Informações sobre o Carisma "LOUVOR DE DEUS" (em Latim "LAUS DEI) do Instituto Missionário Servos de Jesus Salvador - Fraternidade Jesus Salvador - Diocese de Santo Amaro - São Paulo - Brasil. Fundado pelo Padre Gilberto Maria Defina em 17 de setembro de 1994.
quarta-feira, 27 de março de 2013
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
“Só um coração reto louva a Deus”
“Só
um coração reto louva a Deus”
O carisma do “Louvor de Deus” são obras que brotam da
graça de Deus derramada no coração humano (cf. Rm 5, 5) e que proclamam a
santidade de Deus e levam outros a reconhecer que Deus é Deus, não obras
hipócritas que brotam da carne (cf. Gl 5) e só servem para louvar a quem as
fez.
Para que haja uma obra que louva a Deus ela deve brotar
de um coração reto. A reta intenção é algo que surge de uma consciência formada
na graça e na liberdade, é algo mais precioso que um ser humano tem.
“Mas o juízo se converterá em justiça, e segui-la-ão todos os de coração reto” (Sl 94, 15).
Mesmo para uma pessoa como Davi que pecou e muito, Salomão, seu filho
reconhece que houve retidão em seu coração:
“Respondeu Salomão: De grande benevolência usaste para com teu servo
Davi, meu pai, porque ele andou contigo em fidelidade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a tua
face; mantiveste-lhe esta grande benevolência e lhe deste um filho que se
assentasse no seu trono, como hoje se vê” (1 Rs 3, 6).
“Bem-aventurados
os que guardam a retidão e o que pratica a
justiça em todo tempo” (Sl 106, 3).
“O
Senhor julga os povos; julga-me, Senhor, segundo a
minha retidão e segundo a
integridade que há em mim” (Sl 7, 8).
O
que é retidão? Retidão é seguir a verdade, na Sagrada Escritura foi vista de
modo concreto como o Caminho do Senhor (cf. Sl 18, 21; Sl 138, 5), que é reto,
por isso seguir o Senhor é seguir a retidão do seu caminho.
Tudo
isso é muito belo, e é, porém somos pecadores e como encarar tudo isso? Afinal
de contas pecamos, e nos desviamos do caminho do Senhor. Nesse momento,
lembro-me de uma palestra do Frei Elias Vela e este dizia que há um ser pecador
bom e um ser pecador mau. O mau é aquele que peca e simplesmente não toma a si
a culpa e continua no seu pecado numa consciência anestesiada e simplesmente
continua numa jornada de desconhecimento de si e se impõe aos outros. O pecador
bom é o que deveria ser cada um de nós, reconhece a potencia pecaminosa que há
em cada um de nós e reconhecendo assim permite que a graça de Deus aja, como no
dizer de São Paulo: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo
Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou
o principal” (1 Tm 1, 15).
Mas
há um verdadeiro veneno, uma droga poderosa que anestesia as consciências e faz
o ser humano pensar que é santo, gabar-se de não ter pecado e continuar a se chafurdar
na lama e ainda achar que isso é normal, a hipocrisia, que faz lobos transvestir-se
de ovelhas, para na ilusão pensar que está tudo bem. Droga poderosa que quer a
todo custo quer anestesiar a caminhada da cruz, e a exemplo de Jesus que
recusou a mirra deveríamos recusá-la (cf. Mc 15, 23).
Há
um hipócrita, como já foi dito em outras postagens, que é o rigorista, esse
quer garantir a qualquer preço sua imagem de santidade, por isso não reconhece
em si erro algum, e sempre a exemplo de Adão quer culpar a Eva pelos seus
próprios erros: “Então, disse o homem: A mulher
que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (Gn 3, 12). Essa
figura é aquele eclesiástico que tendo parte com satanás explora sexualmente
homens, mulheres ou crianças, e fingindo ser um bom pastor diz que as amava. É
o pervertido que explora prostitutas a noite e as chama de “vangabundas” nas
esquinas durante o dia, por que jamais teria parte com tais “pecadoras”. Tem um
discurso absolutamente impecável, com palavras sempre bem pesadas e de um
português castiço, para ocultar a própria corrupção. Não pode-se dizer “mentira”,
mas “faltou-se com a verdade”. O politicamente correto levado às últimas
consequencias para encobrir a ladroagem. A imagem é tudo, mas não pode-se viver
para sustentá-la a qualquer custo. Não há retidão de alma, mas uma tentativa de
mostrar que na aparência há para outros veem, mas como diz Jesus o Pai que tudo
vê, vê o coração pútrido do hipócrita e este receberá sua recompensa (cf. Mt 6,
18).
Há
o hipócrita laxista, para este tudo é permitido, a seu ver ele não peca, e se o
outro concede a seus desejos não há pecado, porque o outro quis. Esse hipócrita
gaba-se de pecar e incentiva os outros a pecar. A sua regra é a malícia, uma
habilidade sem fim para ver em tudo o que há de mal, seja nos relacionamentos,
nas atitudes, na fala dos outros. A sua consciência está petrificada pelo mal,
por isso ele vê em tudo sob esta ótica, e critica quem não vê dessa forma: “Acautelai-vos
por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado
com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e
para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço”. (Lc
21, 34) Destorce-se o versículo no qual Jesus dirigindo-se aos mestres da lei
diz que as prostitutas e os publicanos vos precederão no Reino de Deus (cf. Mt
21, 31), por estes reconheceram-se pecadores, e esse reconhecimento somente
brotar de um coração reto e não de um coração embevecido do pecado e que não
quer de modo algum largar um procedimento errôneo e se converter.
E
como sair dessas situações, pois se nos preocupamos em sair do pecado pelo
esforço, podemos nos tornar um rigorista, se trabalhamos a compreensão podemos
ser laxistas conosco e com os outros. O segredo é um só, se há um coração que
busca a retidão, a verdade, sempre há esperança, se a pessoa é traiçoeira, e
aprendeu a ser assim, dissimulada, mentirosa, mas luta contra isso porque quer
descobrir a verdade, há esperança. Se a pessoa tem uma sexualidade
completamente desregrada, cai e levanta muitas vezes, mas se há uma busca que
brota de um coração reto há esperança. Mas se há fechamento, um coração fechado
que não aceita a verdade, a correção e não quer saber de autoconhecer-se, se
ouvirá a frase de Jesus dita a Judas: “E, após o
bocado, imediatamente, entrou nele Satanás. Então, disse Jesus: O que pretendes
fazer, faze-o depressa” (Jo 13, 27). Jesus viu que a liberdade chegou
ao fim, Judas se fecha totalmente no seu desejo de entregar o mestre, perdeu-se
na própria liberdade, por isso deixa-o livre, por isso diz que faça o que tem
que ser feito, não há mais exortação, não há mais palavras ou conselhos a serem
ditos, Judas já tomou sua decisão e é entregue a sua própria decisão. Da mesma
forma cada um de nós é livre para tomar suas decisões e podemos nos perder
nelas, principalmente fechando-se a tudo o que o Senhor coloca em nossa vida e
tomamos decisão baseada nos desejos de nossa própria carne.
Por isso,
é só rezando. E o que?
“Senhor,
eu sou um pecador, mas tenho medo de cair nos enlaces de minhas decisões, de
meus dramas mentais nos quais eu me faço de vítima e quero culpar a todos e a
Vós pelas minhas fraquezas e pecados e decisões que brotam delas. Renuncio a
toda autojustificação que quer a todo custo manter a própria imagem. Renuncio a
culpar quem quer que seja pelas minhas decisões pecaminosas. Renuncio a
manipular ou instrumentalizar pessoas, mesmo que eu tenha sofrer muito com
minha própria solidão. Renuncio a toda malícia, toda habilidade para praticar o
mal, para encobrir o mal feito, a todo orgulho em pecar e fazer os outros
pecarem. Renuncio a toda autocomiseração culposa, a toda reivindicação e murmuração
que só chamam atenção sobre feridas criadas e aparentes para encobrir o mal em
mim. Por isso, Senhor, como uma ovelha machucada apresento a vós minhas feridas,
cura-as e quero sair da vida de pecado na qual vivo. Apresento minhas decisões
e peço que pelo teu Santo Espírito mostre a verdadeira intenção que está por trás
de cada decisão que tomo, das quais brotam olhares, palavras e atos. Que haja
um reta intenção nas decisões que tomo, para que no dia do Santo Juízo Final
não haja em mim qualquer tipo de medo de me apresentar diante de vós e de meus
irmãos. Amém”.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
O Louvor em Santa Teresa de Jesus
“O
Louvor em Santa Teresa de Jesus”
“Sendo
sempre meu desejo servir de instrumento do louvor do Senhor e para o aumento do
número dos que O serviam”. F 28, 15
“E, por quem sois,
Senhor, servi-vos de mim, pois bem sabeis que
não pretendo outra coisa que sejais louvado e engrandecido um pouco por
haverdes plantado um jardim de flores tão suaves num pântano tão sujo e
malcheiroso. Queira Sua Majestade que eu, pela minha culpe, não volte a
arrancá-las nem torne a ser o que era”. V 10, 9
Aludindo
ao Sl 88, 2 “Cantarei para sempre a misericórdia do Senhor”
“Suplico-Vos, Deus meu,
que assim seja e que eu as cante sem parar, já que Vos dignastes conceder-me
graças tão imensas que espantam os que as veem e que muitas vezes me
deixem fora de mim para que eu melhor Vos louve”. V 15, 11.
Terceiro
Grau da Oração
“As faculdades só tem
condições de ocupar-se em Deus; parece que nenhuma ousa mexer-se, (...) Vem
então, desordenadamente, muitas palavras
de louvor a Deus, que só o próprio Senhor as pode corrigir. (...) A alma fica desejosa de louvá-Lo em voz
alta, pois não cabe em si, estando num saboroso desassossego. (...) A alma
gostaria que todos a vissem e compreendessem a sua glória para dar graças a
Deus”. V16, 3.
Quarto
Grau da Oração
“Surgem as promessas e
determinações heróicas, (...) aborrecimento do mundo (...) tendo crescido em
humildade (...) A vaidade está tão longe dela (...) Estando sozinha com Ele,
que há de fazer senão amá-Lo? (...) ela (a alma) percebe que merece o inferno e
que é castigada com a glória; desfaz-se
em louvores a Deus, e quisera eu me desfazer agora”. V 17, 5
Arroubo
“É verdade que, em
geral, essas faculdades estão mergulhas
em louvores a Deus ou na busca da compreensão e do entendimento do que lhes
ocorreu”. V 20, 20
Efeitos
da Graça
“Assim, eu não queria
que houvesse limites no meu serviço a Sua Majestade, desejando empenhar nisso
toda a minha vida, todas as minhas forças e a minha saúde, para não perder, por
minhas culpas, nem um pouco de maior felicidade. Dessa maneira, digo: se me
perguntassem se quero ficar na terra até o fim do mundo com todos os
sofrimentos nela existentes e depois em elevar um pouco mais na glória, ou se
prefiro, sem nenhum padecimento, ir já gozar uma glória um pouco mais baixa, eu
com boa vontade tudo padeceria para fruir um pouco mais de compreensão da
grandeza de Deus, pois percebo que quem
mais O entende mais o ama e mais O louva”. V 37, 2
Sobre
o Livro da Vida
“Mas bendito trabalho,
se conseguir dizer algo que leve alguém,
ao menos uma vez, a louvar o Senhor”. V 40, 23
Relações
“porque me parece honra minha que Nosso Senhor seja
louvado, pouco me importando tudo o mais. Isso bem sabe Ele, ou eu estou muito
cega, já que nem honra, nem vida, nem glória, nem nenhum bem corporal ou da
alma podem me deter, nem penso ou desejo benefício para mim, mas sim a Sua
glória”. R 1, 25
Efeitos
do enlevo
“ela (a alma) se
esquece de si mesma para desejar que tão
grande Deus e Senhor seja conhecido e louvado”. R 5, 8
Locução
de Nossa Senhora
“Bem acertastes em
por-Me aqui; Eu estarei presente aos
louvores que derdes ao Meu Filho e os apresentarei a Ele”. R 25
Amor
perfeito
“Aquele a quem o Senhor
tiver dado essa graça deve louvá-Lo
muito, pois deve ter muita perfeição”. C 6, 1
Vida
Religiosa
“Disponhamo-nos a
seguir esse caminho se Deus por ele nos quiser levar; se não for esse o caso,
recorramos à humildade e tenhamo-nos por felizes em servir às servas do Senhor,
louvando-O porque, embora
merecêssemos ser escravas dos demônios do inferno, Sua Majestade nos permitiu
ficar entre elas”.
Oração
de quietude
“Na qual, segundo me
parece, o Senhor, como eu disse, começa a mostrar que ouviu a nossa súplica e a
nos dar o seu reino para que O louvemos
de verdade, santifiquemos-Lhe o nome e procuremos que o façam todos”. C 31,
1
Quartas
Moradas
“Essas almas (...) em
ocupar-se em atos de amor e de louvor a
Deus, alegrando-se com a Sua bondade e com o fato de Ele ser quem é”. M IV,
1, 6.
Quintas
Moradas
“Bem sabe o Senhor que
não é outro o meu desejo (...) senão que seja louvado o Senhor nome e
que nos esforcemos por servir a um Deus que nos recompensa com tanta
generosidade já aqui na terra”. M V, 4, 11
Sextas
Moradas
“porque o Senhor lhe
tem dado maior entendimento para ver que nenhuma coisa boa é sua, mas dada por
Sua Majestade; desse modo, põe-se a
louvar a Deus, sem se lembrar do que lhe diz respeito, como se fosse uma
graça dispensada a outra pessoa”. M VI, 1, 4.
“A alma gostaria de ter
mil vidas para empregá-las todas em Deus. Quisera que todas as coisas da terra fossem línguas para louvar
ao Senhor em seu nome”. M VI, 4, 15.
“ela (a alma) gostaria de introduzir-se no
mundo, a fim de contribuir para que ao menos uma alma louve mais a Deus”. M VI, 6, 3.
“Daria mil vidas, se
tantas tivesse, para uma única alma, por seu intermédio, Vos louvasse um pouquinho mais”. M VI, 6, 4.
Sétimas
Moradas
“Essas pessoas vivem em
grande desapego de tudo e com um grande desejo de estar sempre a sós, ou
ocupadas em algo que possa beneficiar alguma alma. Não as acompanham nem aridez
nem sofrimentos interiores, mas apenas a lembraça de Nosso Senhor, e tal
ternura para com Ele que desejariam
dedicar todo o tempo aos seus louvores”. M VII, 3, 8.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
“Hábito Religioso e Louvor de Deus”
Quando fizemos os votos temporários e
recebemos o Hábito religioso, o Pe Gilberto naquele dia 28 de fevereiro de
1998, pronunciou na sua homilia que da mesma forma que um policial ou um
militar tem sua farda em serviço e essa indumentária o qualifica para exercer
sua função, o religioso ao envergar o hábito religioso ele dá testemunho de
evangelização e se coloca socialmente, é identificado como membro de uma
congregação religiosa e testemunha ser da Igreja Católica e de Jesus Cristo.
A veste, como nas passagens da Escritura acima, representa a própria
personalidade da pessoa, por isso, que Jesus é vilipendiado por Herodes, é
desnudado, remetendo a Adão que perdeu seu relacionamento com Deus (persona) pelo
pecado, assumindo Jesus assim a nossa humanidade pecadora, e os anjos
revestidos de vestes resplandecentes vem testemunhar que Jesus é ressurreto.
Na história dos Institutos Missionários Servos e Servas de Jesus Salvador,
brotou o desejo de usar o hábito, não como uma separação insossa do mundo, pois
não somos do mundo, mas como missionários estamos no mundo (cf. Jo 17, 15) e
nele exatamente queremos testemunhar Jesus Cristo e sua Igreja, portanto o
Hábito Religioso é testemunho missionário da pertença a Deus e como na antiga
história de São Francisco de Assis, sem falar nada, em nossas procissões pelo
mundo proclamar que Deus existe e há pessoas que largam tudo para
testemunhá-lo.
Obviamente, vai surgir o velho adágio “o hábito não faz o monge”, e de fato não
faz. Infelizmente o que não falta na história são pessoas que desonraram o
hábito pelo seu comportamento. Lembremos, porém, que eles em primeiro lugar
desdenharam do seu Batismo, e Batismo é revestir-se de Cristo, como na palavra
Bathos em grego que é veste. Dessa forma, o problema é quem usa e não a veste
em si. Por outro lado, muitos daqueles que entraram na vida religiosa, o
primeiro sentir da vocação foi por causa do hábito, e isso é permissão de Deus,
porém o que não se deve cair é numa idolatria do hábito religioso, um
farisaísmo hipócrita, daqueles que usavam longas franjas para receberem a
glorificação dos homens (Mt 23, 5).
A partir do voto de pobreza, numa entrega total a Deus e para testemunhar Jesus
Cristo e sua Igreja, aí sim o habito religioso se torna um verdadeiro louvor de
Deus, pois a pessoa proclama pelas suas vestes que toda a sua ação procede de
Deus e é para Deus. O nosso Pai Fundador Pe Gilberto quis que as nossas vestes
religiosas tivessem a cor marrom, para nos lembrar de que somos pó e ao pó
voltaremos (cf. Gn 3, 19). Assumimos a morte à qual somos entregues todos os
dias (cf. 2 Cor 4, 11), por isso a partir do assumir da nossa pobreza em
Cristo, renunciamos a toda moda, que é passageira, para assumirmos uma veste
que aponta para o eterno, renunciamos a nós mesmos (cf. Mc 8, 34), a nossa
individualidade e vaidade que busca aparecer, receber os holofotes e as glórias
(kauchomai) do mundo, para assumindo a Igreja e glorificar (doxa) a Deus
somente, somente a Ele o louvor e não a nós (cf. Sl 115, 1). Por isso, usar o
hábito também exige do religioso um certo sacrifício, que vai desde a
temperatura, o ser reconhecido por todos como religioso e prestar serviço
correspondente, e porque não ser até ridicularizado. Nessa medida aquele que
assume suas próprias fraquezas perante a morte que virá, pode assim permitir
que a graça de Deus aja em suas ações pela graça e assim proclamar pelo hábito,
pelo sinal exterior de sua consagração, que só Deus é Deus e assim suas vestes
se tornam um louvor de Deus.
Finalizando assim com a oração para os primeiros sinais religiosos que
recebemos quando adentramos no Instituto, invocamos ao Pai e pede-se que os
hábitos sejam o “primeiro sinal visível despertado neles de se consagrarem a
ti. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Amém !”
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012
A urgência da Missão Impressões sobre o Retiro do Clero Salvista com Dom Azcona
A
urgência da Missão
Impressões
sobre o Retiro do Clero Salvista com Dom Azcona
Tivemos um Retiro com Dom José Luiz Azcona, Bispo da
Prelazia do Marajó, nos dias de 3 a 7 de setembro de 2012. O tema “Urgência da
Missão” nos fez refletir como salvistas sobre a dimensão missionária do nosso
carisma, o objetivo aqui é somente pontuar o que foi ouvido para futuras
reflexões.
A missão é o objetivo maior do Concílio Vaticano II e
presente na “Carta Encíclica Redemptoris Missio” do Papa João Paulo II. A
missão é fruto da fé, por isso é inútil falar em missão se não se falar em
reavivamento da fé.
Hoje percebemos grupos inteiros que se rebelam contra o
Magistério Pontífício (lembremos do quarto voto de fidelidade ao papa), como
padres na Áustria que querem de sacerdócio feminino até a quebra do celibato,
ou religiosas norte-americanas que são a favor de relações homossexuais,
masturbação, e outras coisas mais. Sob essas posições está o neo-pelagianismo,
uma reedição da heresia combatida por Santo Agostinho, que não vê primazia na
graça, mas a graça é apenas uma auxílio e que o próprio homem pode salvar-se;
pragmatismo pastoral e ativismo, da mesma maneira o homem se coloca a frente da
ação pastoral como se não houvesse Deus. Um workaholic pastoral, isto é um
trabalhador compulsivo, um viciado em trabalho para fugir da própria vida. Também
sob essas posições está também um superracionalismo, um orgulho intelectual, ou
até um novo gnosticismo no qual o ser humano acha que pelo conhecimento se
chega a Deus, despreza a ação da graça no ser humano de carne e osso, e se
arroga a Deus como no caso da Torre de Babel (cf. Gn 11, 1-9). Se de um lado
podemos ver nessas posições todas, uma busca de uma liberdade irrestrita representada
na Igreja no que se chamou progressismo, também no Tradicionalismo se vê o
legalismo, como retorno ao Janseísmo, que absolutiza a lei e vê nela a
salvação, nessa posição também está o orgulho humano que quer salvar a si
mesmo.
Nessa perspectiva vemos o enlace total entre fé –
conversão – batismo – missão, como presente no livro dos Atos dos Apóstolos,
principalmente no capítulo segundo. Sem essa relação a Missão não se sustenta.
Por isso, nos é lembrado que a Igreja dando a fé é que Ela se fortalece. O
envio missionário é para fazer discípulos, conversão é a resposta ao envio de
Jesus. Conversão que é fruto de um arrependimento pleno dos pecados pela graça
de Deus.
O missionário para pregar a fé e a conversão, precisa viver
uma conversão autêntica e contínua. Há falsas conversões que aparentemente
parecem dar frutos, mas são vazias, pois se baseiam no orgulho humano, como no
dizer de Mt 6, obras boas são feitas mas como são feitas para aparecer por
orgulho e hipocrisia não convertem, pois não chamam a atenção para Deus, mas
para si mesmos. Na perspectiva do carisma do “Louvor de Deus”, as nossas obras
a partir da graça devem louvar unicamente a Deus, o único necessário (cf. Lc
10, 42), mais uma vez afirmamos o contrário desse Louvor é a hipocrisia, que
realiza obras que aparentam louvor mas apenas apontam para o próprio aparecer.
Nesse ponto devemos lembrar que nossa conversão é para
Deus, e não para uma comunidade ou para uma estrutura, como alguns caem numa “eclesiolatria”,
não veem a Igreja como Corpo de Cristo, mas somente como uma estrutura de poder
humano. A conversão é para Jesus, para Deus, só a Ele devemos adorar (cf. Mt 4,
9).
Conversão a Cristo e este crucificado, é esse que nós pregamos
(cf. 1 Cor 2, 1-5), e é a partir da reconciliação com o Cristo Crucificado que
ouvimos na pregação é que nos faz justificar o nome que recebemos: “salvistas” (cf.
2 Cor 5, 18-19).
Diante de tudo isso queremos agora relacionar com o nosso
carisma.
Quando afirmamos que o nosso carisma é o Louvor de Deus,
e que na medida que nos unimos pela Graça ao próprio Deus, nossas ações louvam
e bendizem a Deus, pois a fé opera pela caridade (cf. Gl 5, 6). É impossível
num pensar salvista deixar entrar um mínimo de ativismo vazio ou
neo-pelagianismo, pois achar que qualquer obra não brota da graça de Deus, ela
não é um louvor de Deus, mas sim obras da carne (cf. Gl 5), ou obras da lei
(cf. Rm 3,20), por isso todo legalismo deve ser execrado. Por isso, a missão
salvista nasce de uma busca de propiciar o encontro da pessoa com Deus (conversão),
a partir dessa conversão a pessoa imersa na graça que nos vem dos sacramentos
(graça), e que o salvista pelo esplendor litúrgico (dimensão batismal –
sacerdócio real) propicia ainda mais a abertura da pessoa a essa graça, faz com
que essa pessoa plena da graça faça obras da graça que se tornam um Louvor de
Deus.
O missionário salvista faz missão dessa forma e em
qualquer lugar em que ele esteja, como no dizer do nosso Pai Fundador, Pe
Gilberto, o salvista pode trabalhar em qualquer área na medida que ele siga o
itinerário da graça e não de um neo-pelagianismo ativista ou de um legalismo
vazio. Missionário que vive uma conversão contínua, vivida na contrição e
confissão, e também no exercício da liturgia e do amor ao próximo, obras que
Louvam a Deus propiciando a santificação pessoal e comunitária.
Missão, um esquema do processo na Graça de Deus:
|
Fé
|
Conversão
|
Batismo
|
Missão
|
Igreja (Corpo
de Cristo)
|
Deus
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Dimensão
Eclesial
|
|
Fé
Obras que
Louvam a Deus
|
Batismo no
Espírito
Espiritualidade
Carismática
|
Esplendor
Liturgico
|
Missão
Salvista
(santificação
pessoal e comunitária)
|
4º voto
|
Vivida pelo
salvista
|
Que Deus pelo seu Espírito Santo nos ajude para que esses
pontos possam cada vez mais nos fazer entender o carisma salvista do “Louvor de
Deus’, para que Jesus Salvador possa ser cada vez mais anunciado e louvado e
assim Deus seja tudo em todos (cf. 1 Cor 15, 28).
quarta-feira, 4 de julho de 2012
ADORAÇÃO E O CARISMA DO “LOUVOR DE DEUS”
ADORAÇÃO E O CARISMA DO “LOUVOR DE DEUS”
“Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito:
A palavra adoração, tanto no hebraico com hawa ou
Shachah, ou no grego como na passagem acima, proskuneo, tem a conotação de
prostração, com o significa de submissão. Significado advindo do gesto de
alguém que se submete ao rei, se prostrando diante dele, o reconhecendo como
soberano. Agora, será que Deus quer esse tipo de submissão? Cremos que não. Não
é a submissão de escravos que Deus deseja, mas de filhos que o reconhecem como
a fonte salvadora,
“Vede,
agora, que Eu Sou, Eu somente,
e mais
nenhum deus além de mim;
eu mato e eu
faço viver;
eu firo e eu
saro;
e não há
quem possa livrar alguém da minha mão” (Dt 32,39)
Deus
é a fonte da vida, e o gesto de adoração, de prostrar-se é reconhecer por um
lado a nossa pequenez perante o Criador e a nossa dependência, por outro lado é
prestar culto, adoração, latria, o servir ao Soberano, àquele que é o Senhor,
mas que é o Deus compassivo e clemente, como diz Moisés:
“E, passando
o Senhor por diante dele, clamou: Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e
longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” Ex 34.6.
A proibição de adorar imagens advém
exatamente disso, de não se prostrar e reconhecer numa imagem ou ser humano a
fonte da vida, se se prostra perante algo, como a Arca da Aliança, por exemplo,
é reconhecer nela o instrumento no qual Deus atua e portanto o instrumento de
se chegar a Fonte da Vida (cf. 2 Sm 6).
Diante de tudo isso o que seria o
pecado da idolatria? Idolatria, num conceito bem amplo, é ter qualquer coisa ou
pessoa no lugar de Deus como Fonte da Vida. A prostração não precisa ser
física, basta fazer qualquer coisa reconhecendo o outro ou o instrumento ou a
sociedade ou seja lá o que for como Fonte de Vida, que pode sustentar a minha
vida.
A condenação à adoração de outros
deuses vai nessa perspectiva, porque eles não são nada, não podem dar a vida,
como no dizer do profeta Jeremias: “Este povo maligno, que se recusa a ouvir as
minhas palavras, que caminha segundo a dureza do seu coração e anda após outros
deuses para os servir e adorar, será tal como este cinto, que para nada presta”
(Jr 13, 10).
O carisma do “Louvor de Deus”, quer
mostrar que tudo o que somos e fazemos louva e bendiz a Deus, e porque não
dizer que tudo o que somos e fazemos adora ao Senhor Nosso Deus. Por isso, é
inaceitável na vivência do carisma o se prostrar perante qualquer coisa que
seja nada, novamente dizemos, não nos prendamos ao ato em si, porque como Davi
podemos reconhecer na Arca da Aliança o instrumento para chegar até Deus, como
no nosso caso de católicos que somos reconhecemos a Nova Arca da Aliança em
Maria Santíssima um instrumento perfeito para se chegar até Deus, nessa
dimensão se entende a Teologia da Consagração a Nossa Senhora proposta por São
Luís Maria Grignon de Monfort.
Queremos, na perspectiva do carisma,
estar atentos a outras idolatrias muito mais perniciosas que vão penentrando em
nosso ser sem nos apercebermos disso. Nos prostramos diante do dinheiro, do
sexo, de um time, da beleza, da vaidade, do corpo, do reconhecimento, do
aplauso, e em muitas outras coisas, pessoas, situações, tendo-as como fonte de
nossa vida. E como o fazemos? Não é muito difícil de discernir. Na medida em
que atribuimos valor de vida e morte ao que podemos chamar de ídolos, estamos
sendo idólatras. Quando se chega ao ponto de matar alguém, ou querer sua morte,
ódio e apego ao poder, na medida em que passamos sobre a vida, sustento e a
vocação de pessoas para conseguir agradar ao ídolo, que normalmente reflete a
nós mesmos, somos idólatras, vivemos a hipocrisia e não o “Louvor de Deus”. Quando
nosso egoísmo dita as nossas decisões de tal forma que não pensamos e não nos
colocamos no lugar dos outros, o ídolo que somos nós é que adoramos. Na medida
em que colocamos como ponto de partida em nossa vida e como ponto de chegada o
ídolo, pautamos nossa vida, experiências e o principal começamos tomar
decisões, das quais brotam nossas ações, para agradar o ídolo, somos idólatras.
O carisma é a base da Fraternidade Jesus Salvador, assumimos a alcunha de salvistas. Servos de Jesus Salvador, o nome de "servo" brota exatamente da dimensão de adoração, servir a Deus na Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Agora aqueles que querem anunciar pela vida e pelas próprias decisões que só Um pode salvar, isto é Deus, chamados salvistas vão ter outras fontes de vida, vão valorizar a vaidade? Vão lutar por realidades vazias? Valorizarão de tal forma a riqueza, o poder ou pessoas de tal forma que se tornem salvadores? Não.
Por isso, para viver esse carisma,
devemos rezar para que todo e qualquer ídolo seja quebrado em nossa vida, mas
não devemos esperar que Deus quebre nossos ídolos, são nossas mãos que devem
quebrá-lo, e se for o caso de bebermos a água como o pó dos ídolos que tínhamos
(cf. Ex 32, 20), experimentando o gosto amargo de nossa idolatria e isso servir
para reconhecermos que um só é a Fonte da Vida, que assim seja. Antes assim, do
que no fim da nossa vida, de uma vida
vazia porque pautada em decisões que brotaram da vaidade idolátrica, do vazio
da idolatria, encaminharmo-nos para o Inferno.
Nessa perspectiva rezemos para que o “Louvor de Deus” cresça em nós sem
cessar e que nenhum espaço haja em nosso coração, no lugar mais íntimo da nossa
tomada de decisão, para a idolatria, e com nosso coração cirscuncidado somente
a Deus adoremos e só a Ele prestemos culto.
[1]Sociedade
Bíblica do Brasil. (2003; 2005). Almeida Revista e Atualizada - Com Números
de Strong (Mt 4:10). Sociedade Bíblica do Brasil.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Sacrifício Espiritual: O louvor de Deus na visão Paulina
“Eu vos exorto, pois, irmãos,
pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo,
santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis
com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que
possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o
que é perfeito” (Rm 12, 1-2).
Leia mais em: http://www.bibliacatolica.com.br/01/52/12.php#ixzz1v9F5vE34
Leia mais em: http://www.bibliacatolica.com.br/01/52/12.php#ixzz1v9F5vE34
Sacrifício
Espiritual: O louvor de Deus na visão Paulina
São Paulo na carta aos Romanos resume toda a sua doutrina,
após ter demonstrado nos capítulos 9 a 11 a sua dor pelo povo judeu do qual ele
faz parte por não ter aderido a Cristo, professa ao final que Deus se mantém
fiel à Aliança com os judeus e que é insondável o juízo de Deus, há coisas que
não entendemos e que temos que entregar em suas mãos divinas (cf. Rm 11, 33).
Por isso, o Capítulo 12 começa com um “pois” ou “portanto”
(oun) concluindo que a partir de agora, dirigindo-se aos cristãos na dimensão
da Nova Aliança, estes devem oferecer um sacrifício verdadeiro e espiritual. A
mesma misericórdia de Deus que garante a Aliança com os judeus, são as mesmas
misericórdias que possibilitam aos cristãos oferecerem a própria vida como um
sacrifício agradável a Deus.
Esse sacrifício a partir de agora é um sacrifício vivo
(Thusian Zosan), a própria vida do cristão deve ser um sacrifício agradável a
Deus, pois o que Deus quer não são sacrifício e holocausto, mas um espírito
contrito e esmagado, um sacrifício espiritual, um sacrifício de louvor ou de
justiça (cf. Sl 50, 20-21). Na mesma linha, Jesus diz à samaritana, que os
verdadeiros adoradores são aqueles que adoram em espírito e verdade (cf. Jo 4,
24).
Esse sacrifício vivo, oferecido de forma santa e
agradável, é o sacrifício da própria vida do ser humano que por decisões
verdadeiras, imersas na graça e na misericórdia de Deus, transformam-se em obras
da graça, e não em obras da carne (cf. Gl 5, 19) e nem em obras da lei (cf. Rm
3, 20), obras que louvam a Deus, pois a fé opera através da caridade, se mostra
através desta (cf. Gl 5, 6).
No dizer de São Paulo, esse sacrifício, é um culto
espiritual. Traduzido também como “culto racional”, “serviço racional”, tentando
assim traduzir a expressão grega “logiken latreian”. Culto como adoração, culto
de latria, isto é , um culto destinado exclusivamente a Deus. Esse culto é um culto
racional, lógico, do grego logikos, isto é, um culto que expressa todo ser da
pessoa, como o Verbo (logos) se fez carne (cf. Jo 1, 14), e é considerado como
na formulção da Carta aos Hebreus, Jesus é a expressão do ser de Deus (cf. Hb
1, 3) ou a imagem de seu ser, portanto um culto espiritual, logiké, nada mais é
que a entrega total do ser humano a Deus, de tal forma que cada ato de sua vida
torna-se pleno do ser da pessoa unida a Deus e esse ato é um louvor a Deus.
É nesse sentido que no versículo segundo a exortação
continua solicitando a cada cristão transforma-se a si mesmo, renovando a forma
de pensar, de decidir, de modo a discernir qual é a vontade de Deus. Na medida
em que cada ser humano vai sendo imerso nas misericórdias de Deus, deixa-se
transformar, cada ato se torna um louvor ao próprio Deus, dessa maneira não se
pode misturar qualquer sombra de pecado, egoísmo ou outros pensamentos carnais
(cf. Gl 5, 16-26), mas sim frutos verdadeiros do Espírito Santo.
O itinerário seria esse:
1. O ser
humano no Mistério Pascal é imerso na graça ou misericórdia de Deus
|
2. Nessa
medida pode assim oferecer-se a si mesmo como sacrifício vivo, santo e agradável
a Deus.
|
3. Esse sacrifício
é um culto de latria mas espiritual, isto é, o ser humano se entrega a Deus
por atos de amor e de justiça feitos a Deus e ao próximo.
|
4. Para que
esse processo seja perfeito é necessário uma purificação interior de qualquer
pensamento carnal e tomar decisões segundo a vontade de Deus.
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