sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Crescimento Espiritual

Fraternidade Jesus Salvador: Crescimento Espiritual

            Abaixo colocamos como nosso Pai-Fundador, Pe Gilberto Maria Defina, sjs, entendia a inspiração primeira da Obra Fraternidade Jesus Salvador e o crescimento espiritual dentro da Obra.
              

Objetivo da Obra  – “Seu objetivo principal primário é o Louvor de Deus, sob todas as suas formas, a litúrgica, em primeiro lugar; e secundário, - como consequência desse louvor -, a santificação pessoal e comunitária, através da consagração ao Espírito Santo, Deus-Amor”[1]

“O Senhor IHWH que adoramos como Deus e Senhor, quer da Antiga quer da Nova Aliança, deve ser tomado, por esta Fraternidade no sentido do IHWH Encarnado, tornado para nós, o Cristo de Deus, IHWH que veio para nos salvar e viver entre nós, - Deus conosco-, na realidade da nossa própria carne, da nossa humanidade; IHWH, Deus e Homem, não já um Senhor IHWH longínquo, mas um IHWH próximo, junto de nós, feito carne igual a nós, exceto o pecado”.[2]

“O Crescimento espiritual:
- (...) o que significam, propriamente, promover o crescimento espiritual e doutrinário de seus membros, conforme já se pode agora dizer, dos irmãos e das irmãs salvistas, ou de servos (as) salvistas.[3]
- Em nossa Santa Igreja, através dos séculos, e desde os seus primórdios, já na Igreja primitiva, os cristãos gozavam da presença entre eles de grandes mestres e mestras da autêntica espiritualidade cristã. Vejam, no princípio, os Apóstolos e Evangelistas, um Pedro e um Paulo, um Mateus e um João, o discípulo amado, um Barnabé, apóstolo, Marcos e Lucas, Timóteo e Tito, Priscila, homens e mulheres de grande projeção e envergadura dos inícios da evangelização. Vejam Inácio, Policarpo, Justino, Clemente ( o 4º papa, a partir de São Pedro). Vejam depois homens e mulheres, estes nomeados mesmo  na Oração Eucarística I, ou seja, no Cânon Romano, já celebrado nas Santas Missas, desde antes do ano 450 da era cristã. Vejam os santos monges e abades (=pais), cujas fundações de suas Ordens ainda hoje trabalham entre nós. Vejam Antão, Bento (=beneditinos) e Agostinho (=agostinianos). Não vamos nomear os grandes patriarcas d Idade Média: seria lista interminável. E em nosso tempo? Pois bem, todos nos legaram vidas e escolas de espiritualidade, muitíssimas e diferentes, mas todas, aprovadas pelos fiéis de todos os tempos e aprovadas pela Santa Igreja, como meios utilíssimos para se caminhar na promoção pessoal e comunitária daqueles e daquelas que querem algo mais em suas vidas, uma vida de pleno amor e serviço a Deus. Porque, pois um outro caminho, se existem tantos à nossa escolha?
- Em cada tempo e em cada época mudam-se, ao menos em parte, as circunstâncias e as necessidades espirituais, características desses momentos históricos. Há menos de trinta anos atrás não existia na Igreja, o que hoje já nos parece tão antigo, um relacionamento espiritual que deixa de ser simples movimento para torna-se uma renovação na pastoral eclesial, dentro da própria corporação eclesial: a Renovação Carismática Católica, ou outro nome que lhe explique essa realidade; espalhada pelo mundo católico pelo poder do Espírito Santo, e isto em tão pouco espaço de tempo. Os Sagrados Corações de Jesus e de Maria, através de fatos e sinais bem conhecidos e constantemente multiplicados, estão com pressa. Querem salvar, para o Pai o maior número de seus filhos, num mundo que se despedaça pelas forças do Maligno. Não precisamos nos deter neste ponto, nem são necessários aqui maiores esclarecimentos;
- O que se precisa dizer é que há necessidade hoje de novos conhecimentos e de outros apetrechos na área da espiritualidade, a fim de se agir e de se orar com maior propriedade no campo de luta que o Senhor ora nos propõe. E muitos deles, de antemão, os carismáticos já o conhecem. É preciso aperfeiçoamento e constância;
- Haverá toda uma caminhada renovada para se alcançar tal fim; haverá toda uma disciplina diferenciada e uma obediência específica; e deverá haver local e espaço para esgrima e afiar de espadas para a luta, revestidos com a couraça do Espírito; e deverá haver também aulas, dias e horários assinalados para muita exercitação do próprio espírito, alma e corpo, como quer o Apóstolo, para prática da mística e da ascese apropriadas para tanto, através de uma vida plena de entrega a Jesus Cristo; cada alma e coração, dentro de suas capacidades e próprias limitações físicas, psíquicas e espirituais, sempre compreensíveis e bem compreendidas;
 - Há, pois, como otimizar sempre essa espiritualidade carismática, por onde se aprende melhores formas de se orar e de se agir e de se utilizar dos carismas concedidos pelo Espírito de Deus, com o mínimo de possíveis enganos, erros e desvios. Para isso, rogue-se fervorosamente, a fim de que mestres e mestras nos sejam escolhidos e indicados pelo Dedo de Deus, de seu Santo Espírito, que é o ‘Digitus paternae dexterae”.[4]




[1] Pe. Gilberto Maria DEFINA. Ordem da Fraternidade Senhor Javé Salvador: Constituições, Regras de Vida e Ordenações de Estudos. São Paulo, 1995, p. 3.
[2] Ibidem, p. 10.
[3] Salvista como atualmente são denominados.
[4] Pe. Gilberto Maria DEFINA. Ordem da Fraternidade Senhor Javé Salvador: Constituições, Regras de Vida e Ordenações de Estudos. São Paulo, 1995, p. 10-12.

Uma obra carismática: Fraternidade Jesus Salvador

Fraternidade Jesus Salvador: uma obra carismática

            Abaixo colocamos como nosso Pai-Fundador, Pe Gilberto Maria Defina, sjs, entendia a dimensão carismática da Obra Fraternidade Jesus Salvador, em todos os seus ramos.

Objetivo da Obra – “Seu objetivo principal primário é o Louvor de Deus, sob todas as suas formas, a litúrgica, em primeiro lugar; e secundário, - como consequência desse louvor -, a santificação pessoal e comunitária, através da consagração ao Espírito Santo, Deus-Amor”[1]

1.      Porque acredita que os carismas ou dons enunciados nas Escrituras, em especial ICoríntios 12, 13 e 14 e os frutos do Espírito, em especial Gal 5,22-25, podem hoje de novo acontecer nos que invocam e esperam, pelo mesmo Espírito Santo, um novo Pentecostes em suas vidas de cristãos.
2.      Porque acredita e confia mais na ação direta e na união do Espírito, do que na capacidade dos homens e de suas refinadas técnicas.
3.      Porque acredita e confia mais nas inspirações divinas, amando a Palavra de Deus na Bíblia, tendo-a como companheira e nela meditando dia e noite.
4.      Porque obedece, como Cristo obediente até à morte e morte de cruz, na perfeita obediência a Deus Pai, e por isso, na obediência filial à Santa Igreja e à sua Hierarquia.
5.      Porque, obedecendo ao seu Senhor e à sua Igreja, dá testemunho do Evangelho, sem medo nem covardia.
6.      Porque vive os mistérios de Deus e de seu Cristo no Espírito, por meio dos Sacramentos recebidos com freqüência, na participação do Santo Sacrifício da Missa e da confissão pessoal, nas orações, sacrifícios e jejuns freqüentes, nas visitas aos doentes e mais atos de misericórdia cristã, no testemunho pessoal de suas vidas, edificando o povo de Deus, assim repetindo hoje, os cristãos da Igreja Primitiva.
7.      Porque se aplica com assiduidade nas preces e cânticos de louvor a Deus e de suas maravilhas, fazendo-o de alma e de corpo, levantando os braços para Ele, o Criador de todo o nosso ser, não se preocupando com os olhares reprovadores do mundo que os julgam alienados, porque não compreendem de que vinho estão inebriados.


8.      Porque vive nas profundezas do Espírito, da oração contemplativa, sem se preocupar em demasia com o agito que dispersa, no social que não converte, nem proclama Jesus Cristo e seu Evangelho.

9.      Porque prefere tornar-se um místico e um asceta, do que um trabalhador da vinha que não consegue se deter par a escolha da melhor parte.

10.  Porque acredita salvar mais almas par o Céu, através do apostolado da oração, - alma de qualquer apostolado – do que trabalhar confiando mais em suas próprias idéias e próprias forças.




[1] Pe. Gilberto Maria DEFINA. Ordem da Fraternidade Senhor Javé Salvador: Constituições, Regras de Vida e Ordenações de Estudos. São Paulo, 1995, p. 3.

sábado, 6 de abril de 2013

“Piedade e Louvor de Deus”


“Piedade e Louvor de Deus”

            Se há algo fundamental sobre o carisma salvista é a piedade, muitas vezes incompreendida ou desprezada, por ser confundida com outras atitudes humanas que tem aparência de piedade e não o são.
            A piedade na Sagrada Escritura é sebomai ou eusebeia, que na raiz quer a ideia de recuar, isto é, um temor reverencial pelo qual reconhecemos a grandeza da divindade. Na língua grega as palavras referentes à razi seb- transmitem a ideia de devoção ou religiosidade. No Antigo Testemento a piedade (eusabeia e cognatos) é trabalhada pelo verbo yare, temer. Como nas passagens:
“O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino”. (Prov. 1, 7);
“Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. (Is 11, 2);
Sobre o rei Josias e sua reforma religiosa, assim é dito: “Foi divinamente destinado a levar o povo à penitência, e robusteceu a piedade numa época de pecado”(Eclo 49, 3).
Sobre o Patriarca Jacó, o texto do Livro da Sabedoria diz textualmente que foi a sabedoria, que o preservou dos perigos, mas uma importante ligação é que a sabedoria em Deus não é conhecimento somente, mas conhecer a vontade de Deus para ter uma vida reta, por isso o texto afirma que a piedade é mais forte que tudo: “ela (a sabedoria) o protegeu contra seus inimigos e o defendeu dos que lhe armavam ciladas; e no duro combate, deu-lhe vitória, a fim de que ele soubesse quanto a piedade é mais forte que tudo”. (Sb 10, 12).
“Na LXX, o composto negativo de asebes é empregado como sinônimo de adikos “ímpio”, “injusto” e descreve tanto uma ação individual quanto a atitude dos homens ao desviarem-se de Deus”.[1]
No Novo Testamento:
Em 1 Tm 3, 16, no pequeno hino Cristológico, a manifestação de Cristo é caracterizada pela manifestação do mistério da piedade.
Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade”.[2] É pela sua piedade, ou como na tradução litúrgica, pela sua entrega a Deus que Jesus foi ouvido, sua submissão filial que nos traz a salvação na carne. Em 2 Pd 1, 3; 1, 6; 1, 7; 3, 11;  a piedade é colocada como característica cristã.
Um texto que demonstra claramente o que é piedade é Jo 9, 31, no contexto do cego de nascença, no qual está em jogo diante da Sinagoga a divindade ou não de Jesus, essa passagem assim quer demonstrar de onde veio a cura pelo que era cego: “Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende”.[3] O verbo é theosebes, isto é, aquele que se submete a Deus mas na linguagem do NT, por piedade, por amor filial, a este Deus atende. O piedoso nunca é o servo que tem medo servil e escravista (cf. Mt 25, 24) e nem o mago que quer submeter a Deus e o poder divino ao seu próprio querer e prazer (cf. At 8, 9-13).  
            No ambiente latino, a piedade, caracterizava não só os sentimentos, mas também os comportamentos do inferior em relação a seu superior. Principalmente no ambiente religioso, o homem piedoso demonstrava que sabia relacionar-se convenientemente com a divindade. A pietas devia distinguir as relações que os membros da família mantinham com o pater famílias e por conseqüência com toda e qualquer autoridade. No ambiente cristão a piedade a orientação não é somente horizontal, mas principalmente vertical, sua orientação ascendente, uma atitude de Deus com relação ao homem, em vez de uma atitude do homem em relação a Deus. Em primeiro lugar, Deus é o piedoso, Ele tem uma dedicação paterna aos seus filhos. A partir dessa piedade de Deus, cujo tipo é o Cristo, o ser humano vai desenvolvendo sua piedade.[4]
            Para atingir não só um sentimento, mas uma verdadeira vida piedosa surgem os exercícios de piedade, que advém da passagem de São Paulo a Timóteo: “Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas Exercita-te, pessoalmente, na piedade. 8 Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser”. [5] A partir daí, a visão cristã é que essa piedade deve ser exercida (gumnaso), como um atleta num ginásio, disso também há toda uma relação com a ascese. Portanto, o exercício da piedade deve estar em ordem à salvação.
Exercícios de piedade são diversos, alguns exemplos:

1.      Relacionados à Liturgia, à Liturgia da Horas e os exercícios de Piedade Eucarística. Como bem traz o “Diretório sobre piedade popular e liturgia - Doc. 12. Princípios e orientações. Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos’.

2.      Relacionados à Sagrada Escritura. Lectio Divina e orações bíblicas;

3.      Santo Rosário;

4.      Via Sacra;

5.      Manual de Indulgência e tudo o que a Igreja Católica aponta como caminho dos exercícios de Piedade.

6.      Novenas;

7.      Exercícios Penitencias.

8.      Advindos da Renovação Carismática Católica: orar em línguas, intercessão, canções, Batismo no Espírito Santo, Tardes de Louvor, Cercos de Jericó etc.

9.      E muitos outros que a piedade popular vai criando.


Primeira consideração em diferenciar a piedade, como submissão amorosa através da busca de sua vontade salvífica e realizá-la na própria vida e na dos outros, dos exercícios de piedade que nos ajudam nessa submissão. Segundo, é impossível aqui traçar toda a história da piedade, porém o que tantas vezes tratamos com relação ao carisma do louvor de Deus há tendências errôneas que devem ser extirpadas da vida de piedade.

Piedade baseada numa hipocrisia rigorista
Piedade baseada numa hipocrisia laxista
Essa tendência é teocêntrica, despreza toda a dimensão humana da piedade e do seu exercício. Foi que aconteceu muitas vezes em correntes como o quietismo, o pietismo, o metodismo, etc. Valoriza-se a relação com Deus num desprezo pelo humano de tal forma que os exercícios de piedade se desvinculam do ser humano e da sua salvação, criando os famosos estereótipos que se veem nas artes, a pessoa “piedosa” e que é racista, discriminatória, falsa etc. Valoriza-se o aspecto exterior da piedade, como Jesus alertou em Mt 6, 5ss, a pessoa quer ser reconhecida pelos outros, por isso supervaloriza os trajes, as posturas, os livros, a aparência de piedade, os sentimentos, orações adocicadas e sentimentais, mas que vai infundindo cada vez mais uma imagem de Deus da qual se deve ter pavor e terror e não aproximação.
Essa tendência é antropocêntrica, quer um relacionamento com Deus, mas sua dimensão é extremamente horizontal. A valorização individualista dos exercícios de piedade, desprezando todo o patrimônio da Igreja Católica em matéria de piedade. Tal tendência quer valorizar a piedade individual, semelhante ao rigorista, só que esta não se prende aos exercícios de piedade, mas ao sentimento que uma piedade individualista quer proporcionar ou na idolatria da necessidade humana. Dessa tendência muitas vezes se apresenta num neo-pelagianismo, pelo qual a piedade é somente um estado de espírito pelo qual se quer atingir a Deus. Muitas vezes se afirma: “não preciso rezar, mas rezo pelas minhas obras”. Portanto, a base do relacionamento com Deus não é o Espírito Santo, mas a própria individualidade e o que se faz, num princípio bem ativista.

            A verdadeira piedade cristã é cristocêntrica, como no dizer de Santa Teresa de Jesus, uma piedade orante um “tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com quem sabemos que nos ama” (V 8, 5), oração que não é pensar muito, mas amar muito (M IV, 1, 7), pois não somos anjos (V 22, 10) e a Sacratíssima humanidade de Jesus é o caminho da verdadeira oração, como afirma Teresa: “vi com clareza, e contunei a ver, que Deus deseja, para O agradarmos e para que nos recebamos por meio dessa Humanidade sacratíssima (de Jesus), em que sua Majestade se deleita”       (V 22, 5). Pois “afastar-se de tudo o que é corpóreo e viver sempre abrasado de amor são coisas próprias de espíritos angélicos, e não dos que vivemos num corpo mortal (...) Que grave engano afastar-se propositalmente de todo o nosso bem e remédio, que á sacratíssima Humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo.” (M VI, 7, 6) Por Cristo, no Espírito entramos em comunhão com o Pai. A Piedade deve ser cristocêntrica e trinitária.
Nosso Fundador, Pe Gilberto Maria Defina, sjs, tinha suas virtudes e defeitos, pois Deus o fez um ser humano. Porém, o que não se pode dizer do Pe Gilberto é que ele não era piedoso. Para falar a verdade, a primeira virtude que vem em minha mente com relação ao nosso Pai Fundador é que ele era um homem piedoso. E somos convidados a ver nele o Cristo, pois vejo que ele conseguiu um equilíbrio perfeito com relação à piedade. Pe Gilberto amava os exercícios de piedade, tanto que assim os quis condensar no Manual de Oração, mas não só, o espírito de piedade no próprio exercício da Liturgia e o respectivo esplendor litúrgico, e tudo o que ele quis infundir pelo Quarto Voto, de Fidelidade ao Santo Padre, pelo qual se quer uma submissão à vontade de Deus através das autoridades da Igreja. Todo o sofrimento para fundar a Fraternidade foi um desafio à sua piedade, e teve uma morte piedosa como se dizia. Ele conseguiu ter nos exercícios de piedade a busca da vontade de Deus, e creio que nós salvistas para ter uma vida que louva a Deus, devemos ter nos exercícios de piedade uma fonte para buscar essa vontade e unidos a ela praticar obras que louvam a Deus. A própria experiência do fundador no Batismo do Espírito Santo, ele mesmo muitas vezes o caracterizou pela vivência de uma piedade mais profunda, que unisse a experiência da Renovação Carismática Católica com todo o patrimônio dos exercícios de piedade da Igreja Católica, numa vida intercessória, salvista o antigo vivido de maneira nova. E, contemplando esses anos de salvista, pessoamente vejo que aqueles que permanecem são aqueles que tem esse viés de piedade do Fundador, esses salvistas conseguem verdadeiramente vislumbrar o carisma salvista e vivê-lo. Por isso, Pe Gilberto é o modelo a ser seguido, como salvista, piedoso e carismático.



[1] L. COENEN; C. BROWN. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1967, p. 1663.
[2]Sociedade Bíblica do Brasil. (2003; 2005). Almeida Revista e Atualizada - Com Números de Strong (Hb 5:7). Sociedade Bíblica do Brasil.
[3]Sociedade Bíblica do Brasil. (2003; 2005). Almeida Revista e Atualizada - Com Números de Strong (Jo 9:31). Sociedade Bíblica do Brasil.
[4] DICIONÁRIO DE ESPIRITUALIDADE. São Paulo: Paulus, 2005, p. 372ss.
[5]Sociedade Bíblica do Brasil. (2003; 2005). Almeida Revista e Atualizada - Com Números de Strong (1Tm 4:9). Sociedade Bíblica do Brasil.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

“Só um coração reto louva a Deus”


“Só um coração reto louva a Deus”

            O carisma do “Louvor de Deus” são obras que brotam da graça de Deus derramada no coração humano (cf. Rm 5, 5) e que proclamam a santidade de Deus e levam outros a reconhecer que Deus é Deus, não obras hipócritas que brotam da carne (cf. Gl 5) e só servem para louvar a quem as fez.
            Para que haja uma obra que louva a Deus ela deve brotar de um coração reto. A reta intenção é algo que surge de uma consciência formada na graça e na liberdade, é algo mais precioso que um ser humano tem.
Mas o juízo se converterá em justiça, e segui-la-ão todos os de coração reto” (Sl 94, 15).
Mesmo para uma pessoa como Davi que pecou e muito, Salomão, seu filho reconhece que houve retidão em seu coração:
“Respondeu Salomão: De grande benevolência usaste para com teu servo Davi, meu pai, porque ele andou contigo em fidelidade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a tua face; mantiveste-lhe esta grande benevolência e lhe deste um filho que se assentasse no seu trono, como hoje se vê” (1 Rs 3, 6).
“Bem-aventurados os que guardam a retidão e o que pratica a justiça em todo tempo” (Sl 106, 3).
“O Senhor julga os povos; julga-me, Senhor, segundo a minha retidão e segundo a integridade que há em mim” (Sl 7, 8).
O que é retidão? Retidão é seguir a verdade, na Sagrada Escritura foi vista de modo concreto como o Caminho do Senhor (cf. Sl 18, 21; Sl 138, 5), que é reto, por isso seguir o Senhor é seguir a retidão do seu caminho.
Tudo isso é muito belo, e é, porém somos pecadores e como encarar tudo isso? Afinal de contas pecamos, e nos desviamos do caminho do Senhor. Nesse momento, lembro-me de uma palestra do Frei Elias Vela e este dizia que há um ser pecador bom e um ser pecador mau. O mau é aquele que peca e simplesmente não toma a si a culpa e continua no seu pecado numa consciência anestesiada e simplesmente continua numa jornada de desconhecimento de si e se impõe aos outros. O pecador bom é o que deveria ser cada um de nós, reconhece a potencia pecaminosa que há em cada um de nós e reconhecendo assim permite que a graça de Deus aja, como no dizer de São Paulo: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1 Tm 1, 15).
Mas há um verdadeiro veneno, uma droga poderosa que anestesia as consciências e faz o ser humano pensar que é santo, gabar-se de não ter pecado e continuar a se chafurdar na lama e ainda achar que isso é normal, a hipocrisia, que faz lobos transvestir-se de ovelhas, para na ilusão pensar que está tudo bem. Droga poderosa que quer a todo custo quer anestesiar a caminhada da cruz, e a exemplo de Jesus que recusou a mirra deveríamos recusá-la (cf. Mc 15, 23).   
Há um hipócrita, como já foi dito em outras postagens, que é o rigorista, esse quer garantir a qualquer preço sua imagem de santidade, por isso não reconhece em si erro algum, e sempre a exemplo de Adão quer culpar a Eva pelos seus próprios erros: “Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (Gn 3, 12). Essa figura é aquele eclesiástico que tendo parte com satanás explora sexualmente homens, mulheres ou crianças, e fingindo ser um bom pastor diz que as amava. É o pervertido que explora prostitutas a noite e as chama de “vangabundas” nas esquinas durante o dia, por que jamais teria parte com tais “pecadoras”. Tem um discurso absolutamente impecável, com palavras sempre bem pesadas e de um português castiço, para ocultar a própria corrupção. Não pode-se dizer “mentira”, mas “faltou-se com a verdade”. O politicamente correto levado às últimas consequencias para encobrir a ladroagem. A imagem é tudo, mas não pode-se viver para sustentá-la a qualquer custo. Não há retidão de alma, mas uma tentativa de mostrar que na aparência há para outros veem, mas como diz Jesus o Pai que tudo vê, vê o coração pútrido do hipócrita e este receberá sua recompensa (cf. Mt 6, 18).
            Há o hipócrita laxista, para este tudo é permitido, a seu ver ele não peca, e se o outro concede a seus desejos não há pecado, porque o outro quis. Esse hipócrita gaba-se de pecar e incentiva os outros a pecar. A sua regra é a malícia, uma habilidade sem fim para ver em tudo o que há de mal, seja nos relacionamentos, nas atitudes, na fala dos outros. A sua consciência está petrificada pelo mal, por isso ele vê em tudo sob esta ótica, e critica quem não vê dessa forma: “Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço”. (Lc 21, 34) Destorce-se o versículo no qual Jesus dirigindo-se aos mestres da lei diz que as prostitutas e os publicanos vos precederão no Reino de Deus (cf. Mt 21, 31), por estes reconheceram-se pecadores, e esse reconhecimento somente brotar de um coração reto e não de um coração embevecido do pecado e que não quer de modo algum largar um procedimento errôneo e se converter.
E como sair dessas situações, pois se nos preocupamos em sair do pecado pelo esforço, podemos nos tornar um rigorista, se trabalhamos a compreensão podemos ser laxistas conosco e com os outros. O segredo é um só, se há um coração que busca a retidão, a verdade, sempre há esperança, se a pessoa é traiçoeira, e aprendeu a ser assim, dissimulada, mentirosa, mas luta contra isso porque quer descobrir a verdade, há esperança. Se a pessoa tem uma sexualidade completamente desregrada, cai e levanta muitas vezes, mas se há uma busca que brota de um coração reto há esperança. Mas se há fechamento, um coração fechado que não aceita a verdade, a correção e não quer saber de autoconhecer-se, se ouvirá a frase de Jesus dita a Judas: “E, após o bocado, imediatamente, entrou nele Satanás. Então, disse Jesus: O que pretendes fazer, faze-o depressa” (Jo 13, 27). Jesus viu que a liberdade chegou ao fim, Judas se fecha totalmente no seu desejo de entregar o mestre, perdeu-se na própria liberdade, por isso deixa-o livre, por isso diz que faça o que tem que ser feito, não há mais exortação, não há mais palavras ou conselhos a serem ditos, Judas já tomou sua decisão e é entregue a sua própria decisão. Da mesma forma cada um de nós é livre para tomar suas decisões e podemos nos perder nelas, principalmente fechando-se a tudo o que o Senhor coloca em nossa vida e tomamos decisão baseada nos desejos de nossa própria carne.
Por isso, é só rezando. E o que?
“Senhor, eu sou um pecador, mas tenho medo de cair nos enlaces de minhas decisões, de meus dramas mentais nos quais eu me faço de vítima e quero culpar a todos e a Vós pelas minhas fraquezas e pecados e decisões que brotam delas. Renuncio a toda autojustificação que quer a todo custo manter a própria imagem. Renuncio a culpar quem quer que seja pelas minhas decisões pecaminosas. Renuncio a manipular ou instrumentalizar pessoas, mesmo que eu tenha sofrer muito com minha própria solidão. Renuncio a toda malícia, toda habilidade para praticar o mal, para encobrir o mal feito, a todo orgulho em pecar e fazer os outros pecarem. Renuncio a toda autocomiseração culposa, a toda reivindicação e murmuração que só chamam atenção sobre feridas criadas e aparentes para encobrir o mal em mim. Por isso, Senhor, como uma ovelha machucada apresento a vós minhas feridas, cura-as e quero sair da vida de pecado na qual vivo. Apresento minhas decisões e peço que pelo teu Santo Espírito mostre a verdadeira intenção que está por trás de cada decisão que tomo, das quais brotam olhares, palavras e atos. Que haja um reta intenção nas decisões que tomo, para que no dia do Santo Juízo Final não haja em mim qualquer tipo de medo de me apresentar diante de vós e de meus irmãos. Amém”.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O Louvor em Santa Teresa de Jesus


“O Louvor em Santa Teresa de Jesus”

“Sendo sempre meu desejo servir de instrumento do louvor do Senhor e para o aumento do número dos que O serviam”. F 28, 15

“E, por quem sois, Senhor, servi-vos de mim, pois bem sabeis que não pretendo outra coisa que sejais louvado e engrandecido um pouco por haverdes plantado um jardim de flores tão suaves num pântano tão sujo e malcheiroso. Queira Sua Majestade que eu, pela minha culpe, não volte a arrancá-las nem torne a ser o que era”. V 10, 9

Aludindo ao Sl 88, 2 “Cantarei para sempre a misericórdia do Senhor”
“Suplico-Vos, Deus meu, que assim seja e que eu as cante sem parar, já que Vos dignastes conceder-me graças tão imensas que espantam os que as veem e que muitas vezes me deixem fora de mim para que eu melhor Vos louve”. V 15, 11.

Terceiro Grau da Oração
“As faculdades só tem condições de ocupar-se em Deus; parece que nenhuma ousa mexer-se, (...) Vem então, desordenadamente, muitas palavras de louvor a Deus, que só o próprio Senhor as pode corrigir. (...) A alma fica desejosa de louvá-Lo em voz alta, pois não cabe em si, estando num saboroso desassossego. (...) A alma gostaria que todos a vissem e compreendessem a sua glória para dar graças a Deus”. V16, 3.

Quarto Grau da Oração
“Surgem as promessas e determinações heróicas, (...) aborrecimento do mundo (...) tendo crescido em humildade (...) A vaidade está tão longe dela (...) Estando sozinha com Ele, que há de fazer senão amá-Lo? (...) ela (a alma) percebe que merece o inferno e que é castigada com a glória; desfaz-se em louvores a Deus, e quisera eu me desfazer agora”. V 17, 5

Arroubo
“É verdade que, em geral, essas faculdades estão mergulhas em louvores a Deus ou na busca da compreensão e do entendimento do que lhes ocorreu”. V 20, 20

Efeitos da Graça
“Assim, eu não queria que houvesse limites no meu serviço a Sua Majestade, desejando empenhar nisso toda a minha vida, todas as minhas forças e a minha saúde, para não perder, por minhas culpas, nem um pouco de maior felicidade. Dessa maneira, digo: se me perguntassem se quero ficar na terra até o fim do mundo com todos os sofrimentos nela existentes e depois em elevar um pouco mais na glória, ou se prefiro, sem nenhum padecimento, ir já gozar uma glória um pouco mais baixa, eu com boa vontade tudo padeceria para fruir um pouco mais de compreensão da grandeza de Deus, pois percebo que quem mais O entende mais o ama e mais O louva”. V 37, 2

Sobre o Livro da Vida
“Mas bendito trabalho, se conseguir dizer algo que leve alguém, ao menos uma vez, a louvar o Senhor”. V 40, 23

Relações
“porque me parece honra minha que Nosso Senhor seja louvado, pouco me importando tudo o mais. Isso bem sabe Ele, ou eu estou muito cega, já que nem honra, nem vida, nem glória, nem nenhum bem corporal ou da alma podem me deter, nem penso ou desejo benefício para mim, mas sim a Sua glória”. R 1, 25

Efeitos do enlevo
“ela (a alma) se esquece de si mesma para desejar que tão grande Deus e Senhor seja conhecido e louvado”. R 5, 8

Locução de Nossa Senhora
“Bem acertastes em por-Me aqui; Eu estarei presente aos louvores que derdes ao Meu Filho e os apresentarei a Ele”. R 25

Amor perfeito
“Aquele a quem o Senhor tiver dado essa graça deve louvá-Lo muito, pois deve ter muita perfeição”. C 6, 1

Vida Religiosa
“Disponhamo-nos a seguir esse caminho se Deus por ele nos quiser levar; se não for esse o caso, recorramos à humildade e tenhamo-nos por felizes em servir às servas do Senhor, louvando-O porque, embora merecêssemos ser escravas dos demônios do inferno, Sua Majestade nos permitiu ficar entre elas”. 

Oração de quietude
“Na qual, segundo me parece, o Senhor, como eu disse, começa a mostrar que ouviu a nossa súplica e a nos dar o seu reino para que O louvemos de verdade, santifiquemos-Lhe o nome e procuremos que o façam todos”. C 31, 1

Quartas Moradas
“Essas almas (...) em ocupar-se em atos de amor e de louvor a Deus, alegrando-se com a Sua bondade e com o fato de Ele ser quem é”. M IV, 1, 6.

Quintas Moradas
“Bem sabe o Senhor que não é outro o meu desejo (...) senão que seja louvado o Senhor nome e que nos esforcemos por servir a um Deus que nos recompensa com tanta generosidade já aqui na terra”. M V, 4, 11

Sextas Moradas
“porque o Senhor lhe tem dado maior entendimento para ver que nenhuma coisa boa é sua, mas dada por Sua Majestade; desse modo, põe-se a louvar a Deus, sem se lembrar do que lhe diz respeito, como se fosse uma graça dispensada a outra pessoa”. M VI, 1, 4.

“A alma gostaria de ter mil vidas para empregá-las todas em Deus. Quisera que todas as coisas da terra fossem línguas para louvar ao Senhor em seu nome”. M VI, 4, 15.

 “ela (a alma) gostaria de introduzir-se no mundo, a fim de contribuir para que ao menos uma alma louve mais a Deus”. M VI, 6, 3.

“Daria mil vidas, se tantas tivesse, para uma única alma, por seu intermédio, Vos louvasse um pouquinho mais”. M VI, 6, 4.

Sétimas Moradas
“Essas pessoas vivem em grande desapego de tudo e com um grande desejo de estar sempre a sós, ou ocupadas em algo que possa beneficiar alguma alma. Não as acompanham nem aridez nem sofrimentos interiores, mas apenas a lembraça de Nosso Senhor, e tal ternura para com Ele que desejariam dedicar todo o tempo aos seus louvores”. M VII, 3, 8. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

“Hábito Religioso e Louvor de Deus”

“Hábito Religioso e Louvor de Deus”

Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-se de um manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos. (Lc 23, 11)
Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes. (Lc 23, 34)
Aconteceu que, perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes. (Lc 24, 4)



             Quando fizemos os votos temporários e recebemos o Hábito religioso, o Pe Gilberto naquele dia 28 de fevereiro de 1998, pronunciou na sua homilia que da mesma forma que um policial ou um militar tem sua farda em serviço e essa indumentária o qualifica para exercer sua função, o religioso ao envergar o hábito religioso ele dá testemunho de evangelização e se coloca socialmente, é identificado como membro de uma congregação religiosa e testemunha ser da Igreja Católica e de Jesus Cristo.
            A veste, como nas passagens da Escritura acima, representa a própria personalidade da pessoa, por isso, que Jesus é vilipendiado por Herodes, é desnudado, remetendo a Adão que perdeu seu relacionamento com Deus (persona) pelo pecado, assumindo Jesus assim a nossa humanidade pecadora, e os anjos revestidos de vestes resplandecentes vem testemunhar que Jesus é ressurreto.
            Na história dos Institutos Missionários Servos e Servas de Jesus Salvador, brotou o desejo de usar o hábito, não como uma separação insossa do mundo, pois não somos do mundo, mas como missionários estamos no mundo (cf. Jo 17, 15) e nele exatamente queremos testemunhar Jesus Cristo e sua Igreja, portanto o Hábito Religioso é testemunho missionário da pertença a Deus e como na antiga história de São Francisco de Assis, sem falar nada, em nossas procissões pelo mundo proclamar que Deus existe e há pessoas que largam tudo para testemunhá-lo.
            Obviamente, vai surgir o velho adágio “o hábito não faz o monge”, e de fato não faz. Infelizmente o que não falta na história são pessoas que desonraram o hábito pelo seu comportamento. Lembremos, porém, que eles em primeiro lugar desdenharam do seu Batismo, e Batismo é revestir-se de Cristo, como na palavra Bathos em grego que é veste. Dessa forma, o problema é quem usa e não a veste em si. Por outro lado, muitos daqueles que entraram na vida religiosa, o primeiro sentir da vocação foi por causa do hábito, e isso é permissão de Deus, porém o que não se deve cair é numa idolatria do hábito religioso, um farisaísmo hipócrita, daqueles que usavam longas franjas para receberem a glorificação dos homens (Mt 23, 5).
            A partir do voto de pobreza, numa entrega total a Deus e para testemunhar Jesus Cristo e sua Igreja, aí sim o habito religioso se torna um verdadeiro louvor de Deus, pois a pessoa proclama pelas suas vestes que toda a sua ação procede de Deus e é para Deus. O nosso Pai Fundador Pe Gilberto quis que as nossas vestes religiosas tivessem a cor marrom, para nos lembrar de que somos pó e ao pó voltaremos (cf. Gn 3, 19). Assumimos a morte à qual somos entregues todos os dias (cf. 2 Cor 4, 11), por isso a partir do assumir da nossa pobreza em Cristo, renunciamos a toda moda, que é passageira, para assumirmos uma veste que aponta para o eterno, renunciamos a nós mesmos (cf. Mc 8, 34), a nossa individualidade e vaidade que busca aparecer, receber os holofotes e as glórias (kauchomai) do mundo, para assumindo a Igreja e glorificar (doxa) a Deus somente, somente a Ele o louvor e não a nós (cf. Sl 115, 1). Por isso, usar o hábito também exige do religioso um certo sacrifício, que vai desde a temperatura, o ser reconhecido por todos como religioso e prestar serviço correspondente, e porque não ser até ridicularizado. Nessa medida aquele que assume suas próprias fraquezas perante a morte que virá, pode assim permitir que a graça de Deus aja em suas ações pela graça e assim proclamar pelo hábito, pelo sinal exterior de sua consagração, que só Deus é Deus e assim suas vestes se tornam um louvor de Deus.
            Finalizando assim com a oração para os primeiros sinais religiosos que recebemos quando adentramos no Instituto, invocamos ao Pai e pede-se que os hábitos sejam o “primeiro sinal visível despertado neles de se consagrarem a ti. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém !” 

A LIBERDADE E LOUVOR DE DEUS COMO FIM ÚLTIMO DO HOMEM

    INSTITUTO SUPERIOR DE FILOSOFIA E TEOLOGIA SÃO BOAVENTURA     DANIEL RIBEIRO DE ARAÚJO                   ...