemos num mundo cuja tecnologia nos propicia coisas, e muitas coisas a preço extremamente barato. O que é ser pobre num mundo, no qual um telefone celular dispõe comunicação automática, a um preço pequeno, comparado a dez anos atrás isso era impossível. O que é ser pobre?
            A pobreza deve estar ligada a obra de amor que louva a Deus. Esse é o fato concreto, tudo o que é ostentação, seja na beleza, ou também na falsa humildade, é ir contra a pobreza.
            Por exemplo, um missionário na África vive sua pobreza, e ele deve dispor dos meios necessários para sua sobrevivência e para bem exercer sua missão, seja que meios forem. Se há a possibilidade de que ele tenha um jipe, repito se há, e até disponham para este missionário, por exemplo através de benfeitores, uma Land Rover, que pode chegar a custar até R$ 132.000,00, se há um benfeitor que faça isso, isso não vai contra a pobreza, pois esse automóvel servirá para auxiliar pessoas, em todas as suas dimensões,  agora uma pessoa em São Paulo, um missionário que cria necessidade para ter um automóvel desse é ostentação.
            Outro exemplo, será que se vive pobreza não cuidando da saúde, dando tudo aos pobres, cuidando deles e não cuidando da própria saúde, isso vai contra a pobreza, é o que se chama pobreza negativa e nesse caso uma pobreza burra, pois se não há força como cuidar de outros. Um São Pedro Canísio que reenvagelizou a Alemanha, comia por três, mas trabalhava e andava por um número muito maior que três.
            Então, a pobreza deve ser avaliada pelo Louvor que ela prestará a Deus, pesando todas as dimensões da vida humana, a física, psíquica e religiosa. Nessa escolha:
- deve-se evitar tudo o que seria ostentação, e ver a utilidade do bem na missão, seja que missão for, inclusive do leigo no mundo;
- ter sempre a frente uma hierarquia de prioridades, e pedir a luz do Espírito Santo, para hierarquizar segundo a pobreza e a utilidade da missão;
- nunca criar necessidades, para justificar a posse de bens;
- em tudo pedir conselhos, buscar a obediência, para orientar-se nas escolhas.
             A pobreza deve ser Louvor de Deus, seja na conversão de pessoas na missão ad gentes ou seja no cuidado dos pobres, e não na ostentação ou numa falsa humildade que também seria ostentação. Afinal, a pobreza deve viver o princípio básico, “A verdade vos libertará” (Jo 8, 32).

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Castidade como Louvor de Deus


Castidade como Louvor de Deus


Considerando que a nossa vida deve ser um Louvor de Deus, é “conditio sine qua non” que esta vida louve a Deus através de pensamentos e atitudes castas, como no dizer do Catecismo da Igreja Católica: “A castidade significa a integração da sexualidade na pessoa. Inclui a aprendizagem do domínio pessoal”  (n. 2395). Então para que haja um Louvor de Deus casto, a pessoa em seus atos deve viver sua doação total de forma integra (n. 2337), mas o que significa isso? O ser humano quando ama deve se doar totalmente e não ter o mínimo interesse instrumentalizante do outro, obviamente dentro da vocação a qual foi chamado seja no celibato ou no casamento. Por isso, quando amamos alguém o nosso olhar, gestos, fala, deve estar despojado de qualquer intenção de tornar o outro apenas um fator de satisfação de meus instintos egoístas. Mas há imaturidades em nós na área da castidade, então o que fazer? O princípio é entender nossos apegos, os rompimentos feitos na vida e que deixaram carências, a consciência cada vez maior dessas carências nos vai dar o autodomínio que fala o Catecismo. Autodomínio não nasce de uma mentalidade sado-masoquísta ou de negação do corpo, mas do autoconhecimento como diz Santa Teresa de Jesus em seus escritos. O conhecimento da nossa educação afetivo-sexual, principalmente    a nível simbólico, conhecer como a criança que há em nós foi educada nos vai dando a segurança necessária. Quanto mais conhecemos nossa insegurança afetiva, sempre na graça de Deus, vamos nos tornando seguros para verdadeiramente nos doar aos outros. Alguém poderia levantar o problema, se eu for esperar a resolução de meus problemas quando poderei ter um relacionamento sadio? A perfeição só na ressurreição final de nosso corpo. Por isso, é necessário a cada relacionamento, com cada pessoa, ir conhecendo nossas opções e intenções, essa é a vigilância tanto propalada nos Evangelhos. Porque o ser humano, não pode viver sozinho, e a amizade faz parte do crescimento de uma castidade verdadeira, como traz o Catecismo: “A virtude da castidade desabrocha na amizade. Mostra ao discípulo como seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos, se doou totalmente a nós e nos faz Participar de sua condição divina. A castidade é promessa de imortalidade. A castidade se expressa principalmente na amizade ao próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a amizade representa um grande bem para todos e conduz à comunhão espiritual” (n. 2347). Os Padres da Igreja já alertavam que uma castidade que endurecesse o coração não seria uma castidade do Reino dos Céus, a castidade deve nos dispor e ensinar a ter amizades verdadeiras, com doação verdadeira. Por outro lado, não podemos ter atitudes de tornar o outro um instrumento em nossas mãos. Jesus pelas suas atitudes demonstra ser uma pessoa que tem amizades verdadeiras e que acolhe a demonstração afetiva das outras pessoas. Como no caso da pecadora na casa de Simão, o fariseu: “E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento” (Lc 7, 37-38). [1] Jesus elogia a atitude da mulher, que orienta exclusivamente pelo arrependimento, como demonstração deste e de seu amor, externaliza-o afetivamente. A castidade é efetiva, porque se externaliza por atos de doação e é afetiva, porque é através do afeto que sua doação se realiza. Jesus acolhe a atitude afetiva dessa pecadora e em público, não se restringe pelo medo, Jesus não se importa com o fariseu, muito pelo contrário, Jesus cobra do fariseu sua frieza no acolhimento. Também por ter uma atitude totalmente unificada Jesus não tem porque se esconder dos olhos humanos. E por fim sentencia “Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama” (Lc 7, 47) a demonstração do amor da pecadora expressa o seu total arrependimento. Concluindo o coração da pecadora se unifica ao ir afetivamente ao encontro de Jesus que perdoa, e este tem um coração uno o bastante para acolhê-la. Qual seria nossa atitude, tanto no lugar de Jesus ou da pecadora? Outros exemplos de demonstração afetiva pode ilustrar a castidade como louvor de Deus. O acolhimento do Pai ao filho que se extraviou não é formal, mas se expressa assim: “E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou” (Lc 15, 20). Jesus também acolhe e abraça crianças, novamente sua atitude é casta, pública e acolhedora, e repreende quem o impede de acolher as crianças:
“Depois disso, algumas pessoas levaram as suas crianças a Jesus para que ele as abençoasse, mas os discípulos repreenderam aquelas pessoas. 14 Quando viu isso, Jesus não gostou e disse:
— Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o * Reino de Deus é das pessoas que são como estas crianças. 15 Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele. 53
16 Então Jesus abraçou as crianças e as abençoou, pondo as mãos sobre elas.”[2]
Jesus novamente acolhe, abençoa e impõem as mãos sobre as crianças, e repreende aqueles que impedem as crianças de irem até ele. Novamente, seus atos são públicos, castos e são bênção para quem vem até Ele, é uma atitude unificada e unificante. E nos convida a sermos como crianças, porque delas é o Reino dos Céus.
Por outro lado, também, Jesus condena a afetividade dúbia de Judas Iscariotes, que com o coração dividido pela ganância e pela traição, utiliza-se de um ato de amor, como o beijo, para entregar Jesus (cf. Lc 22, 48). Por fim, com toda a interpretação teológica que possa ser feita, o contexto é a pergunta sobre quem é o traidor, o fato afetivo é muito bem esclarecido no contexto da ceia, a qual se celebrava reclinado:
Ora, z um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus.
24 Então, Simão Pedro fez sinal a este, para que perguntasse quem era aquele de quem ele falava.
25 E, inclinando-se ele sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é?
Cada um pode ter uma visão de castidade, mas Jesus é o modelo perfeito em tornar nossos atos castos que louvam a Deus, construindo verdadeiras amizades, porque a única intenção que temos é a doação que Ele mesmo fez (cf. Jo 13, 31). Esses atos se tornam louvor de Deus, porque aproximam o ser humano de outros seres humanos e de Deus, são atos verdadeiramente castos e por conseqüência verdadeiramente amorosos.


[1]Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Atualizada - Com Números De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil, 2003; 2005, S. Lc 7:39


[2]Sociedade Bíblica do Brasil: Nova Tradução Na Linguagem De Hoje. Sociedade Bíblica do Brasil, 2000; 2005, S. Mc 10:16

[3]Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil, 1995; 2005, S. Jo 13:25

A LIBERDADE E LOUVOR DE DEUS COMO FIM ÚLTIMO DO HOMEM

    INSTITUTO SUPERIOR DE FILOSOFIA E TEOLOGIA SÃO BOAVENTURA     DANIEL RIBEIRO DE ARAÚJO                   ...