segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A obediência como Louvor de Deus

“Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros” (1 Sm 15, 22).

A obediência como Louvor de Deus

            O ser humano busca estar unido a Deus, pois vê em Deus a fonte de sua própria vida. Por isso, os sacrifícios foram usados em todos os povos como um meio para se unir a Deus para ter vida e vida em abundância (cf. Jo 10, 10).
            Porém, diante da desobediência de Saul, aquele que foi escolhido para estar a frente do povo, o profeta Samuel proclama que mais do que holocaustos e sacrifícios, o que Deus quer é a obediência.
            Na Bíblia Hebraica, a palavra para obediência é o verbo Shamá, que é literalmente ouvir. Obedecer é um ouvir ativo, isto é ouvir a Deus com a intenção plena de cumprir na própria vida a sua vontade. Não um ouvir qualquer, que a pessoa finge ouvir e quer manipular a Deus pelos sacrifícios. Como diz o profeta Isaías: “O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu” (Is 29, 13). Portanto, não adianta um louvor a Deus, cânticos maravilhosos e harmoniosos, que brotam de coração que não querem amar nem a Deus e nem ao próximo.
            A obediência tornar-se um verdadeiro “Louvor de Deus” no seguinte itinerário:
1. Ouço a Palavra de Deus no Espírito Santo com a disposição plena de praticar essa palavra;
2. Aceito a mediação que o Senhor utiliza para fazer essa Palavra chegar aos meus ouvidos, isto é, os Superiores e autoridades da minha vida, que apesar das próprias fragilidades esses homens e mulheres são instrumentos da Palavra de Deus;
3. Permito que essa Palavra modifique minha maneira de decidir, unindo a minha própria vontade à vontade de Deus;
4. Transformo em ações as decisões que brotam desse ouvir a Palavra de Deus.
5. Essas ações tornam-se então verdadeiramente um “Louvor de Deus”.
            Duas dimensões doentias da obediência e que não são louvor de Deus:
1. O eterno adolescente rebelde, não aceita qualquer tipo de autoridade e rebela-se sempre a qualquer tipo de exortação, permanecendo assim numa imaturidade plena, e por isso suas ações brotam de uma falsa autonomia orgulhosa e portanto tais ações não louvam a Deus, mas são expressões do orgulho humano;
2. A vaca de presépio, isto é, pessoa que concorda com tudo que os outros dizem, numa obediência infantil, confundindo a pessoa que ordena com o próprio Deus numa atitude idolátrica. Obedece o superior mesmo que ele mande contra a Palavra de Deus. Esse tipo de obediência infantilizante faz brotar ações que não louvam a Deus mas é uma forma conveniente de viver e sobreviver. Com esse tipo de obediência muitos oficiais nazistas justificaram que mataram e assassinaram porque estavam obedecendo seus superiores.
            Por isso, queremos pedir a Deus de obedecer para o “Louvor de Deus” e não para nós mesmos, como Jesus o fez: “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2, 8).


             


sábado, 11 de janeiro de 2014

“Louvor de Deus: Esse Carisma é atual?”

“Louvor de Deus: Esse Carisma é atual?”

“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome a glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade” (Sl 115, 1).


            O carisma do “Louvor de Deus” como todo Carisma, brota do Verbo Encarnado, de Jesus Cristo, como a “pobreza” é de todo cristão, mas é evidenciada como princípio da Espiritualidade Franciscana, assim também o Louvor de Deus brota de Nosso Senhor, é de toda a Igreja, mas é assumido de forma especial como princípio da Espiritualidade Salvista.
            O que se coloca muitas vezes é que o Louvor de Deus é tudo, se o carisma é tudo então não é nada, porque não tem a especificidade de nos levar a Deus, porque somos humanos e precisamos de canais para chegarmos até Deus.
            Além de tudo o que já foi escrito, o centro do carisma é, com o perdão da palavra, o mecanismo da graça. O salvista deve ser o especialista em estudar, proclamar e viver o processo da graça, utilizando-se dos carismas, da celebração com esplendor da Liturgia, das devoções, do acolhimento, de tudo o mais que o Espírito Santo inspira para propiciar o encontro com Deus. Como traz o Catecismo da Igreja Católica:
2003. A graça é, antes de tudo e principalmente, o dom do Espírito que nos justifica e nos santifica. Mas também compreende os dons que o Espírito nos dá, para nos associar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar na salvação dos outros e no crescimento do corpo Místico de Cristo, que é a Igreja. São as graças sacramentais, dons próprios dos diferentes sacramentos. São, além disso, as graças especiais, também chamadas «carismas», segundo o termo grego empregado por São Paulo e que significa favor, dom gratuito, benefício (59). Qualquer que seja o seu caráter, por vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas estão ordenados para a graça santificante e têm por finalidade o bem comum da Igreja. Estão ao serviço da caridade que edifica a Igreja (60).

            Mas porque Deus suscitaria hoje esse Carisma? Já que a graça de Deus sempre foi e sempre será vivida pela humanidade, para que um Carisma que enfatize o processo da graça, principalmente no seu relacionamento com a liberdade humana?
            Hoje, e é um processo que não tem volta, vivemos numa sociedade globalizada, na qual o acesso à informação é pleno e os meios para que o ser humano possa viver são infinitamente superiores do que a um século atrás. Já no século XIX, como processo da Revolução Industrial, Iluminismo e Positivismo, o ser humano se achava um demiurgo, um ser que tinha em suas mãos o poder de dar a vida, como é bem traçado no romance “Frankstein” de Mary Shelley. O ser humano se sente deus. Um super homem como também foi descrito por Friedrich Nietzsche.
            Tudo isso trouxe como conseqüência duas guerras mundiais e um imperialismo sanguinário, que caracterizou o século XX. Depois desse banho de totalitarismo, o ser humano que surgiu no pós guerra é um ser humano, egocêntrico, relativista que não quer mais saber de verdades absolutas, mas que cada um tem sua própria verdade, portanto relativiza valores, gêneros, leis, ordem, amor etc. Um ser humano egocêntrico e egoísta, que valoriza a imagem, até a mais profunda auto-idolatria. No dizer de Bauman, uma modernidade líquida onde tudo é volátil, como a internet, principalmente o Facebook, ostentam, tudo é aparência e cada um vale na medida em que é desejado por outras pessoas.
            A morte é tratada de modo indiferente, vida eterna é apenas o “andar de cima”, numa perspectiva relativista, o que eu penso é o que vai acontecer após a morte, não existe mais verdades como “vida eterna, juízo, inferno, purgatório etc”. E nada disso deve ser tratado ou pensado.
            Por tudo isso, diante de um ser humano que como a Besta, no livro do Apocalipse, se proclama “quem é como a Besta?”, cada ser humano quer dizer: “Quem é semelhante a mim? Quem é como eu?” Numa auto-afirmação infantil de si mesmo.
            O carisma do Louvor de Deus, quer trazer na palavra e na prática essa necessidade da graça de Deus, inclusive dentro da Santa Igreja, onde muitas vezes se despreza a graça como valor, mas num neo-pelagianismo, ela é vista somente como um acréscimo àquilo que o ser humano é.
            Alguns traços do carisma que podem ajudar na evangelização de um mundo orgulhoso e egoísta:

Característica
Diakonia do Carisma Salvista
Graça
Proclamar hoje que o ser humano é dependente de Deus e sua vida somente tem sentido se louva ao Senhor. “Porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5b)
Carismas
Ver a atuação dos carismas como auxiliares no processo da graça santificante, e combater toda arrogância de achar que o ser humano pode sozinho salvar-se. Carismas como cura, milagres, assistência aos doentes, palavras de ciência e sabedoria, discernimento, e muitos outros que sempre estão a serviço da evangelização e não espetáculo para ninguém.
Dons
O ser humano quer sempre aparecer para ser erroneamente amado. O que faz o ser humano feliz é servir, e os dons naturais que cada um recebe do Senhor é para servir. O salvista deve ajudar a si próprio e cada ser humano a descobrir os próprios dons para servir, pois eles são graça de Deus atuando em nós.
Esplendor litúrgico
A Liturgia é celebração do Mistério Pascal. O salvista deve buscar sempre otimizar a Liturgia, buscar sempre celebrar melhor, no cumprimento das rubricas e na comunhão com a Igreja, para ajudar o ser humano a mergulhar na graça de Deus. O salvista, como São João Batista, deve ansiar por ser diminuído por Deus para que somente Deus apareça (cf. Jo 3, 30),
Transparência
O salvista deve ser transparente evitando e trabalhando contra todo tipo de hipocrisia. O mundo nos faz ter máscaras, mas o salvista deve ser autêntico, e viver a própria verdade, como a certeza do salmo 138, Deus nos vê sempre e não importa onde. Esse processo deve ser vivido com relação ao próximo.
Todo e qualquer serviço
Muitas pessoas, quando nosso Pai Fundador, Pe Gilberto, dizia que o salvista pode atuar em qualquer tipo de trabalho, erroneamente diziam que  “então tudo é Louvor de Deus”. O que o Fundador dizia é que o carisma, como proclamação da vida e do processo da graça, pode ser vivido em qualquer estado. Então, se a pessoa é um médico, ele vivendo e proclamando o processo da graça de Deus, que seus atos louvem a Deus, e ele está consciente disso, ele é um salvista.
Sacerdote ministerial salvista
O padre salvista vive o carisma na medida em que ele:
- potencializa a Liturgia através do Esplendor Litúrgico;
- utiliza-se de dons e carismas para levar as pessoas ao encontro com Deus;
- não se auto-idolatra e nem quer idolatrar ninguém, mas aponta sempre para Deus;
- vive a transparência na perspectiva da vida eterna;
- Obediência aos superiores, em primeiro lugar o Papa, isto é, sempre buscar ouvir a voz de Deus naqueles que estão à frente;
- Comunhão com a Igreja, “sentire cum Ecclesia”.
Devoções
O nosso Pai Fundador amava as devoções e catolicamente compreendidas elas nos levam a Deus, pois dispõe a liberdade humana a abrir-se para Deus. (Cf. Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. “Diretório sobre piedade popular e Liturgia”). Também a dimensão da vivência da comunhão dos santos, tais como novenas, tríduos, consagração a Nossa Senhora etc.
Consagração
Se o Louvor de Deus, é oferecer nossos corpos como culto agradável a Deus (cf. Rm 12, 1), então tudo que ajuda a consciência de consagrados deve ser valorizado e conservado, como insígnias, hábito, portar-se na vida de modo cristão, urbanidade, cordialidade, mas sem hipocrisia.
Sacramentais
Na linha do esplendor litúrgico, o salvista valoriza os sacramentais como meios privilegiados para levar as pessoas aos sacramentos e dispô-las a eles, tais como bênçãos de lugares, pessoas e alimentos, exorcismos, etc. Porém, sem qualquer resquício de mágica.



            Muitas outras dimensões poderiam ser tratadas, porém muito ainda deve ser aprofundado sobre o Carisma, pois é uma Palavra de Deus para nós hoje. Que Deus nos dê a graça desse aprofundamento, no estudo e na vida, para que cada vocação salvista seja fortalecida na graça de Deus.   

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

ORAÇÃO PELO III CAPÍTULO GERAL SALVISTA 

“Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”. (Lc 10, 21)



Ó Deus, que chamastes a Fraternidade Jesus Salvador a viver o Louvor de Deus em íntima concórdia no meio do Teu povo, escutai nossas súplicas e derramai o espírito de inteligência, de verdade e de paz, a fim de que ela possa conhecer de todo o coração o que vos agrada e na unanimidade seja praticado. Senhor faça com que a Fraternidade seja fortalecida e renovada na vocação religiosa e nela possa crescer sempre mais, para que assim haja salvistas convocados a viver pelas Santas Constituições o "LOUVOR DE DEUS", sob todas as formas, a litúrgica em primeiro lugar e, como consequência desse Louvor, a santificação pessoal e comunitária, no exercício de dons e carismas a serviço da evangelização. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Nossa Senhora de Pentecostes, rogai por nós!
São José, nosso pai e protetor, rogai por nós!
São Miguel Arcanjo, nosso príncipe e defensor, rogai por nós!





terça-feira, 15 de outubro de 2013

REZEMOS PELA FRATERNIDADE JESUS SALVADOR ÀS TERÇAS-FEIRAS


REZEMOS PELA FRATERNIDADE JESUS SALVADOR ÀS TERÇAS-FEIRAS 

DEUS DE AMOR, VÓS QUEREIS A SALVAÇÃO DE TODOS OS SERES HUMANOS. POR ISSO, NÓS VOS PEDIMOS PELA FRATERNIDADE JESUS SALVADOR, PARA QUE ELA SEJA SEMPRE VOSSA LUZ NESTE MUNDO. NA VOSSA PROVIDÊNCIA, ABENÇOAI A FRATERNIDADE EM TODAS AS SUAS NECESSIDADES, LIVRANDO-A DE TODOS OS MALES E CONCEDEI-LHE  A FIDELIDADE ÀS INSPIRAÇÕES QUE VÓS MESMO COLOCASTES NO CORAÇÃO DE NOSSO PAI FUNDADOR E VOSSO SERVO, PE. GILBERTO MARIA DEFINA. TUDO ISSO NÓS VOS PEDIMOS, POR MEIO DE VOSSO FILHO JESUS CRISTO, QUE CONVOSCO VIVE E REINA NA UNIDADE DO ESPÍRITO SANTO. AMÉM.

 Oração pelas vocações salvistas
Pai Santo, contemplamos os campos prontos para a colheita, por isso obedientes à Palavra do vosso Filho, nós vos suplicamos, concedei à Fraternidade numerosas e santas vocações. Suscitai Senhor, servos e servas de Jesus Salvador, leigos, leigas, religiosos, religiosas e sacerdotes ministeriais, para viver o Louvor de Deus em suas vidas, capazes de pregar o Evangelho e celebrar com esplendor o Mistério Pascal na graça da Efusão do vosso Espírito, e assim trabalhar eficazmente pela santidade de cada pessoa humana para edificar a Igreja. Amém.

V. Nossa Senhora de Pentecostes!
R. Rogai por nós
V. São José, nosso Pai e Protetor
R. Rogai por nós!




segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Espiritualidade Salvista

Fraternidade Jesus Salvador: Espiritualidade Salvista

            Abaixo colocamos como nosso Pai-Fundador, Pe Gilberto Maria Defina, sjs, pensava sobre a Espiritualidade Salvista, através de um Diretório de Espiritualidade.

Objetivo da Obra – “Seu objetivo principal primário é o Louvor de Deus, sob todas as suas formas, a litúrgica, em primeiro lugar; e secundário, - como consequência desse louvor -, a santificação pessoal e comunitária, através da consagração ao Espírito Santo, Deus-Amor”.[1]

“Neste Diretório de Espiritualidade poderá observar-se que boa parte dele se dirige especificamente ao ministério ordenado, ou seja, para um Seminário Maior e Propedêutico em que predominem os vocacionados ao sacerdócio ministerial, quer dizer, para a formação do Padre. Isto acontece porque em geral os Seminário são dirigidos mais para esta finalidade. Entretanto, a Fraternidade optou, firmemente, que seminaristas diferentes se misturem neste Seminário Maior, de certa forma, indiferentemente quanto à formação de vida e de estudos. Portanto, pedimos a todos os alunos, quer os que se dirigem para os ministério ordenados, quer para outros ministérios, que observem tudo quanto para cada um diz respeito nestas páginas. Excluído o que se refere apenas diretamente para formação do sacerdote, tudo o mais compete aos demais ministérios, indistintamente. O mesmo se afirma a respeito de outros Diretórios e Diretrizes mais adiante explicados, de todos merecendo o mesmo acatamento que este, de Espiritualidade. Este Diretório de Espiritualidade, sem dúvida, deve ser colocado em primeiro lugar. (...)

A Formação do Ministro Sacramental e do Ministro Extraordinário Laical

- Os vários atos a praticar para uma excelente formação:

1. A missão para a qual o futuro ministro ordenado, sacramental, se prepara, resume-se com perfeição nas seguinte palavras da Carta aos Hebreus 5,1-4: ‘Todo sacerdote (pontífice) é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus’... ‘Ninguém se aproprie desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão’ (Hb 5, 1-4).

2. A amplificação prática desta missão encontra-se concretamente no tríplice serviço do ministério sacerdotal: como serviços da Palavra, do Sacramento, da Pastoral – Caridade na Comunhão Eclesial. Estes são elementos importantes do sacerdócio que o futuro ministro deve cultivar gradativamente segundo os diversos passos de sua formação e introdução nas Ordens Sacras, do Diaconato e do Presbiterato. Tríplice missão: sacerdotal, profética e real do Cristo. O ministério ordenado difere essencialmente de outros ministérios (Diretório para o Ministério e a Vida do Presbítero) (Vd. Congregação para o Clero, 1994).

3. Antes de fazer-se pregador e evangelizador do Mistério de Cristo, o futuro ministro deve viver este Mistério. Por isso deve penetrar na realidade profunda do Cristo no seu sacrifício redentor da cruz. Isto vale plenamente para os demais ministério laicais.

4. A realidade desta vida de oração exprime-se pelos atos litúrgicos, primariamente, de maneira concreta. Por isso, a oração, e sobretudo a oração litúrgica, supõe disposições interiores conformes às disposições exteriores, sob pena de se tornar totalmente inoperante. Mais ainda: o diálogo íntimo com Deus na oração particular toma seu pleno sentido porque complementária à oração litúrgica, na qual a comunidade eclesial assume e, de certa maneira, transforma a oração individual.

5. Por isso é preciso também um contínuo renovar-se no Espírito para sempre manter a chama bem viva e fecunda. Excelente ocasião para revisão deste esforço de conversão e renovação contínua se encontra no retiro realizado no devido espírito de recolhimento. Conversações paralelas e sobrepostas, dentro do retiro, significa exatamente o contrário: tais indivíduos não estão nada interessados em recolhimento e renovação de suas vidas. Por outra, pode perder-se por tibieza e incúria, a graça do batismo no Espírito Santo, se não se continuar a pedi-la e recebê-la, constantemente.
            Nesta perspectiva, toda a vida litúrgica do Seminário deve ser vivida de tal maneira que seja para cada um, não uma carga imposta, mas a expressão concreta da vocação ministerial. Isto vale perfeitamente para os ministérios não-ordenados.

6. O aluno que se prepara mais imediatamente para o ministério sacerdotal deve cada vez mais aprender a configurar-se a Cristo Sumo Sacerdote. Ele deve de tal modo viver o Mistério do Cristo, que saiba, uma vez ordenado no sagrado ministério, neste iniciar o povo que a Igreja lhe confia.

7. Na leitura e na oração meditativa e contemplativa diária da Palavra de Deus, ele encontra a ciência eminente de Jesus Cristo. Na comunicação íntima da Sagrada Liturgi que é o exercício, por meio da Igreja, do próprio Sacerdócio de Cristo, sobretudo do Sacrifício Eucarístico, fonte riquíssima de inesgotável alimento da vida cristã, esta deve ser para o aluno o ápice e centro de toda a sua formação. Comece a exercer, como antecipação, o que será o sol irradiante de seu sagrado múnus ministerial. É neste ministério que, agindo ‘na pessoa de Cristo’ e proclamando seu Mistério unirá os votos dos fiéis ao sacrifício de sua Cabeça. Até a volta do Senhor, tornará presente e aplicará no Sacrifício da Eucaristia o único sacrifício do Novo Testamento. Isto se prolonga nas visitas freqüentes ao Santíssimo Sacramento em seu Sacrário. Isto é a Igreja em oração!

8. Orientado e auxiliado pelo seu Diretor Espiritual, conselheiro indispensável na formação do ‘homem interior’, e por outros que tem a sua confiança, o aluno toma pleno conhecimento da realidade concreta da tarefa árdua que pretende assumir. Os orientadores não dissimulem nenhum aspecto da vida do futuro ministro, mas jamais apresentando a vida sacerdotal sob a perspectiva negativista, e sim, a mais sublime e consoladora forma de uma vida a serviço do amor cristão.

9. Neste contexto, reconhecendo o valor e dignidade do sagrado matrimônio cristão, que o Apóstolo compara à união entre Cristo e sua Igreja, compenetre-se do verdadeiro valor evangélico de sua vocação ao celibato sacerdotal, de tal modo que possa, depois de uma opção maduramente deliberada, dar-se com magnanimidade ao serviço do Senhor, ‘propter regnum Dei’.

10. Um só é nosso Mediador junto ao Pai, segundo as palavras do Apóstolo. ‘Porque um é Deus, um também o Mediador entre Deus e os homens: o Homem Cristo Jesus, que se entregou para redenção de todos’.
Mas esta mediação, este encontro de Deus com os homens só foi possível e só se realizou porque Nossa Senhora, a Mãe de Deus e nossa Mãe, a Virgem Maria, num ato singular de obediência, de fé, de esperança e de ardente caridade se tornou para nós Mãe na ordem da graça.
            Pelo que, o futuro apóstolo exercite-se em sólida devoção à excelsa Mãe de Deus; aceite, como Ela, a vontade salvífica e atuante de Deus; siga-lhe os exemplos, principalmente os de humildade e obediência; celebre-a com formas concretas de autêntica piedade.

11. Atenda o formando a todas as coisas acima expostas; leia-as com freqüência e nelas medite; cumpra este Diretório de Espiritualidade como cartilha de Deus para o seu sacerdócio, e terá a vida eterna como promessa divina. Diz o apóstolo: ‘Atende a esta coisas, ocupa-te com todo o empenho nelas, a fim de que seja maniafesto a todos o teu progresso. Cuida de ti mesmo e do teu ensino, e insiste nestas coisas, porque fazendo isto, salvar-te-ás a ti mesmo, juntamente com aos que te ouvem’ (1 Tm 4,15-16)”.[2]

  







[1] Pe. Gilberto Maria DEFINA. Ordem da Fraternidade Senhor Javé Salvador: Constituições, Regras de Vida e Ordenações de Estudos. São Paulo, 1995, p. 3.
[2] Pe. Gilberto Maria DEFINA. Ordem da Fraternidade Senhor Javé Salvador: Constituições, Regras de Vida e Ordenações de Estudos. São Paulo, 1995, p. 101-104.

Vocação salvista

Fraternidade Jesus Salvador: Vocação salvista

            Abaixo colocamos como nosso Pai-Fundador, Pe Gilberto Maria Defina, sjs, pensava sobre vocação.

Objetivo da Obra – “Seu objetivo principal primário é o Louvor de Deus, sob todas as suas formas, a litúrgica, em primeiro lugar; e secundário, - como consequência desse louvor -, a santificação pessoal e comunitária, através da consagração ao Espírito Santo, Deus-Amor”.[1]

“- A Vocação é chamado e convite de Deus. E a vocação aos diversos ministério da Igreja, aos ordenados e aos demais outros, é chamado e convite pessoal, para poucas pessoas da terá; é individual: Ele nos chama pelo nome e sobrenome de cada um de nós; para servir pessoalmente a Ele, o Senhor e à sua Igreja; ao mesmo tempo, Ele espera, por este chamado e convite, uma resposta pessoal, individual. Entretanto, se é verdade que a vocação parte sempre, por primeiro, da iniciativa de Deus, contudo o Senhor a entrega e delega aos cuidados de sua Igreja, costumeiramente, o Seu vocacionado, a Sua vocacionada. É grave, muito grave, esta obrigação da Igreja, de acompanhar, passo a apasso, o crescimento e amadurecimento de tais vocações para o seu serviço, em vista de lhes dar autenticidade, como futuros ministros, diante da comunidade cristã católica. Esta vocações são, para cada um, um selo de Deus, que precisa ser rubricado pela autoridade hierárquica de Sal Igreja neste mundo, e a esta rubrica nada mais pode aposto.

- a resposta do (a) postulante a esses encargos sagrados deve ser tal que, para ser verdadeira e autêntica, deverá se apresentar totalmente despojada de quaisquer desejos de interesses de bens pessoais, por mais nobres que sejam, de quaisquer dignidades, a não ser a dignidade de servir a Cristo Jesus e ao Povo de Deus. Deverá ser motivado apenas pelo único desejo de dar continuidade à obra salvífica do próprio Cristo, que veio para servir e não ser servido, a fim de ‘tudo restaurar em cristo’, ‘omnia instaurari in Christo’, e tudo recapitular no Cristo. Aquele que é sempre o mesmo, ‘ontem, hoje, e por toda eternidade’ (Hb 13, 8)”.[2]





[1] Pe. Gilberto Maria DEFINA. Ordem da Fraternidade Senhor Javé Salvador: Constituições, Regras de Vida e Ordenações de Estudos. São Paulo, 1995, p. 3.
[2] Idem, p. 99-100.

Fraternidade Jesus Salvador: O Seminário

Fraternidade Jesus Salvador: O Seminário

            Abaixo colocamos como nosso Pai-Fundador, Pe Gilberto Maria Defina, sjs, sonhava o Seminário Nossa Senhora de Pentecostes da Fraternidade Jesus Salvador.

             

Objetivo da Obra – “Seu objetivo principal primário é o Louvor de Deus, sob todas as suas formas, a litúrgica, em primeiro lugar; e secundário, - como consequência desse louvor -, a santificação pessoal e comunitária, através da consagração ao Espírito Santo, Deus-Amor”.[1]

“1 – Finalidade do Seminário (...)

- ter um Seminário apropriado para a específica formação espiritual e cultural dos princípios preconizados pela Renovação Carismática Católica, em geral;

- ser, propriamente, um Seminário Renovado, com fisionomia delineada e moldada pelo Sopro do Espírito Santo;

- preparar sacerdotes e leigos (as) aptos a se tornarem missionários (as) e testemunhas do Senhor Jesus;[2]  

- ensinar só o que ensina a Revelação e a Tradição, através dos Santos Padres e do Magistério da Igreja, mesmo na expressão normal e comum de cada dia, das palavras e orientações do Santo Padre, o Papa;

- guardar e defender, por todos os meios e ações e ações, de forma íntegra, o Depóstio da Fé=”Depositum Fidei”;

- obedecer com fé esclarecida e sem contestações, as ordens e orientações das Autoridades constituídas na Santa Igreja, através das Congregações da Santa Sé, da Hierarquia, e principalmente, do Bispo diocesano do lugar e dos sacerdotes como pastores do Povo de Deus.

- formar sacerdotes segundo o Coração de Deus, ungidos pelo seu Espírito, revestidos dos sentimentos de nosso Senhor Jesus Cristo, para pastorear seu povo em meio a um mundo descristianizado e de uma sociedade dessacralizada em extremo;

- formar leigos e leigas igualmente ungidos pelo Espírito Santo, ornados de ministérios que lhes são apropriados e lhes são confiados pela Igreja, para se tornarem o bom odor do Cristo e serem o puro fermento da verdade cristã católica; para implantá-la em seus locais de trabalho; semeando a boa semente do Reino de Deus; palmilhando todos os caminhos da terra, como evangelizadores e missionários e apóstolos do Senhor.

2. Objetivos do Seminário

- Estudar, investigar e transmitir, mais com a Sabedoria de Deus, como diz o Apóstolo, do que a sabedoria do mundo e dos homens, a Teologia e a Filosofia da Igreja Católica, em conexão com as demais ciências sagradas e profanas, visando harmonioso desenvolvimento;

- Refletir filosoficamente sobre a realidade do cristianismo da Igreja universal, e da realidade brasileira, dentro do contexto da Igreja latino-americana.

- Contribuir em favor do Povo de Deus e, em especial, em ajuda à Hierarquia Eclesiástica, no progresso da intelecção da fé e da moral, na promoção das diversas formas de Pastoral, dando-se ênfase especial à pastoral da Renovação Carismática Católica, no enriquecimento e esplendor da Liturgia Sagrada, no ensino particular do Canto Gregoriano, quer em Latim, quer em Vernáculo; no estudo do Grego e de línguas semíticas; na formação humanística de futuros mestre e mestras das ciências sagradas e profana.

I - O Seminário

- O Seminário, meio mais excelente de que a Santa Igreja dispõe para a sementeira, florescimento e amadurecimento das suas vocações, quer sacerdotais, quer religiosas, tem por missão especial por em contato com as energias vivificantes e perenes do Evangelho, jovens e adultos de hoje, que se destinam para os seus ministérios específicos.
            Este povo de Deus ou esta sua Igreja encontra-se no ‘Hoje’ destes nossos dias em uma nova fase de sua histórica trajetória, na qual, mudanças profundas, rápidas, e às vezes, radicais, se estendem por todos os setores da Igreja e do mundo.

-  Nesta perspectiva, o Seminário, como comunidade de formação, conservando necessária e obrigatoriamente seus valores perenes, deve compô-los de modo adequado com as recentes descobertas de vivência em comunidade; ao mesmo tempo, solidificar com firmeza os valores tradicionais provados pela experiência válida de séculos, e introduzir, com discernimento espiritual e humano, os novos elementos que provaram ser autênticos, sempre à luz do Evangelho e da sábia e santa direção do magistério da Igreja. A História da Salvação assim o exige, e o Seminário jamais poderá ser um campo exploratório de certas experiências inócuas e falsas.

- Depois do Concílio de Trento, tratou-se de se fundar uma instituição nova na Igreja para a formação de sacerdotes. E surgiram os Seminários com feição bastante rígida. Na década de sessenta deste século, e principalmente no pós-Vaticano II, muito se mudou e se inovou, parte para o bem, parte para o menos bom e menos digno da formação sacerdotal. Hoje, - e na Fraternidade Jesus Salvador é o que se quer -, trata-se de renovar conceitos e de se olhar o tipo de formação tridentina, e adaptá-los às exigências de uma formação espiritual e pastoral eficazes e próprias neste mundo em transmutação profunda, distanciando-se voluntária e violentamente do centro da história cristã, do próprio  Cristo e de sua Igreja.

- A Fraternidade quer realizar esta proposta de Seminário, em três níveis distintos: Seminário Maior filosófico-teológico; Seminário Propedêutico; Seminário menor. (...)

- Com exceção dos Seminários Menor e Propedêutico, o Seminário Maior admite em suas salas de aula, tanto homens como mulheres, casados e solteiros, porquanto as matérias de estudo com suas disciplinas nos cursos filosóficos e teológicos, serão idênticos para todos. Isto no prédio respectivo deste Seminário Maior.

- Serão, porém, distintos os prédios das moradias:

a) dos sacerdotes, professores, e dos alunos seminaristas que se formam para o sacerdócio ordenado;

b) das religiosas, professoras, e das alunas que se dirigem para a vida consagrada;

c) dos homens, casados e solteiros, que se orientam para o diaconato permanente e os ministérios leigos, a eles apropriados;

d) das mulheres, casadas e solteiras, que se orientam para os ministérios leigos, a elas apropriadas.

- Todos os atos, contudo, serão comunitários, reunindo-se todos nos devidos lugares: capela, auditório, refeitório, etc.

- Os estudos serão de tempo integral, e especificamente, aos que se dirigem para o ministério ordenado”.[3]




[1] Pe. Gilberto Maria DEFINA. Ordem da Fraternidade Senhor Javé Salvador: Constituições, Regras de Vida e Ordenações de Estudos. São Paulo, 1995, p. 3.
[2] Adaptação do nome conforme instrução da Santa Sé.
[3] Pe. Gilberto Maria DEFINA. Ordem da Fraternidade Senhor Javé Salvador: Constituições, Regras de Vida e Ordenações de Estudos. São Paulo, 1995, p. 94-98.

A LIBERDADE E LOUVOR DE DEUS COMO FIM ÚLTIMO DO HOMEM

    INSTITUTO SUPERIOR DE FILOSOFIA E TEOLOGIA SÃO BOAVENTURA     DANIEL RIBEIRO DE ARAÚJO                   ...